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A era da maravilha da genética

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    Vou começar com Roy Amara.
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    O argumento de Roy é que o impacto
    da maioria das novas tecnologias
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    tende a ser sobreavaliado, no início,
  • 0:11 - 0:13
    e depois, são subavaliadas a longo prazo
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    porque nos vamos habituando a elas.
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    "Vivemos dias de milagres e maravilhas..."
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    Lembram-se desta canção
    lindíssima de Paul Simon?
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    Tinha dois versos.
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    O que é que havia nela que foi
    considerado milagroso nessa época?
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    Abrandar as coisas
    — a câmara lenta —
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    e as chamadas de longa distância.
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    Porque éramos interrompidos
    pelas telefonistas, que diziam:
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    "Chamada de longa distância.
    Quer desligar?"
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    Agora nem reparamos
    nas chamadas pelo mundo inteiro.
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    Pode estar a acontecer algo semelhante
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    com a leitura e a programação da vida.
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    Mas antes de entrarmos nisso,
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    vamos falar de telescópios.
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    O impacto dos telescópios
    foi sobreavaliado inicialmente.
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    Este é um dos primeiros
    modelos de Galileu.
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    As pessoas pensaram que ia
    dar cabo de todas as religiões.
  • 1:03 - 1:05
    (Risos)
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    Mas não estamos a prestar
    muita atenção aos telescópios.
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    Claro que os telescópios lançados
    há 10 anos, como acabaram de ouvir,
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    puderam levar aquele Volkswagen até à lua,
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    e podíamos ver as luzes
    desse Volkswagen a brilhar na lua.
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    É o tipo de poder de resolução
    que nos permitiu ver
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    pequenas manchas de poeira
    a flutuar em volta de sóis distantes.
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    Imaginem por momentos que isto é um sol
    a mil milhões de anos-luz de distância
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    e havia uma pequena mancha de poeira
    em frente dele.
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    É assim que detetamos um exoplaneta.
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    O que é fantástico é que os telescópios
    que estão hoje a ser lançados
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    permitem-nos ver
    uma vela acesa na Lua.
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    E se as colocássemos
    à distância de um prato,
  • 1:55 - 1:58
    podíamos ver duas chamas
    separadas a essa distância.
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    É o tipo de resolução necessária
  • 2:02 - 2:05
    para começar a fotografar
    essa mancha de poeira
  • 2:05 - 2:06
    quando aparece em volta do sol
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    e ver se ela tem
    uma assinatura azul-verde.
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    Se tiver uma assinatura azul-verde,
  • 2:11 - 2:13
    significa que a vida é comum no universo.
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    Quando virmos pela primeira vez uma
    assinatura azul-verde num planeta distante
  • 2:18 - 2:20
    significa a presença da fotossíntese,
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    que há ali água.
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    E a probabilidade de descobrirmos
    só um outro planeta com fotossíntese
  • 2:25 - 2:26
    é cerca de zero.
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    É um acontecimento que altera tudo.
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    Há um antes e um depois
    de estarmos sozinhos no universo:
  • 2:32 - 2:35
    esqueçam a descoberta
    de qualquer continente.
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    Quando pensamos nisso,
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    estamos a começar a poder
    retratar a maior parte do universo.
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    E de facto é uma época
    de milagres e maravilhas.
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    Mas achamos tudo isso normal.
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    Acontece uma coisa
    semelhante com a vida.
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    Falamos da vida de forma fragmentada.
  • 2:53 - 2:55
    Ouvimos falar do CRISPR
    e ouvimos falar desta tecnologia
  • 2:55 - 2:57
    e ouvimos falar daquela tecnologia.
  • 2:57 - 3:00
    Mas o importante sobre a vida
    é que ela resume-se a ser um código.
  • 3:02 - 3:06
    E a vida enquanto código é
    um conceito importante porque,
  • 3:06 - 3:09
    tal como podemos escrever uma frase
  • 3:09 - 3:12
    em inglês, em francês ou em chinês,
  • 3:13 - 3:16
    tal como podemos copiar uma frase,
  • 3:16 - 3:19
    tal como que podemos emendar uma frase,
  • 3:19 - 3:21
    tal como podemos imprimir uma frase,
  • 3:21 - 3:24
    começamos a poder
    fazer isso com a vida.
  • 3:25 - 3:29
    Significa que estamos a aprender
    a ler essa língua.
  • 3:29 - 3:32
    Esta é a língua usada por esta laranja.
  • 3:33 - 3:35
    Como é que esta laranja
    executa o seu código?
  • 3:35 - 3:37
    Não o faz com uns e zeros
    como faz um computador.
  • 3:37 - 3:39
    Espera numa árvore e, um dia,
  • 3:39 - 3:41
    plop!
  • 3:41 - 3:43
    Isso significa: executar.
  • 3:43 - 3:46
    AATCAAG: "faz-me uma pequena raiz."
  • 3:47 - 3:50
    TCGACC: "faz-me um pequeno caule."
  • 3:50 - 3:53
    GAC: "faz-me folhas."
    AGC: "faz-me flores."
  • 3:53 - 3:56
    E depois GCAA: "faz-me mais laranjas."
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    Se eu editar uma frase em inglês
    num processador de texto,
  • 4:03 - 4:07
    o que acontece é que posso passar
    duma palavra para outra palavra.
  • 4:08 - 4:11
    Se eu editar qualquer coisa nesta laranja
  • 4:11 - 4:15
    e acrescentar GCAAC, com o CRISPR
    ou outra coisa qualquer,
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    esta laranja passa a ser um limão,
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    ou passa a ser uma toranja,
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    ou passa a ser uma tangerina.
  • 4:23 - 4:25
    E se eu alterar uma só de mil letras,
  • 4:25 - 4:28
    vocês podem passar a ser
    a pessoa que está aí sentada ao seu lado.
  • 4:29 - 4:31
    Vejam lá onde é que se sentam.
  • 4:31 - 4:32
    (Risos)
  • 4:33 - 4:37
    Mas estas tecnologias,
    no início, eram muito dispendiosas.
  • 4:37 - 4:39
    Era como as chamadas de longa distância.
  • 4:39 - 4:43
    Mas o custo está a diminuir
    50% mais depressa do que a lei de Moore.
  • 4:44 - 4:48
    Ontem a Veritas anunciou a primeira
    sequenciação dum genoma por 200 dólares.
  • 4:48 - 4:51
    Assim, quando estamos a olhar
    para estes sistemas,
  • 4:51 - 4:54
    não interessa, não interessa,
    não interessa e, depois, interessa.
  • 4:54 - 4:58
    Vou dar-vos uma ideia geral de tudo isto.
  • 4:59 - 5:01
    Foi uma grande descoberta.
  • 5:02 - 5:04
    Há 23 cromossomas.
  • 5:04 - 5:05
    Fixe.
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    Observemos com uma versão de telescópio,
  • 5:08 - 5:10
    mas, em vez de usar um telescópio
    vamos usar um microscópio
  • 5:10 - 5:15
    para ampliar a parte inferior
    destes cromossomas, o cromossoma Y.
  • 5:16 - 5:20
    Tem um terço do tamanho do X.
    É recessivo e mutante.
  • 5:20 - 5:22
    Mas, atenção,
  • 5:22 - 5:24
    é um macho.
  • 5:25 - 5:27
    Enquanto observamos tudo isto
  • 5:27 - 5:31
    — isto é uma espécie de mapa de um país —
  • 5:31 - 5:33
    a uma resolução de
    400 pares de bases por nível
  • 5:33 - 5:36
    depois ampliamos para 550,
    e depois ampliamos para 850.
  • 5:36 - 5:40
    Podemos identificar cada vez mais genes,
    à medida que ampliamos.
  • 5:40 - 5:43
    Depois ampliamos para o nível de estado
  • 5:43 - 5:46
    e podemos começar a dizer
    quem tem leucemia,
  • 5:48 - 5:50
    como contraíram a leucemia,
    que tipo de leucemia tem,
  • 5:50 - 5:53
    o que mudou de que lugar
    para qual lugar.
  • 5:53 - 5:56
    Depois aproximamo-nos
    ao nível do Google Street View.
  • 5:57 - 6:00
    Isto é o que acontece
    a quem tem cancro colorretal
  • 6:00 - 6:04
    para um doente muito específico
    na resolução de letra-a-letra.
  • 6:06 - 6:09
    O que fazemos neste processo
    é que recolhemos informações
  • 6:09 - 6:12
    e geramos quantidades
    enormes de informações.
  • 6:12 - 6:15
    Esta é uma das maiores
    bases de dados do planeta
  • 6:15 - 6:19
    e aumenta mais depressa do que conseguimos
    criar computadores para a armazenar.
  • 6:20 - 6:23
    Podemos criar mapas espantosos
    com este material.
  • 6:23 - 6:26
    Queremos compreender a peste
    e porque é que uma peste é bubónica
  • 6:26 - 6:28
    e outra é um tipo diferente de peste
  • 6:28 - 6:30
    e outra é um tipo diferente de peste?
  • 6:30 - 6:32
    Este é um mapa da peste.
  • 6:33 - 6:36
    Algumas são mortais
    para os seres humanos, outras não.
  • 6:36 - 6:39
    A propósito, reparem,
    quando chegamos aqui abaixo,
  • 6:39 - 6:41
    como é que se compara com a tuberculose?
  • 6:42 - 6:45
    Esta é a diferença entre a tuberculose
    e diversos tipos de pestes
  • 6:45 - 6:48
    e podemos fazer de detetives
    com estas informações,
  • 6:48 - 6:51
    porque podemos agarrar
    num tipo muito específico de cólera
  • 6:51 - 6:52
    que afeta o Haiti
  • 6:52 - 6:55
    e podemos ver de que país é proveniente,
  • 6:55 - 6:57
    de que região é proveniente
  • 6:57 - 7:00
    e, provavelmente, qual o soldado
  • 7:00 - 7:02
    que a levou dum país africano
    para o Haiti.
  • 7:05 - 7:07
    Diminuir o "zoom".
  • 7:07 - 7:09
    Não é o mesmo que ampliar.
  • 7:09 - 7:12
    Este é um dos mapas mais fixes
    jamais feito por seres humanos.
  • 7:12 - 7:15
    Agarraram em todas as informações
    genéticas que têm
  • 7:15 - 7:17
    sobre todas as espécies
  • 7:17 - 7:20
    e fizeram uma árvore da vida
    numa só página
  • 7:20 - 7:22
    que podemos ampliar e reduzir.
  • 7:22 - 7:26
    Isto é o que aparece primeiro,
    como se diversificou, como se ramificou,
  • 7:26 - 7:29
    qual a dimensão deste genoma,
    numa só página.
  • 7:30 - 7:32
    É uma espécie do universo
    da vida na Terra
  • 7:32 - 7:35
    e está a ser constantemente
    atualizado e completado.
  • 7:35 - 7:37
    Enquanto olhamos para isto,
  • 7:37 - 7:40
    a mudança importante é que
    a antiga biologia costumava ser reativa.
  • 7:40 - 7:43
    Antigamente havia muitos biólogos
    que tinham microscópios
  • 7:43 - 7:47
    e tinham lupas e observavam
    os animais no terreno.
  • 7:47 - 7:49
    A nova biologia é proativa.
  • 7:49 - 7:53
    Não nos limitamos a observar
    as coisas, fazemos coisas.
  • 7:53 - 7:55
    É uma mudança muito grande
  • 7:55 - 7:58
    porque permite-nos
    fazer coisas como esta.
  • 7:59 - 8:01
    Sei que ficaram entusiasmados
    com esta imagem.
  • 8:01 - 8:02
    (Risos)
  • 8:02 - 8:05
    Só gastámos quatro anos
    e 40 milhões de dólares
  • 8:05 - 8:06
    para conseguirmos esta foto.
  • 8:06 - 8:07
    (Risos)
  • 8:08 - 8:12
    Retirámos todo o
    código genético duma célula
  • 8:13 - 8:17
    — não um gene, nem dois genes,
    mas o código genético total duma célula —
  • 8:18 - 8:20
    criámos um código genético
    totalmente novo,
  • 8:21 - 8:23
    introduzimo-lo na célula
  • 8:23 - 8:25
    imaginámos uma forma de a célula
    executar esse código
  • 8:25 - 8:28
    e criámos uma espécie totalmente nova.
  • 8:29 - 8:32
    Esta é a primeira forma
    de vida totalmente sintética.
  • 8:34 - 8:36
    O que é que fazemos com estas coisas?
  • 8:36 - 8:39
    Estas coisas vão mudar o mundo.
  • 8:39 - 8:42
    Vou dar-vos três tendências
    a curto prazo,
  • 8:42 - 8:44
    em termos de como vai mudar o mundo.
  • 8:44 - 8:48
    A primeira é que vamos assistir
    a uma nova revolução industrial.
  • 8:48 - 8:50
    E estou a dizer isto de forma literal.
  • 8:50 - 8:54
    Tal como a Suíça, a Alemanha
    e o Reino Unido
  • 8:55 - 8:58
    mudaram o mundo com máquinas
    como aquela que vemos neste átrio,
  • 9:00 - 9:01
    criando energia
  • 9:01 - 9:04
    — da mesma maneira que o CERN
    está a mudar o mundo,
  • 9:04 - 9:07
    usando novos instrumentos
    e o nosso conceito do universo —
  • 9:08 - 9:11
    as formas de vida programáveis
    também vão mudar o mundo
  • 9:12 - 9:14
    porque, quando conseguirmos
    programar células
  • 9:14 - 9:17
    da mesma forma que programamos
    um "chip" de computador,
  • 9:18 - 9:20
    podemos fazer quase tudo.
  • 9:20 - 9:22
    Um "chip" de computador
  • 9:22 - 9:25
    pode produzir fotografias,
    pode produzir música, filmes
  • 9:25 - 9:28
    pode produzir cartas de amor,
    pode produzir folhas de cálculo.
  • 9:28 - 9:30
    São apenas uns e zeros
    a esvoaçar por aí.
  • 9:31 - 9:34
    Se pudermos enfiar ATCG nas células,
  • 9:34 - 9:37
    esse "software"
    faz o seu próprio "hardware",
  • 9:37 - 9:40
    o que significa que se reproduz
    muito rapidamente.
  • 9:40 - 9:42
    Aconteça o que acontecer,
  • 9:42 - 9:45
    se deixarmos o telemóvel
    na mesinha de cabeceira,
  • 9:45 - 9:47
    não teremos mil milhões
    de telemóveis no dia seguinte.
  • 9:47 - 9:52
    Mas, se fizermos isso
    com organismos vivos,
  • 9:53 - 9:56
    podemos fabricá-los a uma escala enorme.
  • 9:57 - 10:00
    Uma das coisas que podemos fazer
    é começarmos a produzir
  • 10:00 - 10:03
    combustíveis quase isentos de carbono
  • 10:03 - 10:05
    a uma escala comercial em 2025,
  • 10:06 - 10:08
    o que estamos a fazer com a Exxon.
  • 10:09 - 10:12
    Mas também podemos arranjar
    substitutos para terras agrícolas.
  • 10:12 - 10:16
    Em vez de termos 100 hectares
    para fazer óleos ou proteínas,
  • 10:16 - 10:18
    podemos fazê-los nestes tanques
  • 10:18 - 10:21
    com 10 ou 100 vezes
    mais produtividade por hectare.
  • 10:21 - 10:25
    Ou podemos armazenar informações,
    ou podemos fazer todas as vacinas do mundo
  • 10:25 - 10:27
    nestes três tanques.
  • 10:27 - 10:30
    Ou podemos armazenar
    a maior parte da informação do CERN,
  • 10:30 - 10:32
    nestes três tanques.
  • 10:32 - 10:36
    O ADN é um instrumento de armazenagem
    de informações muito poderoso.
  • 10:37 - 10:38
    Segunda tendência:
  • 10:38 - 10:41
    Começamos a ver
    o aumento da biologia teórica.
  • 10:42 - 10:44
    Os departamentos da escola de medicina
  • 10:45 - 10:47
    são um dos locais
    mais conservadores do planeta.
  • 10:47 - 10:49
    A forma como ensinam anatomia
  • 10:49 - 10:52
    é semelhante à forma como ensinavam
    anatomia, há cem anos.
  • 10:52 - 10:54
    "Bem-vindo, aluno.
    Este é o vosso cadáver."
  • 10:54 - 10:57
    Uma das coisas em que as escolas
    de medicina não são boas
  • 10:57 - 10:58
    é em criar novos departamentos,
  • 10:58 - 11:00
    razão por que isto é tão invulgar.
  • 11:00 - 11:04
    Isaac Kohane criou agora um departamento
  • 11:04 - 11:07
    baseado na informática,
    dados e conhecimento
  • 11:07 - 11:09
    na Escola de Medicina de Harvard.
  • 11:09 - 11:12
    Em certo sentido, o que está a acontecer
  • 11:12 - 11:14
    é que a biologia está a começar
    a ter dados suficientes
  • 11:14 - 11:17
    para poder começar a seguir
    os passos da física
  • 11:17 - 11:20
    que era a física da observação
  • 11:20 - 11:22
    e os físicos da experimentação,
  • 11:23 - 11:25
    e começou a criar a biologia teórica.
  • 11:25 - 11:27
    É isto que vamos começar a ver
  • 11:27 - 11:29
    porque temos imensos registos médicos,
  • 11:29 - 11:31
    temos imensos dados sobre pessoas,
  • 11:31 - 11:33
    temos os seus genomas,
    temos os seus viromas,
  • 11:33 - 11:35
    temos os seus microbiomas.
  • 11:35 - 11:37
    À medida que esta informação se acumula,
  • 11:37 - 11:39
    podemos começar a fazer previsões.
  • 11:40 - 11:44
    A terceira coisa que está a acontecer
    é que isto está a chegar ao consumidor.
  • 11:46 - 11:49
    Todos podemos obter
    a sequenciação dos nossos genes
  • 11:50 - 11:52
    e isso está a começar a criar
    empresas como a 23andMe,
  • 11:52 - 11:55
    e as empresas como a 23andMe
    vão passar a dar-nos
  • 11:55 - 11:56
    cada vez mais dados,
  • 11:56 - 11:58
    não apenas sobre os nossos parentes,
  • 11:59 - 12:00
    mas sobre nós e o nosso corpo
  • 12:00 - 12:01
    e vão comparar as coisas
  • 12:01 - 12:03
    e vão fazer comparações ao longo do tempo
  • 12:03 - 12:05
    e tudo isso vai constituir
    enormes bases de dados.
  • 12:06 - 12:09
    Mas também vai começar a afetar
    uma série de outras atividades
  • 12:09 - 12:11
    de modos inesperados.
  • 12:12 - 12:14
    Normalmente, quando anunciamos uma coisa,
  • 12:14 - 12:19
    não queremos que o consumidor leve
    o nosso anúncio para a casa de banho
  • 12:19 - 12:21
    e urine em cima dele.
  • 12:22 - 12:24
    A não ser que sejamos o IKEA.
  • 12:25 - 12:29
    Porque, quando vocês rasgam isto
    duma revista e urinam em cima dele,
  • 12:29 - 12:31
    se ficar azul é porque estão grávidas.
  • 12:31 - 12:32
    (Risos)
  • 12:32 - 12:36
    E dão-vos um desconto na compra do berço.
  • 12:36 - 12:37
    (Risos)
  • 12:37 - 12:39
    Quando vejo o poder do consumidor
  • 12:39 - 12:42
    que está a ir para além da biotecnologia,
  • 12:42 - 12:45
    é mesmo isto que eu quero dizer.
  • 12:46 - 12:50
    Agora estamos a começar a produzir,
    na Synthetic Genomics,
  • 12:51 - 12:53
    impressoras de secretária
  • 12:53 - 12:57
    que nos permitem conceber uma célula,
  • 12:57 - 12:58
    imprimir uma célula,
  • 12:58 - 13:00
    executar o programa na célula.
  • 13:01 - 13:03
    Já podemos imprimir vacinas
  • 13:03 - 13:07
    em tempo real, tal como
    um avião descola antes de aterrar.
  • 13:08 - 13:11
    Vamos exportar 78 máquinas
    destas, este ano.
  • 13:12 - 13:17
    Isto não é biologia teórica,
    é biologia de impressão.
  • 13:18 - 13:21
    Vou falar-vos de duas tendências
    a longo prazo
  • 13:21 - 13:25
    que virão ter connosco
    num prazo mais longo.
  • 13:26 - 13:29
    A primeira é que vamos começar
    a redesenhar espécies.
  • 13:29 - 13:31
    Já ouviram falar nisso, não é?
  • 13:31 - 13:34
    Vamos redesenhar árvores,
    vamos redesenhar flores,
  • 13:34 - 13:36
    vamos redesenhar iogurte,
  • 13:37 - 13:39
    queijo, tudo o que quisermos.
  • 13:40 - 13:42
    Isso coloca-nos uma pergunta interessante:
  • 13:43 - 13:46
    Como e quando vamos
    redesenhar seres humanos?
  • 13:48 - 13:49
    Muitos de nós pensam:
  • 13:49 - 13:52
    "Não, não queremos
    redesenhar seres humanos."
  • 13:52 - 13:55
    A não ser, claro, que o nosso filho
    tenha um gene de Huntington
  • 13:55 - 13:57
    e esteja condenado à morte.
  • 13:57 - 14:01
    Ou a não ser que transmitamos
    um gene de fibrose cística,
  • 14:01 - 14:03
    situação em que não só
    nos queremos redesenhar
  • 14:03 - 14:06
    como queremos redesenhar
    os nossos filhos e netos.
  • 14:07 - 14:10
    Estes são debates complicados
    e vão acontecer em tempo real.
  • 14:11 - 14:13
    Vou dar-vos um exemplo atual.
  • 14:14 - 14:17
    Um dos debates a decorrer atualmente
    nas academias nacionais
  • 14:18 - 14:23
    é sobre ter o poder de pôr
    um gene mutante em mosquitos
  • 14:23 - 14:26
    que mate todos os mosquitos
    transmissores da malária.
  • 14:29 - 14:31
    Umas pessoas dizem:
  • 14:31 - 14:35
    "Isso vai afetar o ambiente
    de forma radical. É melhor não o fazer."
  • 14:35 - 14:37
    Outras pessoas dizem:
  • 14:37 - 14:40
    "Isto mata milhões de pessoas por ano.
  • 14:40 - 14:41
    "Quem são vocês para me dizerem
  • 14:41 - 14:44
    "que não posso salvar
    as crianças do meu país?"
  • 14:45 - 14:47
    Porque é que este debate
    é tão complicado?
  • 14:47 - 14:49
    Porque, se lançarmos esse gene
  • 14:49 - 14:51
    no Brasil ou no sul da Flórida
  • 14:51 - 14:53
    — os mosquitos não respeitam fronteiras —
  • 14:53 - 14:56
    estamos a tomar uma decisão
    para o mundo
  • 14:56 - 14:58
    quando pomos no ar uma mutação genética.
  • 15:02 - 15:05
    Este homem notável ganhou um Prémio Nobel
  • 15:05 - 15:07
    e, depois de ganhar o Prémio Nobel,
  • 15:07 - 15:09
    tem-se preocupado
  • 15:10 - 15:12
    sobre como é que a vida começou
    neste planeta
  • 15:12 - 15:15
    e qual a probabilidade
    de ela existir noutros locais?
  • 15:15 - 15:18
    Por isso, tem contactado
    com os seus alunos universitários
  • 15:18 - 15:21
    e diz aos seus alunos universitários:
  • 15:21 - 15:24
    "Criem vida mas não usem
    nenhuns instrumentos químicos modernos.
  • 15:24 - 15:27
    "Criem coisas que havia aqui
    há 3000 milhões de anos.
  • 15:27 - 15:30
    "Não podem usar 'lasers'.
    Não podem usar isto, nem usar aquilo."
  • 15:32 - 15:36
    Deu-me um frasquinho do que
    criou há umas três semanas.
  • 15:37 - 15:38
    O que é que ele criou?
  • 15:38 - 15:42
    Basicamente, criou o que parecem ser
    bolhas de sabão, feitas de lípidos.
  • 15:42 - 15:45
    Criou um precursor do ARN.
  • 15:45 - 15:49
    Fez com que esse percursor do ARN
    fosse absorvido pela célula
  • 15:50 - 15:53
    e depois as células dividiram-se.
  • 15:54 - 15:56
    Podemos não estar assim tão longe
  • 15:58 - 16:01
    — uma década, talvez duas décadas —
  • 16:01 - 16:03
    de gerar vida a partir do zero
  • 16:04 - 16:06
    de proto-comunidades.
  • 16:08 - 16:09
    Segunda tendência a longo prazo:
  • 16:10 - 16:14
    temos estado a viver numa época digital
  • 16:14 - 16:16
    — estamos a começar a viver
    a era do genoma,
  • 16:16 - 16:20
    da biologia e do CRISPR
    e da biologia sintética —
  • 16:21 - 16:24
    e tudo isso vai fundir-se
    na era do cérebro.
  • 16:25 - 16:26
    Estamos a chegar ao ponto
  • 16:26 - 16:29
    em que podemos recriar
    muitas partes do nosso corpo
  • 16:29 - 16:33
    da mesma forma que, se partirmos um osso
    e queimarmos a pele, eles regeneram.
  • 16:33 - 16:35
    Estamos a começar a aprender
    como regenerar traqueias
  • 16:35 - 16:37
    ou como regenerar bexigas.
  • 16:37 - 16:40
    Estas coisas já foram
    implantadas em seres humanos.
  • 16:40 - 16:43
    Tony Atala está a trabalhar
    em 32 órgãos diferentes.
  • 16:43 - 16:46
    Mas o cerne da questão vai ser isto,
  • 16:46 - 16:49
    porque nós somos cérebro
    e o resto é só embalagem.
  • 16:50 - 16:54
    Ninguém vai viver para além
    dos 120, 130, 140 anos,
  • 16:54 - 16:55
    a não ser que corrijamos isto.
  • 16:56 - 16:58
    Este é o desafio mais interessante.
  • 16:58 - 17:00
    É a próxima fronteira, juntamente com:
  • 17:00 - 17:03
    "Até que ponto a vida
    é vulgar no universo?"
  • 17:03 - 17:05
    "De onde viemos?"
  • 17:05 - 17:07
    e perguntas como estas.
  • 17:08 - 17:11
    Vou terminar com uma citação
    apócrifa de Einstein.
  • 17:12 - 17:14
    [Podemos viver como
    se tudo fosse um milagre,
  • 17:14 - 17:16
    [ou podemos viver como
    se nada fosse um milagre.]
  • 17:16 - 17:18
    A escolha é vossa.
  • 17:19 - 17:21
    Podemos focar-nos no mau,
    podemos focar-nos no assustador
  • 17:21 - 17:24
    e, certamente, há muitas coisas
    assustadoras nisto tudo.
  • 17:24 - 17:28
    Mas usem só 10% do cérebro
    para se focarem nisso,
  • 17:28 - 17:30
    ou talvez 20%, ou talvez 30%.
  • 17:31 - 17:33
    Mas lembrem-se,
  • 17:33 - 17:36
    vivemos de facto numa era
    de milagre e maravilha.
  • 17:36 - 17:40
    Temos a sorte de estarmos vivos hoje.
    Temos a sorte de ver estas coisas,
  • 17:40 - 17:42
    Temos a sorte de poder interagir
    com pessoas
  • 17:42 - 17:45
    como as pessoas que estão a criar
    todas as coisas nesta sala.
  • 17:45 - 17:49
    Por isso, obrigado a todos
    por tudo aquilo que fazem.
  • 17:49 - 17:52
    (Aplausos)
Titel:
A era da maravilha da genética
Sprecher:
Juan Enriquez
Beschreibung:

Instrumentos de alteração de genes, como o CRISPR, permitem-nos programar a vida ao nível mais fundamental. Mas isso coloca algumas questões prementes. Se pudermos gerar novas espécies a partir do zero, o que é que devemos criar? Devemos redesenhar a humanidade tal como a conhecemos? Juan Henriquez prevê os possíveis futuros da alteração genética, explorando a enorme incerteza e oportunidade desta nova fronteira.

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English
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TEDTalks
Duration:
18:05
Margarida Ferreira approved Portugiesisch subtitles for The age of genetic wonder
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  • Gostava de editar estas legendas.
    A última edição foi já há bastante tempo.

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