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← Estaremos nós a viver numa simulação? — Zohreh Davoudi

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Zeige Revision 6 erzeugt am 08/12/2020 von Margarida Ferreira.

  1. Vivemos num amplo universo,
    num pequeno planeta com água,
  2. onde, há milhares de milhões de anos,
  3. formas de vida unicelulares
    evoluíram a partir dos mesmos elementos
  4. que constituíam todo o material
    não-vivo à sua volta,
  5. proliferando e dando origem a um leque
    incrível de formas de vida complexas.
  6. Tudo o que existe — vivo ou inanimado,
    microscópico ou cósmico —
  7. é regido por leis matemáticas
    com constantes aparentemente arbitrárias.
  8. O que nos leva à questão:
  9. Se o universo é regido
    na sua totalidade por estas leis,
  10. um computador suficientemente potente
    será capaz de o simular na perfeição?
  11. Será que a nossa realidade não passa
    de uma simulação sobejamente detalhada

  12. posta em marcha por uma civilização
    muito mais avançada?
  13. Pode soar-nos a ficção científica,
  14. mas esta ideia tem sido
    um sério objeto de estudo.
  15. O filósofo Nick Bostrom propôs
    um argumento convincente
  16. de que estamos provavelmente
    a viver numa simulação,
  17. e há cientistas que também
    acreditam nesta possibilidade.
  18. Eles têm vindo a ponderar
    em levar a cabo testes experimentais
  19. para averiguar se o nosso universo
    é uma simulação.
  20. Estão a formular hipóteses quanto
    às possíveis limitações desta simulação,
  21. e como estas se podem traduzir
    em sinais detetáveis pelo mundo.

  22. Então, onde podemos procurar
    estes "erros"?
  23. Uma das hipóteses sugere
    que, durante a simulação,
  24. vão-se acumulados erros
    ao longo do tempo.
  25. Para corrigir esses erros,
  26. os simuladores podem ir ajustando
    as constantes nas leis da Natureza.
  27. Estes ajustes podem ser minúsculos
    como, por exemplo,
  28. certas constantes que temos vindo a medir
    com precisão de partes por milhão
  29. têm-se mantido estáveis
    durante décadas,
  30. pelo que qualquer alteração terá
    de ocorrer a uma escala ainda menor
  31. Mas à medida que a precisão das medições
    dessas constantes aumenta,

  32. poderemos detetar ligeiras alterações
    ao longo do tempo.
  33. Outro local possível para procurar provém
    da noção que o poder computacional finito,
  34. por maior que seja,
    não consegue simular infinitos.
  35. Se o espaço e o tempo forem contínuos,
  36. então até a mais minúscula porção
    do universo contém infinitos pontos,
  37. tornando-se impossível a sua simulação
    a partir do poder computacional finito.
  38. Assim, uma simulação teria de representar
    o espaço e o tempo em ínfimos pedaços.
  39. Estes seriam quase
    incompreensivelmente minúsculos.
  40. Mas talvez seja possível procurá-los
  41. ao utilizar certas partículas
    subatómicas como sondas.
  42. O princípio básico é este:
    quanto mais pequena for uma coisa,
  43. mais sensível ela será
    a uma perturbação.
  44. Pensem em passar por cima de um buraco
    com um "skate" ou com um camião.
  45. Qualquer unidade no espaço-tempo
    seria tão pequena
  46. que a maioria das coisas viajaria por ela
    sem perturbações,
  47. não só objetos suficientemente grandes
    para serem visíveis a olho nu,
  48. mas também moléculas,
    átomos e até eletrões

  49. e a maioria das outras partículas
    subatómicas já descobertas.
  50. A descoberta de uma partícula
    minúscula no espaço-tempo
  51. ou uma constante ajustável
    numa lei natural,
  52. seria a prova de que o universo
    é uma simulação?
  53. Não. Seria apenas o primeiro
    de muitos passos.
  54. Pode haver outras razões
    para cada uma dessas descobertas.
  55. E seriam necessárias muito mais provas
    para estabelecer a hipótese da simulação

  56. como uma teoria preliminar da Natureza.
  57. Por mais testes que sejam criados,
  58. estamos limitados por algumas hipóteses
    comuns a todos eles.
  59. A nossa atual perceção
    do mundo natural a um nível quântico
  60. decompõe-se em algo conhecido
    como escala de Planck.
  61. Se a unidade do espaço-tempo
    pertencer a esta escala,
  62. não a conseguiríamos observar
    com o nosso conhecimento científico atual.
  63. Há ainda uma vasta gama de coisas
  64. que são mais pequenas do que é
    atualmente observável,

  65. mas maiores do que a escala
    de Planck, para investigar.
  66. Do mesmo modo, ajustes nas constantes
    da lei natural ocorreriam tão lentamente
  67. que apenas seriam observáveis
    ao longo da vida do universo.
  68. Por isso, podem existir
    mesmo se não as detetarmos
  69. durante centenas ou milhares
    de medições.
  70. Somos também parciais ao pensar que
    o simulador do nosso universo, se existir,
  71. faz cálculos da mesma forma que nós,
  72. com limitações computacionais semelhantes.
  73. Na verdade, não temos forma de saber
  74. quais seriam as restrições e métodos
    de uma civilização alienígena,

  75. mas temos de começar por algum lado.
  76. Poderá nunca ser possível provar,
    de modo conclusivo,
  77. que o universo é, ou não, uma simulação,
  78. mas estaremos sempre
    a impulsionar a ciência e a tecnologia
  79. atrás desta pergunta:
  80. Qual é a natureza da realidade?