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← Como a leitura afeta a criatividade e o pensamento crítico | Hana Saleh | TEDxMisurata

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10 Sprachen

Zeige Revision 11 erzeugt am 05/02/2019 von Claudia Sander.

  1. (Árabe) A paz esteja com vocês.
  2. Plateia: (Árabe) A paz esteja com você.
  3. Hana Saleh Eu tinha 17 anos,
  4. quando finalmente voltei à Líbia
    de forma definitiva.
  5. Tendo crescido na Suíça,
  6. achava que a pior coisa, a coisa mais
    desafiadora, quando eu era criança,
  7. era soletrar a palavra "Switzerland".
  8. Mesmo hoje, décadas depois,
    já como professora assistente,
  9. ainda odeio escrever essa palavra.
  10. No celular, inseri atalhos
    para essa palavra,
  11. usando a transliteração inglesa "Sweesra",
    que é a versão em árabe,
  12. para que escrevesse automaticamente.
  13. Que alívio! Obrigada à tecnologia.
  14. Existem tantas palavras assustadoras
    em quase todos os idiomas,
  15. seja pela pronúncia
    ou pelo próprio significado,
  16. mas não há desculpas para não aprendê-las.
  17. Dizem que a vida é uma escola,
  18. e há vários elementos
  19. que ajudam na formação do conhecimento.
  20. No início da vida, aprendemos
    com nossos pais,
  21. mas por causa de certas razões mundanas,
    eles não podem ensinar tudo.
  22. Talvez por isso tenhamos que ir à escola,
  23. para aprender com outros indivíduos,
    especializados em suas áreas.
  24. Assim, nossas capacidades
    linguísticas são estabelecidas,
  25. através da absorção de palavras
    que vêm dos materiais didáticos
  26. e saem das bocas dos nossos professores.
  27. Com as palavras que falamos,
  28. através da comunicação, nos expressamos
    e nos comunicamos uns com os outros.
  29. Porém, nem todos têm o dom do discurso.
  30. Eu particularmente não sou muito falante,
  31. sobretudo quando se trata de expressar
    meus pensamentos e emoções íntimos.
  32. Quando criança, eu era muito tímida,
    especialmente com estranhos,
  33. e logo encontrei conforto na escrita.
  34. No final do ensino fundamental,
  35. escrevi uma pequena composição
    sobre minha infância,
  36. e no final do dia,
  37. descobri que meu professor leu isso
    para quase metade da escola.
  38. Um tempo depois, ele me falou
  39. que minha carreira teria certamente
    algo a ver com a escrita,
  40. e ainda naquela época, tive um bom
    pressentimento que seria assim.
  41. No ensino médio, comecei
    a ler romances completos.
  42. Meu primeiro romance clássico
    foi escrito por Louisa May Alcott,
  43. "Mulherzinhas".
  44. Depois vieram trabalhos contemporâneos
    como os de Mills & Boon.
  45. Quando tinha 14 anos, fiquei obcecada
    por histórias em quadrinhos,
  46. como qualquer outro adolescente.
  47. Costumava ler Nabil Farouk.
  48. Ele é o autor de "Adham Sabri:
    The Man of the Impossible."
  49. Costumava ler também
    os quadrinhos da Archie Comics.
  50. Inspirei-me na personagem de Betty Cooper
    para escrever diários,
  51. e faço isso até hoje.
  52. Quando comecei a universidade,
  53. descobri que, de alguma forma,
    minhas técnicas de escrita enferrujaram,
  54. especificamente na organização,
  55. estruturação das sentenças e no foco.
  56. Até esse ponto, achava
    que tinha sido uma ávida leitora,
  57. e isso não seria um problema para mim.
  58. Porém, isso me estimulou a mudar
    minha abordagem em relação à leitura.
  59. Comecei a ler como estudante,
  60. ou seja, não apenas por prazer,
  61. mas também aprendendo
    os truques do ofício com os mestres.
  62. Através do incentivo dos meus colegas
    e da minha mentora, Sra. Sabah Kareem,
  63. Deus abençoe sua alma,
  64. decidi fazer meu mestrado em Letras,
  65. e no final de 2010,
  66. recebi meu certificado em Letras
    por desempenho e publicação
  67. da Universidade de Leeds.
  68. Tive a maior chance de todas lá,
  69. de explorar minhas habilidades
    com a escrita de contos,
  70. assim como escrevendo
    para o teatro e cinema.
  71. A escrita criativa honra a imaginação,
  72. então, por que parece ser
    uma área ou zona isolada
  73. que raramente investigamos a fundo
  74. para lhe dar espaço
    para prosperar e florescer?
  75. Permitam-me falar de minha experiência
    ensinando escrita criativa na Líbia.
  76. E digo Líbia como um todo,
  77. porque acredito que é um tema presente
    em quase todas as regiões da Líbia:
  78. o problema de aprender uma língua
    estrangeira e de realmente usá-la.
  79. No início de 2010,
  80. pouco depois de voltar do Reino Unido,
  81. inseri escrita criativa pela primeira vez
    na Universidade de Misurata.
  82. Estava tão entusiasmada com tudo,
  83. mas os estudantes aparentemente não.
  84. Apenas um estudante
    se matriculou naquele semestre.
  85. E, por isso, o curso foi cancelado.
  86. Contudo, o próximo semestre
    foi mais promissor.
  87. Consegui 11 estudantes, nada mau,
  88. depois vieram 50,
  89. e, então, incríveis 80 alunos
    em um semestre.
  90. Agora, para a escrita criativa,
    o número de alunos pode ser um problema,
  91. sobretudo quando estão amontoados
    em uma sala com 35 alunos ou mais.
  92. Mas a maior dificuldade, no entanto,
    é quando você percebe
  93. que eles não estão aprendendo.
  94. Como é isso?
  95. Independentemente das várias vezes
    em que eles vêm a mim
  96. e falam abertamente: "Odiamos escrever",
  97. considero que as principais razões,
    subjacentes a esse ódio,
  98. na opinião deles, sejam:
  99. "Eu não sei como escrever"
  100. e "Por que eu deveria?
    Não tenho que fazer isso".
  101. Temos então: "Como escrever?"
    versus "Por que escrever?"
  102. Agora, em relação a primeira pergunta,
    não irei falar sobre analfabetismo,
  103. porque, de fato,
  104. qualquer um que passou por um considerável
    período de escolarização
  105. saberá com certeza como escrever.
  106. Através da escrita criativa, estou lidando
    com a escritura de contos.
  107. Posto isso, é preciso estar
    munido de ideias.
  108. Normalmente, ideias surgem da inspiração,
  109. e parece que o que trava meus estudantes
    é a inspiração limitada.
  110. Eles se confinaram ou se restringiram
  111. a uma quantidade bastante limitada
  112. de tópicos e temas
  113. sem mencionar uma lista de palavras
    inadequadas usadas por eles.
  114. Agora, sinceramente,
  115. não sou muito talentosa
    para criar ou conduzir pesquisas,
  116. mas de acordo com minha experiência
    ensinando escrita criativa por três anos,
  117. penso que os temas e tópicos
    mais dominantes que encontrei são...
  118. Temos cinco categorias.
  119. Começamos pelo tema pobreza.
  120. O tema é um meio de, na verdade,
    levar o personagem principal
  121. a trabalhar em funções sem prestígio.
  122. Por exemplo, ele trabalha em uma cozinha,
  123. ou ele trabalha com diarista,
  124. ou, até mesmo, ele virou um criminoso.
  125. O segundo tema, que, a propósito,
    é bastante popular entre as garotas,
  126. é o casamento.
  127. A personagem principal tem
    que deixar aquele que ela ama
  128. para casar-se com outra pessoa, sabe,
  129. que é mais rico ou tem mais
    influência na sociedade.
  130. Câncer parece ser o tópico
    preferido entre as doenças.
  131. Sempre que têm uma chance,
  132. eles falam sobre alguém
    que ficou doente e depois morreu.
  133. Essa é a maneira mais fácil de se começar
    a falar sobre a morte.
  134. Depois vem acidentes de carro.
  135. Esse é meio surpreendente para mim,
  136. porque todas as vezes
    que eles querem matar os pais,
  137. imaginam eles em um acidente de carro.
  138. Disputas sociais, ou seja,
    herança é um tema comum,
  139. sabe, sempre o tio malvado.
  140. Também o triângulo amoroso
    que acontece na escola.
  141. Bem, alguns de vocês podem pensar,
    de fato, que isso é bom,
  142. devido ao histórico dos estudantes.
  143. De fato, é,
  144. porque as pessoas tendem a escrever
    sobre aquilo que conhecem muito bem.
  145. Mas o problema é quando elas têm
    que escrever histórias
  146. que acreditam ser o que as outras
    pessoas esperam delas.
  147. É aí que a limitação repousa.
  148. Agora, imagine, voltando o slide,
  149. imagine que essas cinco colunas
    são a estrutura de nossa cultura,
  150. incrivelmente limitadas
  151. e, ao mesmo tempo, muito cansativas
  152. quando você se submete
    a isso todo semestre.
  153. Houve um semestre em que eu decidi
    anunciar aos meus alunos:
  154. "Por favor, não matem os pais
    em acidentes de carro.
  155. Se não querem que eles na história,
    mantenham-nos em casa sãos e salvos,
  156. e comecem a falar de algo
    que valha a pena".
  157. Precisamos pensar além
    desses padrões culturais.
  158. Um colega meu uma vez me disse:
  159. "Estamos lidando com estudantes
    que não experimentaram a vida".
  160. E ele está correto.
  161. Como podemos esperar
    criatividade dos estudantes,
  162. cuja experiência contempla
    três dos cinco tópicos que eu citei?
  163. É esse o momento em que temos
    que por um livro nas mãos deles.
  164. A leitura não só faz de você
    um escritor melhor.
  165. Ao viver a vida de personagens fictícios,
  166. aprendemos como eles lidam
    com circunstâncias atípicas
  167. e aprendemos através de seus erros.
  168. Podemos mergulhar em culturas diversas,
    de qualquer parte do mundo,
  169. e sem precisar sair do lugar,
  170. expandimos nossas mentes
    de forma exponencial
  171. e estamos praticamente
    prontos para o extraordinário.
  172. Assim, voltando àqueles padrões culturais,
  173. e supondo que temos estudantes
  174. que já leram livros que falam
    sobre esses temas e tópicos,
  175. quais são as possibilidades?
  176. Quais são as possibilidades criativas
    que eles serão capazes de apresentar?
  177. Então, temos os cinco tópicos
    que eu mencionei mais cedo,
  178. esses cinco tópicos
    que parecem se repetir tanto,
  179. e exemplos de romances
    que lidam com esses temas.
  180. "Jogos Vorazes" é um ótimo exemplo
    que trata do assunto pobreza,
  181. escrito por Suzanne Collins.
  182. A personagem principal é forçada
    a entrar em um torneio
  183. em que os participantes matam
    uns aos outros para ganhar.
  184. Essa é uma ideia.
  185. O segundo,
  186. "Orgulho e Preconceito", de Jane Austen.
  187. Esse é um romance escrito
    há quase 200 anos,
  188. dois séculos atrás.
  189. O que faz ele durar tanto
    e ainda ser lido,
  190. me refiro ao enredo sobre casamento,
  191. é porque a personagem
    principal, Elizabeth Bennet,
  192. se opõe aos padrões sociais.
  193. Imaginem isso acontecendo naquele tempo.
  194. "Uma Prova de Amor", de Jodi Picoult,
  195. traz temas brilhantes,
    fala de problemas de saúde.
  196. Há mais de um problema
    de saúde, além do câncer.
  197. Temos a leucemia mieloide aguda,
  198. que é câncer de sangue e medula óssea,
  199. há também abuso de drogas nesse romance,
    assim como um caso de epilepsia.
  200. Não vou falar do acidente de carro.
    Por favor, não matem os pais.
  201. Então, adentrando ao último tema,
    disputas sociais,
  202. "In the Country of Men",
    escrito por Hisham Matar,
  203. é uma história que se passa
    em um caos político
  204. que, com efeito, afetou a vida cotidiana,
  205. como resultado do que aconteceu
    na Líbia na década de 70.
  206. Então, antes de avançarmos,
  207. gostaria de creditar rapidamente alguns
    dos trabalhos anteriores de meus alunos,
  208. que conseguiram produzir histórias
    extremamente criativas.
  209. Um deles escreveu sobre um norte-americano
    que se converteu ao islamismo
  210. após viver com um grupo
    de tuaregues na Líbia.
  211. Um segundo bom exemplo é
    de um aluno que escreveu
  212. sobre a luta de um homem que tenta fugir
    da guerra civil de Ruanda nos anos 90.
  213. O terceiro exemplo que gostaria
    de apresentar a vocês
  214. é sobre um ser nascido da névoa
  215. que é o último do seu tipo,
  216. o único capaz de resistir diante do mal.
  217. A propósito, foi escrito pelo tradutor
    que está traduzindo para vocês.
  218. Então, voltando às questões:
  219. como escrevo após fazer essas leituras,
  220. após expandir minha mente?
  221. Bem, é claro
  222. que precisa começar lendo livros
    nos quais tenha interesse
  223. e de autores que...
  224. cujo estilo de escrita lhe atraia.
  225. É assim que você começa
    a deslizar a caneta no papel.
  226. Você faz um esboço,
  227. depois um rascunho,
  228. reorganiza, talvez, umas 100 vezes,
  229. e aí está pronto.
  230. A segunda questão é por que devo escrever?
  231. Na verdade, você não é obrigado a escrever
  232. exceto se for um dos meus alunos,
    aí você tem que escrever.
  233. Contar histórias é uma arte,
  234. ajuda-o a traduzir
    os pensamentos mais íntimos
  235. e até a sua filosofia de vida.
  236. Na verdade, é por isso
    que as pessoas apreciam a leitura.
  237. Existe uma literatura
    que precisa ser transmitida,
  238. coexistindo e se entrelaçando
    através de gerações.
  239. Gostaria de concluir
    com uma citação de Elif Shafak,
  240. o autor de "The Forty Rules of Love".
  241. Certo.
  242. "Conectar pessoas a terras,
    países e culturas distantes
  243. não é uma das maiores virtudes
    da boa literatura?
  244. Realmente é.
  245. Então, permita-se pensar fora da caixa.
  246. Obrigada.
  247. (Aplausos)