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← Deixem de tornar famosos os atiradores em massa

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Zeige Revision 18 erzeugt am 08/12/2020 von Margarida Ferreira.

  1. O pior pesadelo de quaisquer pais:
  2. 20 de julho de 2012,
  3. o meu telemóvel toca às 4:30 da manhã.
  4. É Amanda, a namorada do meu filho Alex,
  5. dizendo histericamente:
  6. "Tom, Tom, houve um tiroteio,
  7. "e obrigaram-me a sair do cinema.
  8. "Eles não me deixaram ficar
  9. "Eu queria ficar, mas eles
    arrastaram-me lá para fora."
  10. Eu disse à Amanda:
  11. "Amanda, estás bem? Estás ferida?"
  12. E ela disse que não, que estava bem,
  13. que o Alex lhe tinha salvado a vida.
  14. Então eu disse:
  15. "Amanda, onde está o Alex?"
  16. E ela disse, a soluçar:
  17. "Não sei, não conseguimos encontrá-lo.
  18. "Arrastaram-me para fora do cinema.
  19. "Obrigaram-me a sair.
  20. "Ele levou um tiro.
  21. "Eu tentei acordá-lo mas não consegui.
  22. "Ele não se levantava.
  23. "Arrastaram-me para fora.
    Eu não queria deixá-lo."
  24. E eu disse à Amanda:
  25. "A última vez que viste o Alex,
  26. "ele estava a sangrar?
  27. "Tinhas o sangue dele em cima de ti?"
  28. E ela, a chorar: "Sim, muito."
  29. e foi-se abaixo.
  30. Alex amava Amanda.

  31. Era um dos homens mais nobres do planeta
  32. e, aos 24 anos,
  33. teve de tomar a decisão
    de arriscar a vida
  34. para garantir que ela viveria.
  35. Eu sabia no meu coração
    que, se ele não se conseguira levantar,
  36. era porque estava morto.
  37. Eu tinha acabado de chegar

  38. na noite anterior
  39. com a minha mulher Caren
  40. e o meu filho mais novo
  41. para umas férias de uma semana em Havai.
  42. Nós estávamos, literalmente,
  43. a 5300 quilómetros de distância.
  44. Caren e eu começámos freneticamente
    a ligar para o telemóvel dele,
  45. mas sem qualquer efeito.
  46. Deixámos múltiplas mensagens.
  47. Então, recorremos aos "media".
  48. A única coisa que encontrámos
  49. foi informações sobre o assassino
  50. e o seu apartamento armadilhado.
  51. Tentámos ligar para
    o posto da polícia em Aurora,

  52. mas foi impossível obter uma resposta.
  53. Em retrospetiva, era compreensível.
  54. Eles estavam a lidar
  55. com 12 mortos, 70 feridos,
  56. um massacre tão mau
  57. que a polícia teve de levar
    algumas das vítimas para os hospitais
  58. no banco de trás dos seus carros,
  59. porque já não havia ambulâncias.
  60. Era uma cena apavorante e caótica.
  61. Nunca mais veríamos o Alex,

  62. tinha ferimentos tão graves
  63. que tive de impedir que a mãe o visse,
  64. com medo de que isso fosse
    a última imagem dele na mente dela.
  65. Mas sabem quem veríamos repetidamente?

  66. O assassino.
  67. As fotos dele estavam em todo a parte.
  68. Um artigo tinha só seis parágrafos
  69. e mencionava o nome dele 41 vezes.
  70. Os "media" tornaram-no famoso.
  71. Mas o meu filho primogénito, Alex,
  72. um herói,
  73. estava ausente dessas
    reportagens iniciais.
  74. Caren e eu percebemos imediatamente
    que havia algo de errado

  75. com a forma como os "media"
    respondem a estes massacres
  76. desde Columbine.
  77. Começámos a indagar,
  78. e percebemos
  79. que, se conseguíssemos mudar
  80. a forma como os "media" noticiam,
  81. podíamos reduzir
    a quantidade de tiroteios
  82. e salvar vidas.
  83. (Aplausos)

  84. Passo a explicar.

  85. Quase todos os atiradores aleatórios
  86. têm algo em comum.
  87. Alguém adivinha o que é?
  88. Eles querem notoriedade.
  89. Querem ser famosos.
  90. Na verdade,
  91. esses assassinos estão
    a dizer-nos isso mesmo.
  92. O assassino de Sandy Hook
  93. mantinha uma folha de cálculo
    com assassinos em massa anteriores
  94. e o número das suas mortes.
  95. O assassino da discoteca Pulse,
    em Orlando,
  96. ligou para uma estação de notícias
  97. — durante o ataque! —
  98. e depois parou para verificar
    no Facebook, se estava a ficar viral.
  99. O assassino de Parkland
  100. filmou e publicou um vídeo
  101. dizendo:
  102. "Quando me virem nas notícias
    saberão quem eu sou."
  103. O assassino do cinema Aurora
    disse ao seu psiquiatra
  104. que reconhecia que não conseguia
    fazer impacto no mundo da ciência,
  105. mas que conseguia ficar famoso
  106. fazendo explodir as pessoas.
  107. E, o mas revelador,
  108. o assassino da Faculdade
    Comunitária de Umpqua
  109. escreveu no seu blogue
    sobre um anterior massacre,
  110. dizendo:
  111. "Reparei que as pessoas como ele
  112. "estão sozinhos e são desconhecidos,
  113. "mas quando derramam
    um pouco de sangue
  114. "o mundo inteiro sabe quem eles são."
  115. Um homem que ninguém conhecia
    é agora conhecido por todos,
  116. A cara dele espalhada por todos os ecrãs,
  117. o nome dele na boca
    de toda a gente do planeta.
  118. apenas num dia.
  119. Parece que quanto mais pessoas matam,

  120. mais atraem as atenções.
  121. Estes são apenas alguns exemplos.
  122. Eu podia continuar.
  123. Esses assassinos estão a dizer-nos
    que querem ser famosos
  124. como os assassinos antes deles,
  125. e os "media" continuam a dar-lhes
    exatamente o que eles procuram:
  126. notoriedade.
  127. O debate sobre armas é muito emotivo

  128. e os nossos problemas de saúde mental
    são muito complicados.
  129. As duas coisas vão demorar
    um tempo para corrigir.
  130. Mas, para reduzir a carnificina,
  131. não precisamos de uma lei do Congresso.
  132. Precisamos de um ato de consciência
  133. dos produtores
    e dos consumidores dos "media"
  134. para eliminar o prémio da notoriedade.
  135. (Aplausos)

  136. Então, para salvar vidas,

  137. Caren e eu decidimos
    lançar o "No Notoriety",
  138. dedicado a desafiar os "media"
  139. para protegerem as nossas comunidades
  140. aderindo a estes princípios
    baseados na pesquisa.
  141. Um: noticiar todos os factos

  142. sobre a mentalidade,
  143. a demografia
  144. e o perfil motivacional destes atiradores,
  145. mas minimizar os seus nomes e imagens,
  146. a não ser que sejam fugitivos.
  147. Dois: limitar o uso do nome do atirador

  148. a uma vez por peça jornalística
  149. e nunca nos títulos
  150. e sem fotos em locais importantes.
  151. E três,,,

  152. Três.
  153. (Risos)

  154. Não sou bom com números.

  155. (Risos)

  156. Recusar publicar qualquer
    material favorável

  157. fornecido pelos atiradores.
  158. (Aplausos)

  159. Para ser claro:

  160. isto não é uma violação
  161. aos direitos da Primeira
    Emenda de ninguém
  162. Isto não é censura.
  163. Estamos simplesmente a pedir aos "media"
  164. que usem as diretrizes
    que já estão em uso.
  165. Por exemplo,

  166. os "media" não noticiam
  167. os jornalistas que foram sequestrados
  168. para os proteger.
  169. Os "media" não noticiam
  170. os nomes nem as imagens
  171. das vítimas de agressão
    sexual ou de suicídio.
  172. Estas práticas jornalísticas responsáveis
  173. protegem a segurança do público
  174. com zero impacto
  175. no direito de o público saber.
  176. Estudos académicos mostram

  177. que o consumidor médio de notícias
  178. quer ouvir falar menos dos atiradores.
  179. Em contrapartida,
  180. os "media" deviam sublinhar
    os nomes e imagens das vítimas,
  181. tanto dos assassinados como dos feridos,
  182. dos heróis
  183. e dos primeiros socorristas.
  184. (Aplausos)

  185. Deviam promover dados e análises

  186. de especialistas das áreas
    de saúde mental e de segurança pública.
  187. Todos os especialistas concordam.

  188. O FBI,
  189. a Associação Internacional da Polícia,,
  190. a Major City Chiefs Association,
  191. e a A.L.E.R.T.,
  192. a organização dedicada
    a formar socorristas
  193. para deter atiradores ativos,
  194. todos aprovam os princípios
    do No Notoriety.
  195. Na verdade, em 2014,
  196. o FBI começou a campanha
    "Don't Name Them" em apoio da ideia.
  197. A Associação Americana de Psiquiatria
    apoia a redução e a minimização
  198. da identificação dos atiradores.
  199. A ideia passou a ser mundial,
  200. com o primeiro-ministro da Nova Zelândia
  201. a pedir que não fosse dada notoriedade
  202. depois do tiroteio de Christchurch.
  203. Mas por mais que queiramos
    que os "media" mudem,

  204. eles são organizações lucrativas.

  205. Não vão mudar a não ser
    que os responsabilizemos.
  206. (Aplausos)

  207. Os "media" ganham dinheiro
    com os anúncios

  208. com base no número
    de visualizações e cliques.

  209. Se pudermos reduzir o número de visitas
    e de cliques sobre qualquer assunto,
  210. os "media" vão mudar a forma
    como o noticiam.
  211. Então, da próxima vez que vocês virem
    qualquer organização dos "media"

  212. — imprensa, digital, rádio ou televisão —
  213. a promover gratuitamente os nomes
    e as imagens desses atiradores
  214. deixem de ver,
  215. deixem de escutar,
  216. deixem de clicar,
  217. deixem de fazer ligações
  218. e deixem de partilhar.
  219. Escrevam aos produtores,
  220. aos editores, aos diretores
    dos canais e aos CEOs
  221. dessas agências noticiosas.
  222. Tomem nota dos anunciantes
    que apoiam esses segmentos
  223. e escrevam aos seus CEOs.
  224. Porque, todos juntos,
  225. podemos empurrar os "media"
  226. para agirem no interesse
    da segurança do público,

  227. e não para o lucro.
  228. É tarde demais para o Alex,

  229. e é tarde demais para a minha família.
  230. Mas por favor, não se juntem
    ao nosso clube por falta de ação,
  231. o clube em que ninguém quer entrar.
  232. O preço é muito alto.
  233. Porque não é tarde demais
  234. para as pessoas que ainda não são vítimas.
  235. Nós temos o poder
  236. de reduzir massacres aleatórios.
  237. Vamos usá-lo.
  238. Obrigado.

  239. (Aplausos)