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← Como podemos ajudar os "medianos esquecidos" a atingir o seu potencial

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Zeige Revision 14 erzeugt am 08/15/2020 von Margarida Ferreira.

  1. Vou falar-vos dos ''medianos esquecidos".
  2. Para mim, são os estudantes,
    os colegas e todas as pessoas vulgares
  3. que são muitas vezes ignoradas
  4. porque não são vistas como
    excecionais nem problemáticas.
  5. São os miúdos que pensamos
    que podemos ignorar
  6. porque as suas necessidades de apoio
    não parecem ser urgentes.
  7. São os colegas
  8. que mantêm em funcionamento
    os motores das nossas organizações,
  9. mas que não são vistos como os inovadores
    que levam à excelência.
  10. De muitas maneiras,
    ignoramos as pessoas medianas
  11. porque não nos mantêm
    acordados de noite,
  12. a pensar qual será a coisa louca
    que eles vão criar.
  13. (Risos)

  14. A verdade é que dependemos
    da complacência deles

  15. e do seu sentido de desconexão
  16. porque tornam mais fácil
    o nosso trabalho.
  17. Eu conheço um pouco
    o que são os medianos esquecidos.

  18. Quando eu andava na escola,
    saia com esse pessoal mediano.
  19. Durante muito tempo,
    eu fui uma boa aluna,
  20. mas isso mudou no sétimo ano.
  21. Eu passava os dias na mexeriquice,
    passando recadinhos,
  22. sempre na brincadeira
    com os meus amigos.
  23. Em vez de fazer os trabalhos de casa
  24. agarrava-me ao telemóvel,
    a recordar os incidentes do dia.
  25. E, embora eu fosse
    uma adolescente vulgar de 12 anos,
  26. a minha ambivalência no ensino
    levou-me a ter notas médias.
  27. Felizmente para mim, a minha mãe
    percebeu uma coisa importante,

  28. que aquela minha situação
    não era o que me convinha.
  29. Enquanto antiga bibliotecária
    de investigação e educadora,
  30. a minha mãe sabia que eu era
    capaz de muito mais.
  31. Mas também sabia
  32. que, como eu era uma jovem negra nos EUA,
  33. podia não ter as oportunidades
    surgidas do nada
  34. se ela não tivesse o cuidado de as criar.
  35. Assim, ela colocou-me
    numa escola diferente.

  36. Inscreveu-me em atividades
    de liderança no meu bairro.
  37. E começou a falar comigo
    mais seriamente
  38. sobre a faculdade e as opções de carreira
    a que eu podia aspirar.
  39. A fórmula da minha mãe
    para me tirar da mediania era simples.
  40. Ela começou com altas expetativas.
  41. Dedicou-se a descobrir
    como preparar-me para o sucesso.
  42. Tornou-me responsável
  43. e, nesse percurso, convenceu-me
    de que eu tinha o poder
  44. de criar a minha própria história.
  45. Essa fórmula não me ajudou apenas
    a sair da minha crise do sétimo ano
  46. — usei-a mais tarde em Nova Iorque,
  47. quando estava a trabalhar com miúdos
    que tinham muito potencial,
  48. mas não tinham muitas oportunidades
    para tirarem um curso superior.
  49. Como sabem, os estudantes
    de alto rendimento

  50. geralmente têm acesso
    a recursos adicionais,
  51. como atividades
    de enriquecimento no verão,
  52. estágios
  53. e um amplo programa
  54. que os tira da sala de aula
    e os coloca no mundo
  55. de uma forma que dá ótimo aspeto
    nas candidaturas para a faculdade.
  56. Mas não proporcionamos
    esse tipo de oportunidade a toda a gente.
  57. E o resultado é que não são
    só alguns jovens que se perdem.
  58. Eu penso que nós, como sociedade,
    também perdemos.
  59. Eu tenho uma teoria louca,
    sobre as pessoas medianas.

  60. Penso que há bilhetes da lotaria
    não reclamados entre os medianos.
  61. Penso que a cura para o cancro
    e o caminho para a paz mundial
  62. podem muito bem estar ali.
  63. Agora, como antiga professora de liceu,
  64. não estou a dizer que todos vão passar
    a ser alunos excelentes, por magia.
  65. Mas creio que a maioria
    das pessoas medianas
  66. são capazes de muito mais.
  67. E acredito que as pessoas ficam no "meio"
    porque é para aí que as relegamos
  68. e, por vezes, é onde elas descontraem
  69. enquanto tentam compreender as coisas.
  70. Todos os nossos percursos

  71. são feitos de uma série
    de pausas e de acelerações,
  72. de perdas e ganhos.
  73. Temos a responsabilidade de garantir
  74. que a identidade racial, de género,
    cultural e socioeconómica de alguém
  75. nunca seja a razão para esse alguém
    não ter hipótese de sair da mediania.
  76. Então, assim como a minha mãe fez comigo,

  77. eu comecei com altas expetativas
    para os meus jovens.
  78. E comecei com uma pergunta.
  79. Deixei de perguntar aos miúdos:
    "Queres ir para a faculdade?"
  80. e comecei a perguntar-lhes:
  81. "Para que faculdade gostavas de ir?"
  82. A primeira pergunta...
  83. (Aplausos)

  84. A primeira pergunta deixa em aberto
    muitas possibilidades vagas.

  85. Mas a segunda pergunta
  86. diz uma coisa sobre o que eu pensava
    que os meus jovens eram capazes.
  87. Basicamente,
  88. assume que eles irão acabar
    o ensino secundário com sucesso.
  89. E também assumia
  90. que teriam o tipo de currículo académico
  91. que poderia levá-los
    a serem admitidos na universidade.
  92. E tenho orgulho em dizer
    que as altas expetativas funcionavam.
  93. Enquanto os alunos negros e latinos,
    a nível nacional,
  94. que completam o curso
    da faculdade em seis anos ou menos,
  95. são apenas uma percentagem de 38%,
  96. nós fomos reconhecidos pela College Board
  97. pela nossa capacidade não apenas
    de colocar os miúdos na faculdade
  98. mas fazer com que eles
    permaneçam na faculdade.
  99. (Aplausos)

  100. Mas eu também sei que
    as altas expetativas são ótimas,

  101. mas é preciso um pouco mais do que isso.
  102. Não pediremos a um pasteleiro
    para fazer um bolo sem um forno.
  103. E não devemos pedir aos medianos
    para dar esse salto
  104. sem lhes fornecer as ferramentas,
    as estratégias e o apoio que eles merecem
  105. para progredir na vida.
  106. Um rapariga de quem fui mentora
    durante muito tempo, a Nicole,

  107. veio ao meu escritório um dia,
  108. depois de o seu conselheiro estudantil
    ter olhado para a sua ficha muito forte
  109. e exprimir grande choque e espanto
  110. ao saber que ela estava interessada
    em ir para a faculdade,
  111. O que o conselheiro não sabia
    era que, através da sua comunidade,
  112. Nicole tinha tido acesso
    ao curso preparatório para a faculdade,
  113. aos exames para a entrada
    e a programas de viagens internacionais.
  114. Não só a faculdade
    fazia parte do seu futuro,
  115. como me orgulho em dizer que a Nicole
    foi em frente e completou dois mestrados
  116. após se formar na Universidade Purdue.
  117. (Aplausos)

  118. Também nos empenhámos em tornar
    os nossos jovens responsáveis

  119. e também instilar neles um sentimento
    da responsabilidade para com eles mesmos,
  120. para com os seus colegas,
    as suas famílias e as suas comunidades.
  121. Apostámos em reforçar o desenvolvimento
    da juventude com iniciativas de valor.
  122. Fomos a retiros de liderança
  123. e fizemos atividades com
    diferentes níveis de desafios.
  124. Abordámos juntos
    as grandes questões da vida.
  125. O resultado foi que os miúdos
    adquiriram a noção
  126. de que eram responsáveis por alcançar
    esses diplomas da faculdade.
  127. Foi gratificante ver esses jovens
    a contactarem, a enviarem mensagens
  128. a dizer: "Porque é que estás atrasado
    para o curso preparatório?"
  129. ou "O que é que estás a meter na mala
    para a visita à faculdade amanhã?"
  130. Nós trabalhámos para tornar
    a faculdade aquilo que devia ser feito.

  131. Começámos a criar programas
    nos campos das faculdades
  132. e eventos que permitissem que os jovens
    se visualizassem a si mesmos
  133. como estudantes e formandos da faculdade.
  134. Eu e a minha equipa desenterrámos
    as nossas recordações de estudantes
  135. e divertimo-nos muito,
    com competições saudáveis
  136. para saber quem tinha a melhor faculdade.
  137. Os miúdos perceberam a ideia
  138. e começaram a ver que havia
    qualquer coisa mais para a sua vida.
  139. Não apenas isso — eles puderam olhar
    em volta para os estudantes da faculdade
  140. e ver miúdos provenientes
    das mesmas origens
  141. e dos mesmos bairros
  142. e que aspiravam às mesmas coisas.
  143. Esse sentimento de pertença
    era fundamental

  144. e apareceu de uma maneira linda
    e memorável
  145. num dia em que estávamos
    no aeroporto de Johannesburg,
  146. à espera de passar pela alfândega
  147. a caminho do Botswana
    para uma viagem de aprendizagem.
  148. Eu vi um grupo de jovens
    amontoados num círculo.
  149. Quando se trata de adolescentes
    isso quer dizer que se passa alguma coisa.
  150. (Risos)

  151. Então, eu aproximei-me
    por detrás dos miúdos

  152. para perceber do que é
    que estavam a falar.
  153. Estavam a comparar
    os carimbos nos passaportes.
  154. (Risos)

  155. Estavam a sonhar em voz alta
    com todos os países

  156. que planeavam visitar no futuro.
  157. Ver aqueles jovens de Nova Iorque
  158. não só a tornarem-se
    estudantes universitários
  159. mas a participarem em programas
    de intercâmbio internacional
  160. e conseguirem empregos em todo o mundo
  161. foi incrivelmente gratificante.
  162. Quando penso nos meus miúdos

  163. e em todos os médicos, advogados,
    professores, assistentes sociais,
  164. jornalistas e artistas
  165. que saíram do nosso pequeno recanto
    em Nova Iorque,
  166. odeio pensar no que teria acontecido
  167. se não tivéssemos investido nos medianos.
  168. Pensem no que aquelas comunidades
    e o mundo teriam perdido.
  169. Esta fórmula para os medianos
    não funciona só com os jovens.

  170. Também pode transformar organizações.
  171. Podemos ser mais ousados
  172. em criar e articular uma missão
    que inspire toda a gente.
  173. Podemos autenticamente convidar
    os nossos colegas para a mesa
  174. para criarem uma estratégia
    adequada à missão.
  175. Podemos dar um retorno significativo
    às pessoas ao longo do caminho,
  176. e — por vezes o mais importante —
  177. garantir que atribuímos os créditos
    pela contribuição de todos.
  178. Quando a minha equipa se impôs
    aspirações altas para si mesmos

  179. fizeram uma coisa muito
    transformadora para os jovens.
  180. Tem sido maravilhoso olhar para trás
    e ver todos os meus antigos colegas
  181. que foram em frente
    e conseguiram doutoramentos
  182. e assumiram papéis de liderança
    noutras organizações.
  183. Nós temos o que é preciso para inspirar
    e elevar as pessoas medianas.

  184. Podemos estender o amor
    às pessoas medianas.
  185. Podemos desafiar os nossos preconceitos
    sobre quem merece uma ajuda, e como.
  186. Podemos estruturar as nossas organizações,
    comunidades e instituições
  187. de formas que sejam inclusivas
    e que tenham princípios de equidade.
  188. Porque, em última análise,
  189. o que geralmente
    é confundido com um ponto final
  190. é apenas uma vírgula.
  191. Obrigada.

  192. (Aplausos)