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Showing Revision 3 created 02/13/2021 by Margarida Ferreira.

  1. Jes Fan: Logo que os vemos
  2. eles ficarão gravados no nosso espírito
  3. Especialmente se pensarmos neles
  4. como uma das primeiras
    poucas representações
  5. de um chinês como sujeito.
  6. [Biblioteca Médica
    da Universidade de Yale]
  7. Há um missionário médico
    chamado Peter Parker
  8. que viajou até Cantão para realizar
    a remoção cirúrgica de tumores
  9. no início do século XIX.
  10. Lam Qua era um pintor
    muito famoso na época.
  11. Era famoso por pintar retratos.
  12. Mas suponho que Lam Qua
    também era conhecido
  13. pela forma rigorosa
    com que pintava os seus modelos.
  14. É conhecido por ter dito:
  15. "O que os olhos não veem,
    não se pode fazer".
  16. Há qualquer coisa de chinesice aqui.
  17. Pensem nisto: como é que
    chinesice passou a ser uma palavra?
  18. Quais são as tecnologias envolvidas
    na criação desta ideia de "o outro"?
  19. Porque é que o ombro
    tem de estar destapado?
  20. A forma como a trança está colocada.
  21. É muito sedutor e eu pensei
    se este tipo de sedução
  22. tem de aparecer de forma
    a que consigamos ver o modelo
  23. como uma pessoa igual a nós.
  24. [Jess Fan: Beleza Infecciosa]
  25. Acho que isso fez com que eu
    me esforçasse por perceber
  26. a ideia de beleza e sedução.
  27. Penso que o meu trabalho
    tem muito a ver com sedução.
  28. Atualmente, a beleza é muito chata.
  29. Só há podemos mostrar
    uma emoção nas redes sociais,
  30. é o coraçãozinho, não é?
    (Risos)
  31. Só há um formato de coração.
  32. Quando uma coisa é bela,
    é só um simples coração.
  33. Mas depois, quando pensamos
    na beleza no passado,
  34. é a beleza e o sublime.
  35. Tem de chegar com esta suspensão
  36. — este receio.
  37. Também significa, no passado,
  38. descrever uma coisa que era tão bela
  39. que quase nos faz querer vomitar.
  40. Eu cresci em Hong Kong.
  41. É muito opressivo ser gay ali.
  42. Não podermos ver-nos
    refletidos na sociedade
  43. nem sequer...
  44. podermos ver gays adultos e felizes
  45. ou gays adultos em geral.
  46. É como não conseguir ver
    um futuro para nós mesmos.
  47. Tive anos muito difíceis enquanto crescia
  48. a tentar descobrir quem podia ser.
  49. Julie Wolf: Pelo que entendi da peça
  50. é que é feita de vidro
    com um certo formato.
  51. Depois, junta-se a melanina à peça
  52. e depois enche-se com silicone,
    está certo?
  53. JF: Está.
  54. JW: O que queremos fazer é melanina.
  55. Vamos fazer a forma física final.
  56. Chama-se L-DOPA.
  57. Neste caso L-DOPA
    é uma molécula muito instável.
  58. Se a expusermos à luz
    ou à temperatura ambiente,
  59. começa a fazer uma coisa
    chamada autopolimerização.
  60. Vai começar a fazer um polímero
  61. que é uma subunidade repetida
  62. que se vai ligar com a melanina.
  63. O que vamos fazer é criar as condições
  64. tão instáveis quanto possível
    para a L-DOPA
  65. para podermos contornar
    o processo biológico
  66. e chegar diretamente à melanina.
  67. Não está muito escura
  68. mas podemos ver que tem flocos lá dentro.
  69. JF: É estranho estão quentes.
  70. JW: Estão.
  71. JF: Seria ótimo se fosse...
  72. qualquer coisa que pudéssemos
    identificar ou acionar
  73. e esperar que sejam..
  74. Porque as placas que me deste com E.coli
  75. são parecidas com mofo.
  76. Esperemos que estas cresçam alegremente
  77. e fiquem mais viscosas.
  78. Muito do que estou a tentar fazer
  79. com o que consideramos
    materiais sexualizados
  80. ou materiais racializados,
  81. é realmente muito absurdos
  82. É como um programa de culinária.
  83. Tenho sémen, sangue,
  84. melanina e chichi.
  85. (Risos)
  86. Numa altura em que eu pensava
    muito em como a raça,
  87. especialmente nos EUA,
  88. é olhada como infecciosa.
  89. Pensem na China e no coronavírus.
  90. Pensem na SARS, estando em Hong Kong.
  91. Pensem na era de Jim Crow
    e a não partilha de água.
  92. Essa ideia de estar infetado.
  93. Hoje em dia, na Ásia, a beleza é suave,
  94. não tem arestas, não causa repulsa.
  95. Há qualquer coisa sobre...
  96. fazer isto é subverter esse equilíbrio,
  97. mostra o trabalho que dá
    conseguir essa suavidade.
  98. Assim, ela parece-se
    com estes círculos infecciosos.
  99. Mas depois, os materiais
    que estão nessas formas bulbosas
  100. são sémen em decadência.
  101. Acho isto muito divertido.
  102. Tem muito a ver com formas
    que se encaixam umas nas outras
  103. e de certa forma evoca
    uma sensação dessa estranheza
  104. mas, simultaneamente tão erótica
    que não conseguimos parar.
  105. Mas para ser atraído para isso,
  106. esse erotismo seduz-nos.
  107. É beleza no brilho
  108. e a possibilidade de ver
    o nosso reflexo nele.
  109. Ao mesmo tempo,
  110. estamos a olhar para uma coisa
    que nos causa repulsa
  111. que é considerada infecciosa ou suja.
  112. O meu terapeuta diz que eu estou
    tão familiarizado com a opressão
  113. que o perigo, o risco e a opressão
    fazem com que me sinta em casa.
  114. Por isso, escravizo-me no estúdio.
  115. Ou melhor, privo-me do prazer
  116. porque aqui não sou oprimido
    enqanto "gay".
  117. Por isso, agora oprimo-me a mim mesmo.
  118. Porque não posso voltar atrás,
    se fracassar.
  119. Tradução de Margarida Ferreira.