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20 llengües

Showing Revision 8 created 10/13/2019 by Isabel Vaz Belchior.

  1. Esta é pessoal.
  2. Eu sei o que é ter o governo dizer:
  3. "Vamos matar-te de manhã."
  4. Eu sei o que é deixar um país
    com seis horas de aviso
  5. e acabar por ficar no sofá de alguém.
  6. Por causa disso, escrevi um livro
  7. sobre porque os países
    têm ou não sucesso.
  8. Permitam-me que resuma 250 páginas.
  9. Os países têm de ter compaixão,

  10. têm de ser bondosos,
  11. têm de ser inteligentes,
    têm de ser corajosos.
  12. Querem saber o que não funciona?
  13. Quando se governa pelo medo
    e se governa pela crueldade,
  14. isso simplesmente não funciona.
  15. Pode-se ser como o Gengis Khan
    por uns tempos,
  16. pode-se ser como Estaline
    ou como Pinochet
  17. por uns tempos.
  18. Mas a longo prazo não funciona.
  19. E não funciona a longo prazo

  20. porque, para governar
    pelo medo e pela crueldade,
  21. temos de criar divisões.
  22. Temos de pegar em grandes grupos
    no país e convencê-los
  23. que eles não são como aqueles.
  24. Que não se devem associar com eles,
  25. que não devem falar com eles.
  26. Que essas pessoas são más,
  27. essas pessoas são criminosos,
    são violadores.
  28. E que o país está em perigo
    por causa deles.
  29. E se gastarmos milhões de dólares
    a fazer isso no nosso país,
  30. faremos inimigos no estrangeiro,
  31. e criaremos divisões internas.
  32. E isso traz consequências.
  33. Três quartos das bandeiras,
    das fronteiras e dos hinos

  34. hoje nas Nações Unidas,
  35. não existiam há algumas décadas.
  36. Aquelas linhas que estão lá hoje
  37. aquelas bandeiras foram criadas
    porque alguém disse:
  38. "Os escoceses não são como nós,"
  39. "os galeses não são como nós,"
  40. "os bascos não são como nós,"
  41. "os italianos do norte
    não são como nós,"
  42. "os muçulmanos não são como nós,"
  43. os negros, os brancos, os cristãos.
  44. Criamos o "nós contra eles"...
  45. destruímos nações.
  46. Parte do problema da criação
    do "nós contra eles"

  47. é que é difícil fazê-lo.
  48. O que temos de fazer
  49. é fazer as pessoas acreditar em absurdos.
  50. E quando as pessoas acreditam no absurdo,
  51. cometem atrocidades.
  52. É essa a dinâmica.
  53. Não se consegue criar "nós contra eles"...
  54. não se consegue criar
    massacres como no Ruanda,
  55. não se consegue criar
    massacres como na Jugoslávia,
  56. a não ser que se crie esta dinâmica.
  57. Deixem-me que resuma
    a política atual de imigração.

  58. Vamos dissuadi-"los"
  59. sendo o mais cruéis possível,
  60. e vamos atingir as suas crianças.
  61. Vamos atrás das crianças.
  62. Temos advogados
    norte-americanos que afirmam
  63. que as crianças não precisam
    de sabão, nem de abraços nem de duches,
  64. nem da ajuda de adultos
    nem de uma data de libertação.
  65. Alguém é detido por causa
    de um farolim avariado,
  66. alguém que trabalhou aqui por 20 anos,
  67. vai para a prisão,
  68. talvez para toda a vida,
  69. sem representação legal.
  70. Os terroristas que destruíram
    o World Trade Center têm advogados.
  71. Estas crianças, estes pais,
    não têm direito a advogados.
  72. Os governos dizem a algumas das pessoas
  73. mais desesperadas
    e magoadas no planeta:
  74. "Tenho o teu filho, paga-me $800 para um
    teste de ADN para o poderes ter de volta."
  75. Há crianças de três anos
    a aparecer em tribunal.
  76. Já todos vimos tribunais
    nas séries de TV.

  77. E é entusiasmante,
  78. porque estes sábios juízes
    sentam-se lá em cima,
  79. o advogado de defesa ataca
  80. e o procurador contra-ataca,
  81. e depois adivinhamos
    o que vai acontecer.
  82. Quero que compreendam o que está
    a acontecer agora mesmo.
  83. O acusador está lá
    — é o acusador duro.
  84. Acusa, ataca, em nome de nós, o povo.
  85. O juiz está lá,
    o juiz 'Arrogante Eu É Que Sei'
  86. com a sua toga negra,
  87. e questiona o arguido
  88. lá de cima.
  89. O réu tem três anos
  90. os olhos dele não chegam
    ao nível da beira da mesa.
  91. O réu não fala a nossa língua.
  92. Os auscultadores para o tradutor
    caíram da cabeça do réu,
  93. porque não há auscultadores para crianças
    de três anos em tribunais norte-americanos
  94. porque não é suposto
    que estas se defendam.
  95. Estão a gozar com a justiça,
  96. estão a gozar com o sistema de acusação.
  97. estão a troçar de quem
    nós somos como nação.
  98. Isto é absurdo.

  99. São atrocidades.

  100. Isto é inacreditável.
  101. Estamos a ver algumas estatísticas,
  102. mas quero que compreendam:
  103. isto está a acontecer à empregada
    doméstica que criou os vossos filhos.
  104. Isto está a acontecer ao jardineiro
    que tomou conta da vossa casa.
  105. Isto está a acontecer ao homem
    que lavou os vossos pratos
  106. no restaurante chique
    onde foram na semana passada.
  107. Isto está a acontecer às pessoas
    que entregam o jornal pela manhã.
  108. Esta é a vossa comunidade,
  109. estas são as pessoas
    que viveram lado a lado com vocês.
  110. Trataram bem de vocês,
    trataram de vocês com respeito,
  111. tomaram conta dos vossos filhos,
    dos vossos avós.
  112. Este é o Luís, esta é a Laura,
  113. este é o Jaime.
  114. Eles não são abstratos,
  115. "Oh, está a acontecer na fronteira"
  116. — isto está a acontecer agora mesmo
    na nossa comunidade.
  117. E o perigo nisto

  118. é que, quando passamos a normalizar
    o absurdo e as atrocidades,
  119. as pessoas pensam que esses
    instrumentos são legítimos.
  120. E então temos escolas
    a enviar cartas como esta:
  121. "Caro pai,
  122. "Como o seu filho deve dinheiro
    do almoço à cafetaria,
  123. "isso pode resultar
    em o seu filho ser levado
  124. "pela assistente social."
  125. Isto está a ser enviado pelas escolas
  126. porque as pessoas pensam:
  127. "Bem, parece ser
    um mecanismo de dissuasão."
  128. Quando entramos num avião,

  129. antes das crianças,
    antes da primeira classe,
  130. os primeiros a embarcar
    são os soldados em uniforme.
  131. Alguns são imigrantes.
  132. Eis um contrato: "Alista-te no exército,
  133. "cumpre a tua obrigação até ao fim,
  134. "e obténs a cidadania".
  135. Nós estamos a rescindir estes contratos
  136. depois de terem sido assinados.
  137. E se esses soldados
    foram mortos em combate
  138. deportamos as suas mulheres
    e, às vezes, os seus filhos.
  139. Estas são as pessoas que nos protegem.
  140. Estas são as pessoas que honramos.
  141. Estes são os corajosos.
  142. E esta é a forma como os tratamos.
  143. Estas não são as pessoas
    que atravessaram a fronteira ilegalmente.
  144. Quando permitimos
    este tipo de comportamento,

  145. isso normaliza-se na sociedade,
    e desfaz a sociedade.
  146. Os países são construídos
    pelo trabalho árduo dos imigrantes;
  147. somos todos imigrantes.
  148. Simplesmente chegámos
    em momentos diferentes.
  149. 55% das principais empresas desta nação

  150. as empresas com mais sucesso
    deste país, os unicórnios,
  151. são criados por pessoas que vieram como
    estudantes estrangeiros ou como imigrantes
  152. e são os fundadores e cofundadores.
  153. Bem, eis o que aconteceu
    nos últimos três anos
  154. aos melhores cérebros do mundo.
  155. 42% não conseguiram vistos
  156. ou escolheram não pedir vistos.
  157. É assim que arruinamos uma economia.
  158. Isto não é sobre crianças e fronteiras.

  159. É sobre nós.
  160. Isto não é sobre quem somos,
    sobre quem 'nós o povo' somos,
  161. como uma nação e como indivíduos.
  162. Este debate não é abstrato.
  163. Muitos de nós gostamos de pensar

  164. que, se pudéssemos voltar ao momento
    em que Hitler subiu ao poder,
  165. estaríamos na rua,
  166. teríamos feito oposição,
    teríamos impedido Mengele.
  167. Muitos de nós gostamos de pensar
  168. que, se pudéssemos voltar aos anos 60,
  169. estaríamos com os 'Freedom Riders'.
  170. Estaríamos naquela ponte em Selma.
  171. Mas, sabem?
  172. Esta é a nossa oportunidade.
  173. É agora.
  174. Enquanto pensam nisto,

  175. não são apenas os grandes atos,
  176. não basta ir e bloquear aquela ponte
  177. ou acorrentar-nos a algo.
  178. É o que fazemos no dia-a-dia.
  179. O Museu de Arte de Harvard
    acabou de inaugurar uma exposição
  180. sobre como os artistas refletem sobre
    imigração e ter a sua casa noutro país.
  181. As pessoas saem abaladas dessa exposição.
  182. No final havia uma parede em branco.
  183. E os curadores fizeram algo
    que normalmente não fazem
  184. — improvisaram.
  185. Desenharam quatro linhas
    e escreveram duas palavras.
  186. "Eu pertenço."
  187. Por isso, saímos da exposição
  188. e podemos tirar uma foto
    à frente desta parede.
  189. O impacto nas pessoas é enorme.
  190. Eu vi as pessoas saírem
  191. e algumas sentavam-se
    à frente daquela imagem.
  192. Tiravam uma fotografia e esboçavam
    um sorriso grande, enorme.
  193. Outras pessoas simplesmente choravam.
  194. Algumas pessoas abraçavam-se
    e traziam estranhos,
  195. outras traziam a sua família.
  196. Pequenos atos de bondade
    têm um enorme impacto.

  197. Há dor na vossa comunidade
  198. como não acreditarão.
  199. Da próxima vez que estiverem com um
    condutor de táxi que possa ser um "deles,"
  200. de acordo com algumas pessoas,
  201. deem-lhe uma gorjeta de cinco dólares.
  202. Da próxima vez que estiverem
    com uma empregada num hotel,
  203. agradeçam-lhe e deem-lhe
    o dobro da gorjeta.
  204. Da próxima vez
    que virem o vosso jardineiro,
  205. quando virem a vossa ama,
  206. quando virem alguém assim,
  207. deem-lhes um abraço enorme,
    e digam-lhes que eles pertencem.
  208. Façam-nos sentir que são de cá.
  209. Este é o momento das grandes políticas
  210. mas também é o momento
    de grandes atos de bondade.
  211. Porque temos de reivindicar quem somos,
  212. temos de reivindicar esta nação.
  213. (Voz embargada)
    E não podemos sentar-nos aqui

  214. e ver esta merda acontecer.
  215. Isto tem de acabar, e tem de terminar já.

  216. Obrigado.

  217. (Aplausos)