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Portuguese subtítols

← O mito da caixa de Pandora — Iseult Gillespie

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30 llengües

Showing Revision 11 created 02/14/2019 by Margarida Ferreira.

  1. Curiosidade:

  2. uma bênção, ou uma maldição?
  3. A índole contraditória
    desta característica
  4. foi personificada pelos antigos gregos
  5. na mítica figura de Pandora.
  6. Segundo a lenda, ela foi
    a primeira mulher mortal,
  7. cuja ardente curiosidade desencadeou
    uma cadeia de eventos perturbadores.
  8. Hefesto, o deus do fogo, criou Pandora
    insuflando-lhe vida

  9. e pediu ajuda aos deuses seus companheiros
    para a tornar extraordinária.
  10. De Afrodite, recebeu a capacidade
    de experimentar emoções profundas.
  11. De Hermes, ganhou o domínio da fala.
  12. Atena deu o dom do artesanato requintado
    e a atenção aos detalhes,
  13. e Hermes deu-lhe o nome.
  14. Finalmente, Zeus concedeu
    a Pandora dois presentes.

  15. O primeiro foi o atributo da curiosidade,
  16. que se enraizou no seu espírito
    e a enviou impaciente para o mundo.
  17. O segundo foi uma caixa pesada,
    com ornatos sinuosos, muito pesada
  18. e muito bem aparafusada.
  19. Mas o conteúdo, disse-lhe Zeus,
    não era para os olhos dos mortais.
  20. Ela não devia abrir a caixa
    sob nenhuma circunstância.
  21. Na Terra, Pandora conheceu e apaixonou-se
    por Epimeteu, um titã talentoso

  22. que foi encarregado por Zeus
    de projetar o mundo natural.
  23. Trabalhara em conjunto
    com o seu irmão Prometeu,
  24. que criara os primeiros seres humanos
  25. mas foi eternamente castigado
    por lhes ter dado o fogo.
  26. Epimeteu teve imensas
    saudades do seu irmão,
  27. mas encontrou em Pandora a companhia
    de outra alma do coração ardente.
  28. Pandora transbordava de emoção
    com a vida na Terra.

  29. Também se distraía facilmente,
    e podia ser impaciente,
  30. dada a sua sede de conhecimento
    e o seu desejo de investigar os arredores.
  31. Muitas vezes imaginava
    o que podia estar contido na caixa.
  32. Que tesouro era tão grande que não podia
    ser visto por olhos humanos,
  33. e porque é que estava entregue
    aos seus cuidados?
  34. Sentia um formigueiro
    nos dedos para abri-la.
  35. Por vezes, convencia-se
    que ouvia vozes a murmurar
  36. e o conteúdo a chocalhar lá dentro,
  37. como se estivesse a esforçar-se para sair.
  38. Aquele enigma tornou-se exasperante.
  39. Com o tempo, Pandora ficou
    cada vez mais obcecada com a caixa.

  40. Parecia que havia uma força fora do seu
    controlo que a atraía para o conteúdo,
  41. que repetia o nome dela,
    cada vez mais alto.
  42. Um dia não conseguiu aguentar mais.
  43. Às escondidas de Epimeteu,
  44. pôs-se a olhar para a caixa misteriosa.
  45. Ia espreitar lá para dentro,
  46. e depois podia afastá-la
    da sua mente para sempre...
  47. Mas ao primeiro estalido da tampa,
    a caixa explodiu.

  48. Monstruosas criaturas e sons horrendos

  49. saíram rapidamente numa nuvem de fumo
    e giraram em torno dela,
  50. gritando e cacarejando.
  51. Aterrorizada, Pandora arranhou
    desesperadamente o ar
  52. tentando que elas voltassem
    para a sua prisão.
  53. Mas as criaturas juntaram-se
    numa pavorosa nuvem.
  54. Enquanto desapareciam, ela sentiu
    uma onda de mau pressentimento.
  55. Zeus tinha usado a caixa
    como um recipiente
  56. para todas as forças do mal
    e dos sofrimentos que criara
  57. e que, uma vez libertadas,
  58. não podiam ser contidas.
  59. Enquanto chorava,

  60. Pandora apercebeu-se dum som
    que ecoava dentro da caixa.
  61. Não era o lúgubre sussurro dos demónios,
  62. mas uma luz cintilante
    que parecia aliviar a sua angústia.
  63. Quando levantou a tampa
    e espreitou para dentro outra vez,
  64. um feixe de luz elevou-se
    e desapareceu flutuando.
  65. Quando a viu a piscar, depois
    do mal que ela havia soltado,

  66. o sofrimento de Pandora ficou aliviado.
  67. Percebeu que a abertura
    da caixa era um facto irreversível
  68. mas para além dos males, libertara
    a esperança de moderar as consequências.
  69. Hoje, a Caixa de Pandora sugere
    as extremas consequências

  70. de interferir com o desconhecido,
  71. mas a curiosidade insaciável
    de Pandora também sugere a dualidade
  72. que reside no coração da pesquisa humana.
  73. Estaremos fadados para investigar
    tudo o que ainda não sabemos,
  74. para minar a terra ainda mais?
  75. Ou existirão alguns mistérios
  76. que seria melhor não resolver?