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Portuguese subtítols

← Como salvar um idioma da extinção

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45 llengües

Showing Revision 10 created 01/01/2020 by Margarida Ferreira.

  1. Os idiomas não morrem naturalmente.
  2. As pessoas abandonam as suas línguas
    maternas porque são obrigadas a isso.
  3. Na maioria das vezes,
    por pressões políticas.
  4. Em 1892,

  5. o general do exército dos EUA,
    Richard Henry Pratt
  6. disse que matar as culturas indígenas
  7. era a única alternativa
    a matar os povos indígenas
  8. "Matem o índio",
    disse, "mas salvem o homem".
  9. E até 1978, foi o que o governo fez,
  10. tirando as crianças indígenas
    às suas famílias
  11. e colocando-as em internatos,
    onde recebiam nomes ingleses
  12. e eram punidas sempre
    que falavam os seus idiomas nativos.
  13. A "assimilação" era um eufemismo
    para genocídio.
  14. Sete mil idiomas estão vivos hoje,
  15. mas poucos são reconhecidos
    pelos seus governos
  16. ou estão representados na Internet.
  17. Então, para as pessoas
    da grande maioria das culturas,

  18. a globalização continua a ser
    profundamente alienatória.
  19. Significa trocar o seu idioma
    pelo de outra pessoa.
  20. Se nada disso mudar,
  21. pelo menos três mil idiomas
    podem desaparecer dentro de 80 anos.
  22. Mas as coisas estão a mudar.
  23. Em todo o mundo,
  24. as pessoas estão a reanimar
    idiomas ancestrais
  25. e a reconstruir as suas culturas.

  26. Tanto quanto sabemos,
  27. a recuperação de idiomas
    começou no início do século XIX,
  28. quando, num momento
    de crescente antissemitismo
  29. as comunidades judaicas procuraram
    o seu idioma ancestral, o hebreu,
  30. a fim de recuperar a sua cultura.
  31. Apesar de ter ficado adormecida
    durante mil anos,
  32. estava bem preservada em livros
    de religião e de filosofia judaicos.
  33. Os ativistas judeus estudaram
    e ensinaram-no às suas crianças,
  34. criando os primeiros falantes nativos
    em quase 100 gerações.
  35. Hoje, é a língua materna
    de cinco milhões de judeus.
  36. E, pelo menos para mim,
  37. um membro falante da língua inglesa
    assimilado à diáspora judaica,
  38. é um pilar de soberania cultural.
  39. Dois mil anos depois,
  40. nós ainda estamos aqui.
  41. Até recentemente,
  42. o despertar hebreu era uma anomalia.
  43. Poucos idiomas foram tão bem preservados
    quanto o nosso foi,
  44. e a criação de Israel,

  45. o primeiro estado judeu em mil anos,
  46. forneceu um espaço
    para o uso diário do hebraico.
  47. Por outras palavras,
    a maioria das culturas não teve hipótese.
  48. (Vídeo) Boa noite, eu sou Elizabeth
  49. e vivo na Cornualha.
  50. Isto é córnico,
  51. o idioma ancestral da Cornualha,

  52. que hoje, é tecnicamente
    um distrito do sul da Inglaterra.
  53. No início do século XX, os ativistas
    córnicos lutaram pela sua cultura.

  54. O seu idioma esteve adormecido
    durante mais de 100 anos,
  55. mas eles usaram antigos livros e peças
    para o ensinar às suas crianças.
  56. Mas esta nova geração
    de falantes de córnico
  57. estava dispersa pela Cornualha
  58. e não tinham possibilidade
    de falar o seu idioma livremente.
  59. Nos anos 90, o córnico
    despertou novamente,
  60. mas não estava a prosperar.
  61. No início do século XXI, os falantes
    de córnico encontraram-se "online"
  62. e criaram espaços digitais
    para conversarem diariamente.
  63. Daí em diante, organizaram
    eventos semanais e mensais
  64. nos quais podiam reunir-se
    e conversar em público.
  65. Hoje, algumas escolas
    ensinam o córnico.
  66. Há linguagem gestual em córnico,
  67. anúncios de gelados,
  68. Wikipedia, e até mesmo memes.

  69. (Risos)
  70. (Risos)
  71. E com o seu idioma
    mais uma vez intacto,
  72. o povo da Cornualha
    assegurou o reconhecimento

  73. enquanto nação céltica, tal como
    a Irlanda, a Escócia e o País de Gales.

  74. Eles enfrentaram séculos
    de assimilação forçada

  75. e disseram: "Nós não somos
    um distrito da Inglaterra.
  76. "Nós somos um povo de pleno direito.
  77. "E ainda estamos aqui."
  78. Eles não são os únicos.
  79. A tribo Tunica-Biloxi da Lousiniana
    está a recuperar o seu idioma ancestral
  80. (Vídio) Chamo-me Teyanna.
  81. Os meus amigos chamam-me
    "Tempestade Silenciosa".

  82. Isto começou nos anos 80,
  83. quando Donna Pierite e a sua família

  84. começaram a viajar
    para Baton Rouge e Nova Orleães
  85. para fotocopiar dicionários antigos
    guardados em arquivos universitários.

  86. O objetivo era estudar o tunica
  87. e ensiná-lo às crianças
    e também partilhá-lo com a comunidade.
  88. Hoje, eles estão a liderar
    o renascimento do tunica.
  89. Desde 2014, há cerca de 100 falantes
    do idioma em aulas imersivas.
  90. de acordo com o censo de 2017,
  91. 32 novos falantes fluentes,
  92. e alguns deles, como Elisabeth,
    a filha de Donna,
  93. estão a ensinar o tunica às crianças.
  94. Estes novos falantes
    estão a criar conteúdos,
  95. vídeos para Facebook e também memes.
  96. (Risos)
  97. (Risos)
  98. (Risos)
  99. Quanto mais publicam,

  100. mais inspiram outras pessoas
    do povo tunica a envolverem-se.

  101. Recentemente, um membro tribal do Texas,
    escreveu para Elizabeth no Facebook

  102. a perguntar-lhe como se diz:
    "Abençoadas sejam estas terras."

  103. Era para uma placa de quintal,
  104. para ela poder mostrar
    aos vizinhos que a sua cultura está viva
  105. e a prosperar nos dias de hoje.
  106. O hebreu, o córnico e o tunica
  107. são só três exemplos de uma onda
    de ativismo linguístico nos continentes.
  108. Sejam eles falantes jèrriais
    das Ilhas do Canal,
  109. ou falantes quenianos
    de linguagem gestual de Nairobi.

  110. todas as comunidades que trabalham
    para preservar ou recuperar um idioma
  111. possuem uma coisa em comum: os "media"
  112. para o seu idioma poder ser
    partilhado e ensinado.
  113. À medida que a Internet cresce,
  114. expandindo o acesso
    aos "media" e à criação,
  115. preservar e recuperar
    idiomas ancestrais
  116. é mais possível hoje do que nunca.
  117. Então, quais são os vossos
    idiomas ancestrais?
  118. Os meus são o hebreu, o iídiche,
    o húngaro e o gaélico escocês,
  119. apesar de eu ter sido
    criado com o inglês.
  120. Felizmente para mim, cada um
    destes idiomas está disponível "online".

  121. O hebreu em particular
    — veio instalado no meu iPhone —
  122. aparece no Google Tradutor,
  123. e até possui corretor automático.
  124. Embora o vosso idioma
    talvez não esteja considerado
  125. eu encorajo-vos a investigar
  126. porque talvez, alguém, algures,
    tenha começado algo "online".
  127. Recuperar o nosso idioma
    e adotar a nossa cultura
  128. é uma maneira poderosa de sermos
    nós mesmos, na era da globalização,
  129. Porque, tal como eu aprendi
    recentemente a dizer em hebreu:
  130. "'nḥnw 'dyyn k'n",

  131. nós ainda estamos aqui.
  132. Obrigado.
  133. (Aplausos)