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14 llengües

Showing Revision 6 created 08/28/2018 by Margarida Ferreira.

  1. No início do 4.º ano aderi
    ao "Peer Helpers" (Tutores de Pares).

  2. O "Peer Helpers" é um programa
    de inclusão, em que alunos como eu
  3. podem interagir com alunos
    do Ensino Especial.
  4. Quando me inscrevi, estava a tentar
    encontrar uma coisa nova
  5. porque, na minha escola primária,
  6. só havia um clube de xadrez
    ou o "Peer Helpers"
  7. portanto, as minhas opções
    eram muito limitadas.
  8. Mas os miúdos que colaboravam
    no "Peer Helpers" divertiam-se muito.
  9. Ou seja, faltavam às aulas,
  10. almoçavam todos juntos
  11. e davam passeios.
  12. Eu também queria isso,
    por isso inscrevi-me.
  13. Na altura, eu não fazia ideia
    de que ia encontrar alguém
  14. que é hoje um dos meus maiores amigos,
  15. Henley Hager.
  16. Quando conheci o Henley
    e a família dele, foi um desastre.
  17. Lembro-me de ter falado
    com a Sra. Hager pela primeira vez
  18. e não sabia o que havia de dizer.
  19. Foi provavelmente qualquer coisa assim:
  20. "Sra. Hager, estou aqui
    para trabalhar com Henley".
  21. Depois de me apresentar,
    conheci o Henley,
  22. o rapaz com quem eu iria trabalhar.
  23. A princípio, eu não sabia
    o que dizer ou fazer com o Henley.
  24. O Henley sofria de autismo profundo,
  25. e eu não tinha experiência
    de trabalhar com alguém como ele.
  26. Vou ser sincero,
  27. não ficámos os melhores amigos
    logo que nos conhecemos.
  28. Eu estava nervoso,
    com medo de o provocar,
  29. com medo de fazer qualquer
    coisa que o aborrecesse.
  30. E, já que estamos a ser sinceros,
  31. estava nervoso porque as pessoas
    sentem-se pouco à vontade
  32. com pessoas que são diferentes de nós.
  33. Mesmo assim, durante
    os três anos seguintes,
  34. à quarta-feira, eu ia com o Henley
    a um programa depois das aulas.
  35. Trabalhávamos as aptidões
    sociais e académicas,
  36. como a organização,
  37. os trabalhos de casa,
    exercícios físicos,
  38. acalmarmo-nos,
  39. ajudá-lo a compreender
    o plano do dia,
  40. não me queixar quando ele
    não me acompanhava
  41. e tagarelar.
  42. Mas, desde que conheci o Henley
    que sei o que ele quer fazer,
  43. jogar no computador.
  44. Mas não podemos estar sempre a fazer isso.
  45. Por isso, dou exemplos de outras coisas
    que podemos fazer,
  46. como caminhar,
    usar a bicicleta estática
  47. ou jogar basquetebol.
  48. Ele responde com sim ou não,
  49. ou pode chegar ao ponto
  50. de perguntar educadamente
    se podemos fazer outra atividade.
  51. Ao longo dos anos, a conversa
    do Henley melhorou muito
  52. e não só comigo,
  53. melhorou com todas as pessoas
    com quem interage.
  54. Esse é um dos objetivos
    dos programas de inclusão.
  55. Estes programas são benéficos
    porque desenvolvem amizades,
  56. aumentam a concretização
    dos objetivos do IEP
  57. e criam-se mais oportunidades
    para melhorar a aprendizagem.
  58. Mas, para além de tudo isso,
    vamos a locais divertidos.
  59. Lembro-me de uma vez termos ido
    ao Centro de Ciências McWane,
  60. no centro de Birmingham.
  61. Divertimo-nos a ver os peixes,
    as raias e os tubarões
  62. Mas imaginem estar no centro de ciências
  63. e ouvir dois adolescentes a rir
    como malucos por coisa nenhuma.
  64. O Henley e eu não podemos
    dar uma risadinha
  65. que não acabe num ataque de riso.
  66. Tinha os melhores momentos
    de sempre com ele
  67. e só desejava passar tempo com ele.
  68. Mas não era por eu ser o seu Peer Helper.
  69. Éramos apenas dois grandes amigos
    a passear e a ver os tubarões.
  70. Eu podia falar do muito
    que fiz pelo Henley
  71. mas o que queria que vocês ouvissem
    e o que raras vezes é referido
  72. é que o Henley também me ajudou.
  73. Ajudou-me a ser mais paciente.
  74. Sou melhor a trabalhar
    com miúdos com deficiências
  75. e creio que adquiri mais empatia
  76. para com os que são diferentes de mim.
  77. Ao relacionar-me com o Henley,
    disse que tinha ficado mais paciente.
  78. Por exemplo, o Henley leva mais tempo
    a aprender certos conceitos,
  79. a fazer os trabalhos de casa
    e a responder a certas perguntas.
  80. Por causa disso, aprendi
    a repetir-me sem ficar frustrado
  81. ou, pelo menos,
    sem tornar visível essa frustração.
  82. Deviam dizer isso à minha mãe.
  83. (Risos)
  84. Mas serei franco,
  85. muitas vezes era frustrante,
    mas não podemos irritar-nos com isso
  86. porque ele não tenta ser difícil
    de propósito.
  87. Ele precisa de tempo para se ajustar
    à tarefa em causa
  88. da melhor forma que sabe.
  89. Compreender isto tornou-me
    uma pessoa mais paciente
  90. em todos os aspetos da vida.
  91. Para além da paciência,
  92. melhorei o trabalho com miúdos
    com necessidades especiais.
  93. Na rotina da nossa escola,
  94. a maioria dos alunos finge
    que os alunos do Ensino Especial
  95. nem sequer existem.
  96. Passeiam pelos corredores,
  97. falam com os amigos,
  98. e ignoram os que têm
    necessidades especiais.
  99. Raramente interagem com esses alunos
    de forma positiva e útil.
  100. Mas eu aprendi, ao relacionar-me
    com alunos como o Henley,
  101. que, se ignorarmos
    os que têm necessidades especiais,
  102. estamos a perder uma dádiva.
  103. Assim, do 4.º ao 7.º ano
    trabalhei exclusivamente com o Henley
  104. e essa parceria, essa amizade,
  105. foi uma das melhores coisas
    que já me aconteceu.
  106. Adorei trabalhar com o Henley,
  107. e ser um "Peer Helper" foi
    uma das melhores decisões da minha vida.
  108. Infelizmente, nem todos os alunos
    têm esta oportunidade.
  109. Depois de investigar,
    fiquei chocado ao descobrir
  110. que as pessoas com necessidades especiais
  111. não têm "Peer Helpers" suficientes
    na escola, se é que há algum.
  112. O pior é que nem todas as escolas
    têm professores ou auxiliares suficientes
  113. para os alunos do ensino especial.
  114. Agora, preparem-se para esta parte.
  115. Muitos alunos do departamento
    de Ensino Especial
  116. não recebem o apoio adequado
    que merecem.
  117. E quanto às escolas que não fornecem
    o apoio adequado a a esses alunos,
  118. penso que a razão mais comum
  119. é não terem financiamento
    ou pessoal suficiente.
  120. Mas, se não cumprirem os padrões,
    quem sofre são os alunos.
  121. Pensem em todos os miúdos
    com dificuldades de aprendizagem
  122. e como precisam de ajuda
    para progredirem na aprendizagem.
  123. Sem isso, não terão acesso a empregos,
  124. nem aprenderão as competências sociais
  125. necessárias para viver
    no meio em que hoje vivemos,
  126. não desenvolverão a sua autonomia
  127. e não criarão relações enriquecedoras.
  128. Todos estes conceitos
    giram em volta uns dos outros
  129. e são coisas em que trabalhei
    com Henley, para as melhorar.
  130. Posso dizer-vos que o Henley
    melhorou muito
  131. na comunicação com as pessoas,
    ao longo dos anos,
  132. e isso porque ele teve a sorte
    de viver numa comunidade
  133. que tem um programa muito
    respeitável de Ensino Especial
  134. com muitos membros na equipa
    e um programa "Peer Helper" dinâmico.
  135. Mas, como já disse, nem todas
    as escolas — a maioria —
  136. apoia adequadamente
    o departamento de Ensino Especial
  137. o que torna muito difícil
    para aqueles miúdos
  138. chegarem a uma versão deles mesmos
    com o maior êxito.
  139. Mas digamos que as escolas
    começam a fornecer
  140. a ajuda que deviam estar
    a dar a esses miúdos.
  141. Digamos que esses alunos progridem.
  142. Pensem nas possibilidades.
  143. Ficariam preparados para trabalhar
  144. e aprenderiam competências
    sociais mais fortes.
  145. Se as escolas não fornecem
    suficientes professores e auxiliares
  146. aos alunos de Ensino Especial,
  147. essa tarefa passa para nós,
    os alunos.
  148. Os alunos devem dar um passo em frente
    e apoiar os seus colegas.
  149. Todos os alunos aqui
    têm a capacidade de ajudar.
  150. A parte mais difícil é agir,
    mas eu sei que todos o conseguem.
  151. Uma das formas melhores e mais eficazes
  152. de ajudarem os departamentos
    de Ensino Especial
  153. é criando um programa "Peer Helper"
    ou juntando-se a um.
  154. Se aderirem a esses programas,
    sentir-se-ão pessoas diferentes
  155. porque vão perceber o impacto
    que têm noutras pessoas.
  156. Ajudar os outros tem impacto em nós.
  157. Transforma-nos numa pessoa
    de "copo meio cheio"
  158. e cria amizades mais fortes
    com aqueles que mais precisam.
  159. Para além do almoço, ser um "Peer Helper"
    é, de longe, a melhor parte da escola.
  160. Para aqueles que gostam de aprender,
    esperem até ser um "Peer Helper".
  161. Às terças e, por vezes,
    às quintas-feiras, eu ajudo.
  162. Chego à escola muito entusiasmado.
  163. Estou entusiasmado com
    aquela hora em que entro na sala
  164. e digo olá a todos os meus amigos
    que gosto de ajudar.
  165. Ser um "Peer Helper"devia ser
    um privilégio
  166. porque não só estamos a criar impacto
    positivo nos nossos colegas,
  167. como eles também nos ajudam.
  168. Com isso, também construímos
    relações de longa duração.
  169. Por vezes, é um trabalho difícil,
    e nunca ganharemos um troféu
  170. por dizermos que somos
    bons "Peer Helpers".
  171. Mas quem precisa de um troféu
    quando ganhamos um amigo?
  172. Essa é a melhor recompensa.
  173. Ser um "Peer Helper" ajudou-me
    a perceber quem eu sou, enquanto pessoa,
  174. e o meu objetivo, não é só na minha vida,
    mas é também na vida dos outros.
  175. Convido os alunos
    meus colegas, na audiência,
  176. a considerar fortemente
    serem "Peer Helpers".
  177. Vão adorar.
  178. Se não têm esse programa, falem
    com o diretor ou o Conselho de Educação
  179. e façam um, porque
    esses alunos precisam dele.
  180. Quanto aos pais que aqui se encontram,
  181. encorajem os vossos filhos
    a participar nos programas "Peer Helper"
  182. porque bastam sete palavras para mudar
    a vossa vida e a vida de outros,
  183. "Eu gostava de ser um 'Peer Helper'".
  184. Obrigado.
  185. (Aplausos)