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Portuguese, Brazilian subtítols

← Uma maneira de criar uma escola mais inclusiva

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14 llengües

Showing Revision 20 created 11/19/2017 by Leonardo Silva.

  1. No início do quarto ano escolar,
    entrei para o "Peer Helpers".

  2. Peer Helpers é um programa
    de inclusão em que alunos como eu
  3. podem interagir com alunos
    com necessidades especiais.
  4. Quando entrei, esperava tentar algo novo,
  5. porque, em minha escola, havia apenas
    o clube de xadrez e o Peer Helpers.
  6. Minhas opções eram bastante limitadas.
  7. Mas as crianças que ajudavam os colegas
    pareciam estar se divertindo bastante.
  8. Estavam faltando na aula, sentando
    juntos no almoço, e fazendo viagens.
  9. Eu queria entrar nisso, então entrei.
  10. Na época, eu não fazia ideia
    de que acabaria conhecendo alguém
  11. que se tornaria um de meus
    amigos mais próximos:
  12. Henley Hager.
  13. Quando conheci Henley e sua família
    pela primeira vez, foi um desastre.
  14. Eu me lembro bem de falar
    com a sra. Hager pela primeira vez,
  15. e não saber o que dizer.
  16. Foi mais ou menos assim:
  17. "Ei, sra. Hager, estou aqui
    para trabalhar com Henley".
  18. Depois de me apresentar a ela,
    finalmente conheci Henley,
  19. o menino com quem eu iria trabalhar.
  20. No começo, eu não sabia
    o que fazer ou dizer perto dele.
  21. Henley tem autismo grave,
  22. e eu nunca tinha trabalhado
    com niguém assim antes.
  23. Vou ser sincero, não é como chegar lá
    e já nos tornarmos melhores amigos.
  24. Eu estava nervoso pela possibilidade
    de deixá-lo bravo,
  25. ou de fazer algo que o magoasse,
  26. e, como somos sinceros,
  27. estava nervoso porque, como seres humanos,
    tendemos a nos sentir desconfortáveis
  28. com pessoas diferentes de nós.
  29. Apesar de tudo, nos próximos três anos,
  30. toda quarta-feira, eu ia com Henley
    a um programa depois da escola
  31. para experiências sociais e acadêmicas,
  32. tais como se organizar, fazer a lição,
    praticar exercícios físicos, acalmar-se,
  33. ajudando-o a entender o planejado,
  34. sem reclamar quando ele não consegue
    o que quer, e participar de bate-papos.
  35. Mas, pelo tempo que conheço Henley,
    sei o que ele quer fazer:
  36. jogar no computador.
  37. Mas nem sempre podemos fazer isso.
  38. Vou dar outros exemplos
    do que podemos fazer,
  39. como: passear pela pista,
    andar de bicicleta, ou jogar basquete.
  40. Ele responderá com sim ou não,
  41. ou ele chega ao ponto
  42. de perguntar, educadamente,
    se podemos fazer outra atividade.
  43. Ao longo dos anos, o bate-papo
    de Henley melhorou bastante,
  44. não só comigo, mas com cada pessoa
    com quem interage.
  45. Esse é um dos objetivos
    dos programas de inclusão.
  46. Os programas de inclusão beneficiam
    as pessoas porque elas criam amizades,
  47. ampliam a realização
    dos objetivos do programa
  48. e criam maiores oportunidades
    para melhorar a aprendizagem.
  49. Mas, além de tudo isso,
    íamos a lugares divertidos.
  50. Lembro quando Henley e eu
    fomos ao McWane Science Center
  51. em Downtown Birmingham.
  52. Nós nos divertimos observando
    peixes, arraias e tubarões.
  53. Mas imaginem vocês no centro de ciências
  54. ouvindo dois adolescentes morrendo
    de rir, de bobeira, assim do nada.
  55. Henley e eu podemos soltar apenas
    um risinho, e o ataque de risos já começa.
  56. Meu melhor momento é quando estou com ele,
    e sempre espero ansiosamente por isso,
  57. mas, nessa viagem,
    eu não estava como colega dele.
  58. Éramos apenas dois melhores amigos
    saindo e observando tubarões.
  59. Posso falar sobre o quanto
    faço com Henley ou para ele,
  60. mas quero mesmo que ouçam
    o que raramente é mencionado:
  61. o fato de que Henley também me ajudou.
  62. Ele me ajudou a me tornar mais paciente.
  63. Estou trabalhando melhor
    com crianças com deficiência,
  64. e acredito que me tornei mais compreensivo
    com aqueles diferentes de mim.
  65. Interagindo com Henley,
    eu disse que me tornei mais paciente.
  66. Por exemplo, Henley leva mais tempo
    para aprender certos conceitos,
  67. fazer o trabalho escolar
    e responder a certas questões.
  68. Por esse motivo, aprendi
    a repetir sem me sentir frustrado,
  69. ou, pelo menos, sem deixar
    a frustração visível.
  70. Alguém deveria ensinar isso
    para minha mãe.
  71. (Risos)
  72. Mas deixe-me ser claro.
  73. Muitas vezes era frustrante.
  74. Mas você não pode ficar bravo com ele
    porque ele não dificulta de propósito.
  75. Apenas leva o tempo dele
    adequando-se à tarefa
  76. da melhor maneira possível.
  77. Essa compreensão fez de mim uma pessoa
    mais paciente em todos os aspectos.
  78. Além de paciente, eu me tornei melhor
    no trabalho com crianças especiais.
  79. No dia a dia da escola,
  80. a maioria finge que os alunos
    do departamento de educação especial
  81. nem sequer existem.
  82. Eles andam pelos corredores,
    conversam com os amigos
  83. e ignoram aqueles
    com necessidades especiais.
  84. Raramente, as pessoas interagem
    com esses alunos de forma positiva e útil.
  85. Mas aprendi isso interagindo
    com alunos como Henley.
  86. Quando ignoramos pessoas especiais,
    perdemos a chance de um presente.
  87. Do quarto ao sétimo ano escolar,
    trabalhei exclusivamente com Henley,
  88. e essa parceria, essa amizade,
  89. é uma das melhores coisas
    que já aconteceram comigo.
  90. Adoro trabalhar com Henley,
  91. e entrar para o Peer Helper foi
    uma das melhores decisões da minha vida.
  92. Mas, infelizmente, nem todos
    os alunos têm essa oportunidade.
  93. Após pesquisar, fiquei chocado ao saber
    que pessoas com necessidades especiais
  94. não têm colegas suficientes,
    se tiverem, para ajudar na escola delas.
  95. O pior é que nem todas as escolas
    têm professores ou apoio suficiente
  96. para alunos com necessidades especiais.
  97. Preparem-se para esta parte.
  98. Muitos alunos do departamento
    de educação especial
  99. não recebem os serviços
    adequados que merecem.
  100. Dentre as escolas que não prestam
    os serviços adequados a esses alunos,
  101. acredito que o motivo mais comum
    é a falta de recursos ou pessoas,
  102. mas, se elas não conseguem
    se padronizar, são os alunos que sofrem.
  103. Pensem em todas as crianças
    com dificuldades de aprendizagem
  104. e em como precisam de ajuda
    para se desenvolver.
  105. Sem isso, pode ser que não haja
    trabalhos disponíveis para elas,
  106. ou que elas não aprendam as práticas
    necessárias para o mundo de hoje.
  107. A autonomia delas não será desenvolvida,
    nem os relacionamentos serão formados.
  108. Todos esses conceitos
    relacionam-se entre si,
  109. e são coisas que trabalho
    com Henley para melhorar.
  110. Posso dizer que Henley melhorou bastante
    a comunicação pessoal ao longo dos anos,
  111. porque ele tem a sorte
    de morar em uma comunidade
  112. que tem um programa de educação
    especial muito respeitável
  113. com muitos membros da equipe
    e um próspero programa Peer Helper.
  114. Mas, como disse antes,
    a maioria das escolas
  115. não apoia o departamento de educação
    especial de forma adequada,
  116. o que dificulta a essas crianças
  117. tornarem-se a versão
    mais bem-sucedida delas mesmas.
  118. Vamos supor que as escolas comecem a dar
    a ajuda que deveriam a essas crianças,
  119. e que esses alunos prosperem.
  120. Pensem nas possibilidades.
  121. Eles estariam preparados para o trabalho,
    e fortaleceriam as habilidades sociais.
  122. Se as escolas não têm
    professores ou auxiliares suficientes
  123. para os alunos com necessidades especiais,
  124. digo que esse trabalho cabe a nós, alunos.
  125. Os alunos devem assumir a responsabilidade
    e apoiar os colegas de classe.
  126. Todo aluno aqui tem
    a capacidade de ajudar.
  127. A parte mais difícil é atuar no problema,
    mas sei que todos podem.
  128. Uma das maneiras melhores e mais eficazes
  129. de ajudar os departamentos
    de educação especial
  130. é criar um programa Peer Helper
    ou participar de um.
  131. Quando participamos desses programas,
    nós nos sentimos diferentes
  132. porque percebemos
    nosso impacto em outras pessoas.
  133. Porque ajudar os outros nos afeta,
  134. nos transforma em pessoas otimistas
  135. e, essencialmente, estabelece amizades
    mais fortes com aqueles que precisam.
  136. Além do almoço, ajudar os colegas
    é, de longe, a melhor parte da escola.
  137. Para quem gosta de aprender,
    esperem até começar a ajudar.
  138. Ajudo todas as terças e algumas quintas
  139. e, quando chego à escola,
    fico muito animado.
  140. Fico ansioso para chegar
    a hora de entrar na sala
  141. e dizer olá a todos os meus amigos
    que gosto de ajudar.
  142. Ajudar deveria ser
    considerado um privilégio
  143. porque não estamos apenas
    impactando os colegas positivamente,
  144. mas eles também nos ajudam,
  145. e construiremos relacionamentos
    de longa data disso também.
  146. É um trabalho difícil, às vezes,
    e, com certeza, não ganharemos um troféu
  147. dizendo que somos bons colegas.
  148. Mas quem precisa de troféu
    quando ganha um amigo?
  149. Essa é a melhor recompensa.
  150. Participar do Peer Helper me ajudou
    a perceber quem sou como pessoa
  151. e qual é meu propósito, não apenas
    em minha vida, mas também na dos outros.
  152. Desafio meus colegas bolsistas na plateia
    a participarem do programa Peer Helper.
  153. Vocês vão adorar, e se não tiverem um,
  154. falem com o diretor
    ou o Conselho de Educação
  155. e criem um, porque esses alunos
    realmente precisam disso.
  156. Para vocês, pais, que estão me ouvindo,
  157. incentivem seu filho ou sua filha
    a participar desses programas,
  158. porque são necessárias oito palavras
    para mudar sua vida e a dos outros:
  159. "Eu gostaria de me tornar
    um 'peer helper'".
  160. Obrigado.
  161. (Aplausos)