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Showing Revision 15 created 12/23/2019 by Margarida Ferreira.

  1. Nunca esteve nos meus planos
    tornar-me uma ativista ambiental.
  2. Contudo, tudo mudou,
  3. e hoje, estou aqui perante vós
    como ativista ambiental,
  4. pedindo-vos que
    também sigam este caminho.
  5. Eis porque devem fazê-lo,
  6. e, mais importante ainda, como fazê-lo.
  7. Há 10 anos, quando ainda tinha 13 anos,

  8. aprendi o que era o efeito de estufa.
  9. Dedicámos cerca de 90 minutos
    de aula ao tema,
  10. e lembro-me de sentir
    uma enorme frustração
  11. por algo tão fundamental
  12. ser resumido
    a uma única aula de geografia.
  13. Alguma dessa frustração perdurou,
    e ao terminar o ensino secundário
  14. decidi seguir geografia,
  15. para me certificar que me mantinha a par
    quanto a isto da alteração climática.
  16. Foi aí que tudo mudou.

  17. Foi a primeira vez que analisei os dados,
  18. vi a ciência por detrás
    da crise climática,
  19. e não podia acreditar no que lia.
  20. Como tantos de vós,
  21. sabia que o planeta não estava
    no seu melhor estado.
  22. Mas não fazia ideia de que nos dirigíamos
    para esta catástrofe, por nós fabricada,
  23. a um ritmo tão rápido.
  24. Foi também a primeira vez
    que me apercebi da importância
  25. de considerar o panorama geral.
  26. Vejamos, por exemplo,
    a concentração de CO2 na atmosfera,
  27. o maior contribuinte
    para o aquecimento global.
  28. Sim, é medonho.
  29. Deparamo-nos com um terrível historial.
  30. Mas é quando deixamos de considerar
    apenas os últimos 60 anos,
  31. e estudamos os últimos 10 000 anos
  32. que nos apercebemos
    do quão assustadora é a realidade.
  33. E este é apenas um aspeto
    da crise que temos em mãos.
  34. Não vou entrar em grandes detalhes,
    mas eis o que vos posso dizer:
  35. chegámos a um ponto na história
  36. em que a força mais destrutiva no planeta
    é a própria humanidade.
  37. Chegámos a um ponto na história
  38. em que nenhum cientista
    nos pode assegurar
  39. que arranjaremos forma de sobreviver.
  40. Chegámos a um ponto na história
  41. em que a humanidade
    está a criar um ambiente
  42. que já não é seguro para os seres humanos.
  43. Ali estava eu,

  44. no primeiro ano de geografia,
  45. e já completamente perplexa.
  46. Contudo...
  47. nem tudo são más notícias.
  48. No mesmo ano em que aprendi tudo isto,
  49. vários líderes mundiais
    reuniram-se em Paris
  50. para chegar a um acordo
  51. sobre como limitar a subida
    da temperatura a menos de dois graus.
  52. Estas fotos correram o mundo,
  53. e disseram-me
    que tinha sido feita história.
  54. Que alívio, não é verdade?
  55. Contudo...

  56. nem tudo correu como esperado.
  57. Após a assinatura do acordo,
  58. as coisas não melhoraram.
  59. Na verdade, chegaram a piorar bastante.
  60. As indústrias e os responsáveis,
    os líderes mundiais e os políticos,
  61. todos voltaram aos seus negócios,
    como de costume,
  62. explorando os nossos recursos
    como se não houvesse amanhã, literalmente,
  63. construindo sem cessar
    centrais elétricas a carvão,
  64. mesmo sabendo
    que é algo que tem de parar,
  65. segundo o Acordo de Paris.
  66. Foram feitos progressos, claro

  67. — há energia solar e eólica
    por todo o mundo —
  68. mas esta mudança positiva é demorada,
    demasiado demorada, na verdade.
  69. Desde a assinatura do Acordo de Paris,
  70. os gráficos mostram o clima
    na sua corrida até ao topo,
  71. quebram-se recordes ano após ano.
  72. Os cinco anos mais quentes
    jamais registados
  73. foram os últimos cinco anos,
  74. e as emissões mundiais
    nunca estiveram tão elevadas como agora.
  75. Ali estava eu,

  76. por um lado, a estudar
    a ciência inerente a tudo isto,
  77. e por outro, sem ver respostas
    ou tomadas de atitude.
  78. Por essa altura, atingi o meu limite.
  79. Decidi ir à Conferência das Nações Unidas
    sobre Alteração Climática,
  80. uma iniciativa global criada
    para reunir diferentes povos
  81. na resolução desta questão climática
  82. — ou assim achava eu.
  83. Teve lugar há um ano.
  84. Fui à Conferência Climática
    com o intuito de descobrir
  85. como tudo se passava,
    do que se tratava realmente.
  86. Sei que os realistas políticos
    não ficariam surpreendidos,
  87. mas para mim, foi algo difícil de engolir:
  88. as indústrias petrolíferas
    e os líderes mundiais
  89. estão a fazer tudo ao seu alcance
    para evitar mudanças substanciais.
  90. Não estão dispostos a definir
    suficientes objetivos drásticos
  91. para nos manter no percurso
    ao limite máximo de dois graus.
  92. No fim de contas, são os únicos a lucrar
    com a crise climática, não é?
  93. Para a indústria petrolífera,
    é a sua fonte de rendimentos
  94. e, no caso dos líderes políticos,
    estes focam-se nas próximas eleições,
  95. em como manter a popularidade,
  96. o que deve passar por evitar
    fazer perguntas inconvenientes.
  97. Não têm qualquer interesse
    em mudar as regras do jogo.
  98. Não há um único país
    no qual as empresas ou poderes políticos
  99. sejam penalizados por arruinarem o clima.
  100. No meio de tanta estranheza
    e desilusão face à conferência,

  101. surgiu alguém bastante singular,
  102. alguém que realmente parecia preocupar-se,
  103. e esse alguém era Greta Thunberg.
  104. Naquele momento decidi
    que tudo o resto parecia irremediável
  105. e não fazia o menor sentido,
  106. pelo que me juntei à sua greve climática,
    ali mesmo na conferência.
  107. Foi a primeira greve climática
    em que participei
  108. e, ainda para mais,
    num contexto tão peculiar,
  109. apenas eu e ela,
    sentadas no salão de conferências,
  110. rodeadas pela azáfama
    da multidão vestida a rigor
  111. que não fazia ideia
    em como lidar connosco.
  112. Ainda assim, senti mais poder
    naquele momento
  113. do que em qualquer outra coisa
    por mim vivida, há já tanto tempo.
  114. E foi ali que pensei
    que talvez estivesse na hora
  115. de fazer estas greves na Alemanha.
  116. Tinha a certeza que mais ninguém
    estaria disposto a solucionar isto
  117. e perante a ínfima possibilidade
    de poder fazer a diferença,
  118. parecia quase ridículo não tentar.
  119. Então...
  120. (Aplausos)

  121. Então, voltei a Berlim.

  122. Encontrei companheiros
    com a mesma ideologia,
  123. e juntos lutámos para levar avante
    a iniciativa "Fridays for Future".
  124. É óbvio que não fazíamos ideia
    de onde nos estávamos a meter.
  125. Antes da nossa primeira greve,
    muitos de nós, eu incluída,
  126. nunca tínhamos organizado
    uma manifestação pública.
  127. Não tínhamos fundos nem sequer recursos
  128. e não fazíamos ideia
    do que uma greve climática envolvia.
  129. Então, começámos
    por aquilo que fazemos melhor:
  130. começámos a enviar mensagens,
  131. mensagens em massa, noite e dia,
    a todos ao nosso alcance,
  132. organizando a nossa primeira
    greve climática via "WhatsApp".
  133. Na noite da véspera da primeira greve,
    estava tão nervosa que nem preguei olho.

  134. Não sabia o que esperar,
    mas esperava o pior.
  135. Talvez porque não éramos os únicos
  136. a tentar ganhar uma voz
    num ambiente político
  137. que aparentemente se tinha esquecido
    de incluir a perspetiva dos jovens
  138. no processo de tomada de decisões, talvez.
  139. Mas, por alguma razão, o plano funcionou.
  140. E, de um dia para o outro,
  141. estávamos nas bocas do mundo.
  142. E eu, de um dia para o outro,
  143. tornei-me uma ativista ambiental.
  144. Normalmente,

  145. ao estilo da típica palestra TED,
  146. espera-se que eu fale em esperança,
  147. em como os jovens vão acabar
    por resolver o problema,
  148. e como vamos salvar o futuro,
    o planeta e tudo o resto,
  149. como os jovens,
    com as nossas greves climáticas,
  150. vamos arranjar uma solução.
  151. Normalmente.
  152. Mas não é o caso.
  153. Não é o caso nesta crise.
  154. Aqui vai a reviravolta:
  155. hoje, três anos e meio
    após a assinatura do Acordo de Paris,
  156. ao estudarmos os dados,
  157. comprovamos que ainda é possível
    manter o aquecimento global
  158. abaixo dos dois graus,
  159. tecnicamente falando.
  160. Comprovamos também que ainda é possível
    moderar outras casualidades nefastas
  161. como extinções em massa
    e a degradação dos solos
  162. — tecnicamente falando, claro.
  163. Mas é extremamente improvável
    que tal aconteça.
  164. E, em todo o caso,

  165. o mundo ficaria exposto a mudanças
  166. nunca antes vividas.
  167. Até 2050, teríamos de atingir
    a descarbonização completa da economia
  168. e reformular a distribuição de poderes
  169. que atualmente possibilitam
    que titãs petrolíferos e líderes políticos
  170. possam permanecer no topo do mundo.
  171. Falamos, nada mais nada menos,
    da maior transformação
  172. desde a revolução industrial.
  173. Falamos, por outras palavras,
  174. da instauração de uma revolução climática
  175. no menor tempo possível.
  176. Não podemos desperdiçar nem um ano.
  177. E, de qualquer modo,
    para ocorrer uma mudança desta grandeza,

  178. é necessário que o mundo
    deixe de depender
  179. de um, dois ou três milhões
    de greves estudantis.
  180. Sim, somos incríveis,
    continuaremos na nossa demanda,
  181. e vamos continuar a atingir patamares
    e a derrubar expetativas, sim.
  182. Mas nós não somos o limite;
  183. somos o ponto de partida.
  184. Isto não é trabalho para uma só geração.
  185. É trabalho para a humanidade inteira.
  186. E agora tudo depende de vós.
  187. Para que esta mudança se dê,
  188. teremos de resolver um milhão
    de problemas atuais.
  189. Afinal, falamos de algo bastante complexo.
  190. No entanto,
  191. há certas coisas
    que todos podemos começar por fazer.
  192. Primeiro, as más notícias: se esperam
    que vos peça para andarem de bicicleta,

  193. comerem menos carne,
    andar menos de avião
  194. e comprar em segunda mão,
  195. lamento, mas não é assim tão simples.
  196. Agora, as boas notícias:
  197. somos muito mais
    do que consumidores e compradores,
  198. por muito que estas indústrias
    gostassem de nos limitar a isso.
  199. Desenganem-se; eu e vocês
    somos seres políticos,
  200. podemos todos fazer parte da solução.
  201. Podemos todos tornar-nos
    em ativistas ambientais.
  202. Não é?
  203. (Risos)

  204. Por onde começar?

  205. Há quatro primeiros passos,
    essenciais a qualquer outra medida,
  206. quatro passos que qualquer um
    pode começar a fazer,
  207. quatro passos que contêm o poder
    de influenciar tudo o que acontece depois.
  208. E quais são eles?

  209. Em primeiro lugar:

  210. precisamos de reformular a ideia geral
    que temos sobre os ativistas ambientais
  211. e a quem este título diz respeito.
  212. Um ativista ambiental não tem de ser
    alguém que lê todos os estudos
  213. e que passa as suas tardes a entregar
    panfletos sobre o vegetarianismo
  214. em centros comerciais.
  215. Não.
  216. Qualquer pessoa pode ser
    um ativista ambiental,
  217. desde que queira juntar-se
    a um movimento
  218. de quem quer envelhecer num planeta
  219. cuja prioridade seja a defesa
    de ecossistemas naturais
  220. e a felicidade e saúde para todos,
  221. em oposição ao descontrolo do clima
    e à destruição do planeta
  222. como fonte de lucro para alguns.
  223. Visto que a crise climática
    afeta todos os aspetos
  224. da nossa vida social, política e pessoal,
  225. precisamos de ativistas ambientais
    em cada canto possível,
  226. não só em salas como esta,
  227. mas em cada cidade e país,
    estado e continente.
  228. Em segundo lugar:

  229. Preciso que saiam
    dessa zona de conforto,
  230. da mentalidade de fazer negócio
    como se não houvesse amanhã.
  231. Todos vós, aqui presentes,
    têm amigos, uma família,
  232. são funcionários, colegas,
    estudantes, professores,
  233. e, em muitos casos, eleitores.
  234. Tudo isso acarreta responsabilidades
  235. e esta crise exige que as assumam.
  236. Vejam a empresa para que trabalham
  237. ou que vos patrocina.
  238. Está a fazer os possíveis
    para cumprir o Acordo de Paris?
  239. Os vossos círculos regionais sabem
    que se preocupam com esta questão
  240. e que querem vê-la como prioridade
    em cada eleição?
  241. O vosso melhor amigo está a par de tudo?
  242. São leitores assíduos de um dado jornal
    ou até escrevem para um jornal? Ótimo.
  243. Informem-nos que querem ver notícias
    sobre isto em todas as edições,
  244. e que, durante as entrevistas, querem
    perguntas desafiantes sobre o assunto.
  245. Músicos, componham sobre isto.
    Professores, ensinem sobre isto.
  246. Se têm uma conta bancária,
    avisem o vosso banco que a vão fechar
  247. se continuarem a investir
    em combustíveis fósseis.
  248. E, claro, às sextas-feiras,
    já devem estar a par do que devem fazer.
  249. Em terceiro lugar:

  250. Este abandono da zona de conforto
    prova-se mais eficaz se unirmos forças.
  251. Uma única pessoa
    a exigir uma mudança inconveniente
  252. é apenas uma inconveniência.
  253. Mas duas, dez, cem pessoas
    a exigir uma mudança inconveniente
  254. torna-se difícil de ignorar.
  255. Quanto maior for o vosso número,
    mais difícil se torna justificar
  256. um sistema sem futuro.
  257. O poder não é algo
    que se tem ou deixa de se ter.
  258. Poder é algo que se adquire
    ou se entrega a outros,
  259. e que cresce à medida que o partilhamos.
  260. Nós, os jovens nas ruas,
    os estudantes em greve,
  261. somos o exemplo de como isto funciona.
  262. Um único estudante em greve
    não passará disso
  263. — a Greta Thunberg.
  264. Dois, cinco, dez ou mil estudantes
    em greve passa a ser um movimento
  265. e é o que precisamos pelo mundo fora.
  266. Sem pressões.
  267. (Risos)

  268. E por último, em quarto lugar

  269. — e este é talvez o mais importante —

  270. é essencial que comecem
    a levar-se mais a sério.
  271. Se há algo que aprendi
  272. durante sete meses de organização
    de manifestações pelo clima,
  273. é que, se não lutarmos por algo,
  274. é provável que mais ninguém o faça.
  275. As instituições mais poderosas do mundo
  276. não têm qualquer intenção
    de alterar o jogo quando estão a ganhar,
  277. por isso, não vale a pena
    continuar a depender delas.
  278. É assustador, bem sei.
  279. E é uma enorme responsabilidade,
    um enorme fardo para todos, concordo.
  280. Mas isto também demonstra
  281. que, quando queremos,
  282. temos voto na matéria.
  283. Podemos fazer parte da mudança.
    Podemos fazer parte da solução.
  284. E isso também tem a sua beleza, certo?
  285. Então, vamos tentar, vamos a isto,

  286. toca a inundar o mundo
    de ativistas ambientais.
  287. Vamos sair das zonas de conforto,
  288. unir forças e começar
    a levar-nos mais a sério.
  289. Imaginem como seria ter um mundo assim,
  290. onde as crianças podem crescer,
  291. sabendo que o futuro é uma grande aventura
    que podem ansiar
  292. e que não há nada que temer,
  293. imaginem como seria um mundo
    em que a próxima conferência climática
  294. passasse por um enorme
    número de pessoas, reunidas,
  295. movidas pela voz de milhões,
  296. dispostas a arregaçar as mangas,
    prontas para gerar uma mudança verdadeira.
  297. Sabem,

  298. eu sonho com um mundo
  299. onde nas aulas de geografia
    se ensine a crise climática
  300. como um enorme desafio
  301. vencido por pessoas como eu e vós,
  302. que começaram a agir no momento certo,
  303. precisamente porque viram
    que não tinham nada a perder
  304. e tudo a ganhar.
  305. Porque não tentar?

  306. Mais ninguém vai salvar o futuro por nós.
  307. Isto é mais do que um convite.
    Passem a palavra.
  308. Obrigada.

  309. (Aplausos)