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← Como resolver a crise da resistência aos antibióticos? — Gerry Wright

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Showing Revision 5 created 05/31/2020 by Margarida Ferreira.

  1. Antibióticos: silenciosamente,
    dão muito poder à medicina moderna.
  2. Usamo-los para curar doenças infecciosas,
  3. e facilitar com segurança todas as coisas,
    das cirurgias à quimioterapia
  4. e aos transplantes de órgãos.
  5. Sem antibióticos,
  6. até os procedimentos médicos rotineiros
    podem levar a infeções letais.
  7. Mas corremos o risco
    de perder os antibióticos.
  8. Os antibióticos são produtos químicos
    que impedem o crescimento das bactérias.

  9. Infelizmente, há bactérias
    que se tornaram resistentes
  10. a todos os antibióticos
    atualmente disponíveis.
  11. Simultaneamente, deixámos
    de descobrir novos antibióticos.
  12. Apesar disso, há a esperança
    de podermos resolver este problema.
  13. Mas, primeiro, como é
    que chegámos a esta situação?

  14. O primeiro antibiótico,
    amplamente usado, foi a penicilina,
  15. descoberta em 1928 por Alexander Fleming.
  16. No seu discurso de aceitação
    do Prémio Nobel em 1945,
  17. Fleming preveniu
    que a resistência bacteriana
  18. podia arruinar o milagre dos antibióticos.
  19. E tinha razão: nos anos 40 e 50,
  20. começaram a aparecer
    bactérias resistentes.
  21. Daí até aos anos 80,

  22. as empresas farmacêuticas
    combateram o problema da resistência
  23. descobrindo muitos novos antibióticos.
  24. A princípio, tiveram muito êxito
    — e foi um empreendimento muito lucrativo.
  25. Com o tempo, porém, as coisas mudaram.

  26. Os antibióticos recém-descobertos
    com frequência só eram eficazes
  27. para um espectro limitado de infeções,
  28. enquanto os primeiros
    tinham tido uma ampla aplicação.
  29. Isto não é um problema em si mesmo
  30. mas significa que se vendem
    menos doses desses medicamentos
  31. o que os torna menos lucrativos.
  32. Nos primeiros dias, os antibióticos
    eram receitados de forma exagerada,
  33. inclusivamente para infeções virais
    sobre as quais não tinham qualquer efeito.
  34. O escrutínio sobre as receitas aumentou
    — o que foi uma coisa boa —
  35. mas também reduziu as vendas.
  36. Simultaneamente, as empresas
    começaram a desenvolver mais medicamentos
  37. que são tomados por doentes
    durante toda a vida,
  38. como medicamentos para a tensão alta
    e para o colesterol
  39. e, a seguir, medicamentos
    antidepressivos e ansiolíticos.
  40. Como são tomados toda a vida,
    estes medicamentos são mais lucrativos.
  41. Em meados dos anos 80, não foram
    descobertas novas classes de antibióticos.

  42. Mas as bactérias continuaram
    a adquirir resistência e a transmiti-la,
  43. partilhando informações genéticas
    entre bactérias individuais
  44. e até mesmo entre espécies.
  45. Agora são vulgares as bactérias
    resistentes a muitos antibióticos
  46. e há cada vez mais estirpes resistentes
    a todos os medicamentos atuais.
  47. Então, o que é que podemos fazer?

  48. Precisamos de controlar o uso
    dos antibióticos existentes,
  49. criar novos antibióticos,
  50. combater a resistência
    aos medicamentos novos e existentes
  51. e encontrar novas formas
    de combater infeções bacterianas.
  52. O maior consumidor
    de antibióticos é a agricultura
  53. que usa antibióticos
    não só para tratar infeções
  54. mas para promover o crescimento
    de animais para alimentação.
  55. O uso de grandes volumes de antibióticos
  56. aumenta a exposição das bactérias
    aos antibióticos
  57. e, portanto, a oportunidade
    de elas desenvolverem resistência.
  58. As bactérias vulgares em animais,
    como as salmonelas,
  59. também podem infetar os seres humanos
  60. e as versões resistentes a drogas
    podem passar para nós
  61. através da cadeia alimentar
  62. e espalhar-se através
    do comércio internacional
  63. e das redes de transportes.
  64. No que se refere
    à investigação de novos antibióticos,

  65. a Natureza oferece os novos compostos
    mais promissores.
  66. Organismos como outros micróbios e fungos
    que evoluíram ao longo de milhões de anos
  67. para viverem em ambientes competitivos
  68. ou seja, contêm com frequência
    compostos antibióticos
  69. que lhes dão uma vantagem
    de sobrevivência sobre certas bactérias.
  70. Também podemos envolver os antibióticos
    com moléculas que inibam a resistência.

  71. Uma forma de as bactérias desenvolverem
    resistência é através de proteínas suas
  72. que decompõem o medicamento.
  73. Mas, se envolvermos o antibiótico
  74. com moléculas
    que bloqueiem essas proteínas
  75. o antibiótico pode fazer a sua tarefa.
  76. Os fagos, vírus que atacam as bactérias
    mas não afetam os seres humanos

  77. são uma nova via promissora
    para combater infeções bacterianas.
  78. Entretanto, arranjar vacinas
    para infeções vulgares
  79. pode ajudar a evitar doenças.
  80. O maior problema destas abordagens
    são os financiamentos

  81. que são muito desajustados
    por todo o globo.
  82. Os antibióticos são tão pouco lucrativos
  83. que muitas das grandes
    empresas farmacêuticas
  84. deixaram de tentar desenvolvê-las.
  85. Entretanto, empresas mais pequenas
    que colocam novos antibióticos no mercado
  86. vão à falência, com frequência,
  87. como a Achaogen,
    uma "start-up" norte-americana.
  88. Novas técnicas terapêuticas
    como os fagos e as vacinas
  89. enfrentam os mesmos problemas fundamentais
    que os antibióticos tradicionais:
  90. se funcionarem bem,
    são usados apenas uma vez
  91. o que torna difícil ganhar dinheiro.
  92. Para combater a resistência
    com êxito, a longo prazo,
  93. precisamos de usar os novos antibióticos
    com moderação
  94. — o que ainda reduz mais as receitas
    dos seus criadores.
  95. Uma solução é dissociar os benefícios
    do volume de antibióticos vendidos.

  96. Por exemplo, O Reino Unido
    está a testar um modelo
  97. em que os prestadores de cuidados de saúde
    compram uma assinatura para antibióticos.
  98. Embora os governos estejam à procura
  99. de formas de incentivar
    a criação de antibióticos,
  100. estes programas ainda estão
    a dar os primeiros passos.
  101. Os países do mundo inteiro
    vão precisar de muito mais
  102. — mas com investimentos suficientes
    no desenvolvimento de antibióticos
  103. e um uso controlado
    dos atuais medicamentos
  104. ainda podemos vencer a resistência.