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← A marijuana faz mal ao cérebro? — Anees Bahji

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Showing Revision 5 created 02/28/2020 by Margarida Ferreira.

  1. Em 1970, a marijuana foi classificada
    na Lista de Drogas tipo 1, nos EUA:
  2. a designação mais estrita possível,
  3. ou seja, era totalmente ilegal
    e não possuía uso medicinal reconhecido.
  4. Esta classificação persistiu
    durante décadas
  5. e impediu a investigação
    sobre os mecanismos e os efeitos da droga.
  6. Hoje, os benefícios
    terapêuticos da marijuana
  7. são amplamente reconhecidos
  8. e alguns países já legalizaram
    o uso medicinal ou estão em vias disso.
  9. Mas o reconhecimento crescente
    do seu valor medicinal
  10. não responde a uma pergunta:
  11. O uso recreativo da marijuana
    é prejudicial para o cérebro?
  12. A marijuana atua sobre o sistema
    canabinoide do corpo

  13. que tem recetores distribuídos
    pelo cérebro e pelo corpo.
  14. As moléculas nativas no corpo,
    chamadas endocanabinoides,
  15. também atuam sobre esses recetores.
  16. Não conhecemos bem
    o sistema canabinoide,
  17. mas tem uma característica que fornece
    uma boa pista quanto à sua função.
  18. A maioria dos neurotransmissores
    viaja de neurónio em outro
  19. através duma sinapse
    para transmitir uma mensagem.
  20. Mas os endocanabinoides
    viajam na direção oposta.
  21. Quando uma mensagem
    passa de um neurónio para outro,
  22. o neurónio recetor liberta
    endocanabinoides.
  23. Esses endocanabinoides voltam para trás,
    para influenciar o neurónio emissor
  24. dando-lhe um "feedback"
    do neurónio recetor.
  25. Isso leva os cientistas a crer
    que o sistema endocanabinoide
  26. serve principalmente
    para modular outro tipo de sinais
  27. — amplificando uns e diminuindo outros.
  28. O "feedback" dos endocanabinoides
    abranda o ritmo da sinalização neural.

  29. Mas isso não significa que abranda
    o comportamento ou a perceção.
  30. Por exemplo, o abrandamento
    de um sinal que inibe o olfato,
  31. pode tornar os cheiros mais intensos.
  32. A marijuana contém
    dois compostos ativos principais,

  33. o tetra-hidrocanabinol, ou THC
  34. e o canabidiol, ou CBD.
  35. Crê-se que o THC é o principal responsável
    pelos efeitos psicoativos da marijuana
  36. no comportamento,
    na cognição e na perceção,
  37. enquanto o CBD é responsável
    pelos efeitos não psicoativos.
  38. Tal como os endocanabinoides,
  39. o THC abranda a sinalização,
    ligando-se aos recetores canabinoides.
  40. Mas liga-se aos recetores, simultaneamente
    por este sistema difuso e disperso,
  41. enquanto os endocanabinoides
    são libertados num local específico
  42. em resposta a um estímulo específico.
  43. Esta atividade generalizada, aliada
    ao facto de que o sistema canabinoide

  44. afeta indiretamente
    muitos outros sistemas
  45. significa que a genética, a química
    cerebral de cada pessoa em especial,
  46. e a experiência de vida anterior
  47. determina largamente a experiência
    que ela terá com essa droga.
  48. É verdade que, mais com a marijuana
    do que com qualquer outra droga,
  49. isso produz os efeitos através de um
    ou de poucos caminhos específicos.
  50. Assim, os efeitos prejudiciais,
    se os houver,
  51. variam consideravelmente
    de pessoa para pessoa.
  52. Enquanto não soubermos exatamente
  53. como a marijuana produz
    efeitos prejudiciais específicos,
  54. há claramente fatores de risco
    que podem aumentar
  55. a probabilidade de as pessoas
    os experienciarem.
  56. O fator de risco mais nítido é a idade.

  57. Em pessoas com menos de 25 anos,
    os recetores canabinoides
  58. estão mais concentrados na matéria branca
    do que nas pessoas com mais de 25 anos.
  59. A matéria branca está envolvida
    na comunicação,
  60. na aprendizagem, na memória
    e nas emoções.
  61. O uso frequente da marijuana
  62. pode prejudicar o desenvolvimento
    dos tratos da matéria branca
  63. e também afeta a capacidade do cérebro
    de criar novas conexões.
  64. Isso pode prejudicar a capacidade
    de aprendizagem a longo termo
  65. e a resolução de problemas.
  66. Para já, não é claro qual a gravidade
    que esse prejuízo pode ter
  67. ou se é reversível.
  68. Mesmo entre os jovens, o risco
    é tanto maior quanto mais novo se for
  69. — é muito maior para um jovem de 15 anos
    do que para um de 22, por exemplo.
  70. A marijuana também pode causar
    alucinações ou ilusões paranoides.

  71. Conhecida como psicose
    induzida por marijuana,
  72. esses sintomas habitualmente desaparecem
    quando a pessoa deixa de usar marijuana.
  73. Mas, em casos raros,
    a psicose não desaparece,
  74. mas revela uma perturbação
    psicótica persistente.
  75. Uma história familiar
    de perturbações psicóticas,
  76. como a esquizofrenia, é a mais nítida,
  77. embora não seja o único
    fator de risco para este efeito.
  78. A psicose induzida pela marijuana
    também é mais comum entre jovens adultos,
  79. embora seja de notar
    que as perturbações psicóticas
  80. aparecem habitualmente
    à superfície, nestas idades.
  81. O que não é claro nestes casos
    é se a perturbação psicótica
  82. teria aparecido
    sem a utilização da marijuana
  83. ou se é o uso da marijuana
    que a revela mais cedo,
  84. um catalisador para um ponto de rotura
    que não seria detetado de outra forma,
  85. ou se a reação à marijuana
    é apenas uma indicação
  86. duma perturbação subjacente.
  87. Muito provavelmente,
  88. o papel da marijuana
    varia de pessoa para pessoa.
  89. Em qualquer idade, como
    com muitas outras drogas,

  90. o cérebro e o corpo
    tornam-se menos sensíveis à marijuana,
  91. depois de usos repetidos,
  92. significando que é preciso consumir
    mais para atingir os mesmos efeitos.
  93. Felizmente, contrariamente
    a muitas outras drogas,
  94. não há risco de "overdose" fatal
    com a marijuana,
  95. e mesmo um uso excessico
    não leva à debilitação
  96. nem a sintomas de privação
    perigosos, no caso de abandono.
  97. Mas há efeitos mais subtis
    do abandono da marijuana,
  98. incluindo perturbações do sono,
    irritabilidade e comportamento deprimido,
  99. que passam ao fim de poucas semanas
    do abandono do uso.
  100. Então, a marijuana é má
    para o cérebro?

  101. Depende de quem vocês são.
  102. Mas embora alguns fatores de risco
    sejam fáceis de identificar,
  103. há outros que não são bem conhecidos,
  104. o que significa que ainda há possibilidade
    de sofrerem efeitos negativos,
  105. mesmo que não tenham nenhum
    dos fatores de risco conhecidos.