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Showing Revision 9 created 12/09/2019 by Leonardo Silva.

  1. Em 1970, a maconha foi classificada
    como droga de alto risco nos EUA,
  2. a designação mais rigorosa possível,
  3. o que significa que era totalmente ilegal
    e não tinha usos médicos reconhecidos.
  4. Durante décadas, essa visão persistiu
  5. e atrasou a pesquisa sobre
    os mecanismos e efeitos da droga.
  6. Hoje, os benefícios terapêuticos
    da maconha são amplamente reconhecidos,
  7. e algumas nações legalizaram o uso médico
    ou estão seguindo nesse sentido,
  8. mas um reconhecimento crescente
    do valor medicinal da maconha
  9. não responde à pergunta:
  10. o uso recreativo da maconha
    faz mal ao cérebro?
  11. A maconha atua no sistema
    canabinoide do corpo,

  12. que possui receptores
    em todo o cérebro e corpo.
  13. Moléculas naturais do corpo,
    chamadas endocanabinoides,
  14. também atuam sobre esses receptores.
  15. Não entendemos totalmente
    o sistema canabinoide,
  16. mas ele tem um recurso que fornece
    uma grande pista para sua função.
  17. A maioria dos neurotransmissores
    viaja de um neurônio ao outro
  18. por meio de uma sinapse
    para propagar uma mensagem.
  19. Mas os endocanabinoides
    viajam no sentido oposto.
  20. Quando uma mensagem
    passa de um neurônio ao outro,
  21. o neurônio receptor
    libera endocanabinoides.
  22. Esses endocanabinoides retornam
    para influenciar o neurônio emissor,
  23. dando basicamente a resposta
    do neurônio receptor.
  24. Isso leva os cientistas a acreditarem
    que o sistema endocanabinoide
  25. serve principalmente para modular
    outros tipos de sinais,
  26. amplificando alguns e diminuindo outros.
  27. A resposta dos endocanabinoides
    diminui os índices de sinalização neural.

  28. Isso não significa necessariamente
  29. que diminua o comportamento
    ou a percepção.
  30. Por exemplo, diminuir um sinal
    que inibe os odores
  31. poderia, na verdade, intensificá-los.
  32. A maconha contém dois compostos
    ativos principais:

  33. tetrahidrocanabinol, ou THC,
  34. e canabidiol, ou CBD.
  35. Acredita-se que o THC
    seja o principal responsável
  36. pelos efeitos psicoativos da maconha
  37. no comportamento,
    na cognição e na percepção,
  38. enquanto o CBD é responsável
    pelos efeitos não psicoativos.
  39. Como os endocanabinoides,
  40. o THC diminui a sinalização
    ao se ligar aos receptores canabinoides.
  41. Mas ele se liga de uma só vez a receptores
    em todo esse sistema difuso e vasto,
  42. enquanto os endocanabinoides
    são liberados em um local específico
  43. em resposta a um estímulo específico.
  44. Essa atividade generalizada, associada
    ao fato de que o sistema canabinoide

  45. afeta indiretamente
    muitos outros sistemas,
  46. significa que a genética,
    a química cerebral
  47. e a experiência anterior
    de vida de cada pessoa
  48. determinam, em grande parte,
    como ela experimenta a droga.
  49. Isso é verdade muito mais com a maconha
    do que com outras drogas
  50. que produzem seus efeitos por meio de um
    ou alguns caminhos específicos.
  51. Portanto, os efeitos nocivos, se houver,
  52. variam consideravelmente
    de pessoa para pessoa.
  53. Embora não saibamos
    exatamente como a maconha
  54. produz efeitos nocivos específicos,
  55. existem fatores de risco claros
  56. que podem aumentar a probabilidade
    das pessoas de experimentá-la.
  57. O fator de risco mais claro é a idade.

  58. Em pessoas com menos de 25 anos,
  59. os receptores de canabinoides estão
    mais concentrados na substância branca
  60. do que em pessoas com mais de 25 anos.
  61. A substância branca
    está associada a comunicação,
  62. aprendizado, memória e emoções.
  63. O uso frequente de maconha
  64. pode interferir no desenvolvimento
    das regiões da substância branca
  65. e também afetar a capacidade do cérebro
    de desenvolver novas conexões.
  66. Isso pode prejudicar a capacidade
    de aprendizagem a longo prazo
  67. e a solução de problemas.
  68. Por enquanto, não está clara a gravidade
    desse dano ou se ele é reversível.
  69. Mesmo entre os jovens,
    quanto mais jovem, maior é o risco,
  70. muito maior para alguém com 15 anos
    do que para alguém com 22, por exemplo.
  71. A maconha também pode causar
    alucinações ou ilusões paranoicas.

  72. Conhecidos como psicose
    induzida por maconha,
  73. esses sintomas geralmente diminuem
    quando uma pessoa para de usar maconha.
  74. Mas, em casos raros,
    a psicose não diminui.
  75. Em vez disso, revela
    um transtorno psicótico persistente.
  76. Um histórico familiar de transtornos
    psicóticos, como a esquizofrenia,
  77. é o fator de risco mais claro,
    embora não seja o único, para esse efeito.
  78. A psicose induzida por maconha
    também é mais comum entre adultos jovens,
  79. embora seja importante notar
    que os transtornos psicóticos
  80. surgem geralmente nessa faixa etária
    de qualquer maneira.
  81. O que não está claro nesses casos
  82. é se o transtorno psicótico
    teria aparecido sem o uso da maconha -
  83. se o uso dela o desencadeia cedo,
  84. é um catalisador para um momento crítico
  85. que não teria sido
    atravessado de outra forma -
  86. ou se a reação à maconha
  87. é apenas uma indicação
    de um transtorno oculto.
  88. Em todas as probabilidades,
  89. o papel da maconha
    varia de pessoa para pessoa.
  90. Em qualquer idade,
    como em muitas outras drogas,

  91. o cérebro e o corpo tornam-se
    menos sensíveis à maconha
  92. após o uso repetido,
  93. o que significa que é preciso mais
    para obter os mesmos efeitos.
  94. Felizmente, ao contrário
    de muitas outras drogas,
  95. não há risco de overdose
    fatal por maconha,
  96. e mesmo o uso pesado não leva
    a sintomas de abstinência debilitantes
  97. ou com risco de vida
    se o uso for interrompido.
  98. Porém existem formas mais sutis
    de abstinência de maconha,
  99. inclusive distúrbios do sono,
    irritabilidade e humor abatido,
  100. que passam algumas semanas
    após a interrupção do uso.
  101. Então, a maconha faz mal ao cérebro?

  102. Depende de quem você é.
  103. Porém, embora alguns fatores de risco
    sejam fáceis de identificar,
  104. outros não são bem compreendidos,
  105. o que significa que ainda há possibilidade
    de haver efeitos negativos,
  106. mesmo se você não tiver
    nenhum dos fatores de risco conhecidos.