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← Precisamos monitorar a água do mundo assim como monitoramos o clima

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21 llengües

Showing Revision 69 created 09/25/2019 by Maricene Crus.

  1. Precisamos criar um serviço
    meteorológico para a água.
  2. No entanto, até exigirmos
    coletivamente uma responsabilização,
  3. não haverá incentivos para financiá-lo.
  4. A primeira vez que falei numa conferência
    foi aqui no TED, oito anos atrás.

  5. Recém-saído da faculdade, mal sabia eu,
  6. naqueles poucos minutos no palco,
  7. que estava concebendo as perguntas
    que me seriam feitas na década seguinte.
  8. E, como muitos de 20 e poucos anos,
  9. esperava resolver os problemas do mundo,
  10. mais especificamente,
    nossos problemas hídricos,
  11. com a minha tecnologia.
  12. Tinha muito o que aprender.
  13. Era sedutor

  14. acreditar que nossos maiores problemas
    de qualidade da água persistem
  15. porque são muito difíceis de identificar.
  16. E eu presumi
  17. que precisávamos de sensores
    mais simples, rápidos e acessíveis.
  18. Eu estava errado.
  19. Embora seja verdade que gerenciar
    o risco hídrico de amanhã
  20. exigirá melhores dados e mais tecnologia,
  21. hoje mal usamos os poucos dados que temos.
  22. Nossos maiores problemas hídricos
    persistem por causa do que não fazemos
  23. e do que deixamos de reconhecer.
  24. Há pouco questionamento
  25. sobre o que os dados atuais da água
    nos dizem para fazer como humanos:
  26. precisamos economizar mais e poluir menos.
  27. Mas os dados de hoje não nos ajudarão
    a prever os riscos emergentes
  28. voltados a negócios e mercados.
  29. Eles estão se tornando inúteis para isso.
  30. Costumavam ter mais valor,
  31. mas nunca nos disseram com precisão real
  32. quanta água temos ou o que há nela.
  33. Vamos considerar a última década
    de estatísticas de uso de água

  34. de cada uma das nações do G20.
  35. O que esses números não dizem
  36. é que nenhum desses países
    mede diretamente quanta água usam.
  37. São só estimativas baseadas
    em modelos desatualizados
  38. que não consideram a crise climática,
  39. nem o impacto dela na água.
  40. Em 2015, Chennai,
    a sexta maior cidade da Índia,

  41. foi atingida pelas piores
    inundações do último século.
  42. Hoje, os reservatórios de água
    de lá estão quase secos.
  43. Bastaram três anos para chegar aqui,
  44. três anos de chuvas abaixo da média.
  45. Isso é mais rápido do que a maioria das
    nações tabula os dados nacionais de água,
  46. incluindo os EUA.
  47. E embora houvesse previsões
  48. da severa escassez de água em Chennai,
  49. nenhuma delas ajudou a identificar
    exatamente quando ou onde
  50. isso ia acontecer.
  51. Este é um novo tipo de problema hídrico,
  52. porque a taxa em que todos os aspectos
    do nosso ciclo da água muda
  53. está se acelerando.
  54. Como um recente aviso da ONU revelou,
  55. estamos enfrentando agora uma nova
    emergência climática a cada semana.
  56. Há maiores incertezas
    pela qualidade da água.

  57. É raro na maioria dos países que boa parte
    das massas de água seja testada
  58. por mais de um punhado
    de contaminantes num ano.
  59. Em vez de testar, usamos
    o chamado "modelo de diluição"
  60. para gerenciar a poluição.
  61. Imaginem uma piscina olímpica,
  62. eu a encho com água fresca
    e adiciono uma gota de mercúrio.
  63. Isso dilui uma parte
    por bilhão de mercúrio,
  64. o que é considerado como seguro
    pela Organização Mundial de Saúde.
  65. Mas se houvesse uma queda imprevista
    da água disponível;
  66. menos água subterrânea,
    fluxo de água e água na piscina;
  67. ocorreria menos diluição
    e a água ficaria mais tóxica.
  68. É assim que a maioria dos países
    está gerenciando a poluição.
  69. Usam esse modelo para dizer
    o quanto de poluição é seguro.
  70. E ele tem fraquezas evidentes,
  71. mas funcionava bem quando
    havia água em abundância
  72. e padrões climáticos consistentes.
  73. Agora que não temos mais,
    precisaremos investir e desenvolver
  74. novas estratégias de coleta de dados.
  75. Mas antes, temos que começar a agir
    com base nos dados que já temos.
  76. Isto é um incêndio
    de combustível de avião.

  77. Como muitos de vocês devem saber,
  78. as emissões desse combustível têm
    um papel enorme nas mudanças climáticas.
  79. O que vocês talvez não saibam
    é que o Departamento de Defesa dos EUA
  80. é o maior consumidor mundial
    de combustível para aviação.
  81. E quando consome esse combustível,
  82. ele exige o uso da espuma
    de combate a incêndios mostrada aqui,
  83. que contém uma classe
    de produtos químicos chamada PFAS.
  84. Ninguém usa mais dessa espuma
    do que o Departamento de Defesa dos EUA,
  85. e toda vez que ela é usada,
    o PFAS entra nos sistemas de água.
  86. Globalmente, os militares usam
    essa espuma desde a década de 1970.
  87. Sabemos que o PFAS causa câncer,
    defeitos congênitos,
  88. e agora é tão difundido no ambiente
  89. que parece estar presente em quase
    todos os seres vivos que testamos,
  90. incluindo nós.
  91. Mas até agora,
  92. o Departamento de Defesa dos EUA não foi
    responsabilizado por essa contaminação,
  93. nem considerado responsabilizável.
  94. E embora haja um esforço em andamento
    para eliminar gradualmente essas espumas,
  95. não estão adotando alternativas
    mais seguras e eficazes.
  96. Na verdade, estão usando
    outras moléculas de PFAS
  97. que, pelo que sabemos, podem ter
    consequências piores para a saúde.
  98. Hoje, a responsabilização do governo
    está diminuindo até o ponto de eliminação

  99. e o risco de responsabilidade
    por poluição da água está desaparecendo.
  100. Que tipo de incentivos isso cria
    para investir em nosso futuro hídrico?
  101. Na última década,
    o investimento global médio
  102. em empresas de tecnologia
    da água em estágio inicial
  103. foi de menos de US$ 30 milhões por ano.
  104. Isso representa 0,12% do capital de risco
    global para empresas em estágio inicial.
  105. E os gastos públicos não estão
    subindo rápido o suficiente.
  106. Uma análise mais detalhada revela
    que a água não é uma prioridade.
  107. Em 2014, o governo federal dos EUA
    estava gastando US$ 11 por cidadão
  108. em infraestrutura hídrica,
  109. versus US$ 251 em infraestrutura de TI.
  110. Quando não usamos os dados que temos,
  111. não incentivamos o investimento
    em novas tecnologias,
  112. nem em mais coleta de dados e, certamente,
  113. não incentivamos investimentos
    para garantir o futuro da água.
  114. Então, estamos condenados?

  115. Parte do que ainda estou aprendendo
  116. é equilibrar a catástrofe e urgência
    com as coisas que podemos fazer,
  117. porque Greta Thunberg
    e a "Rebelião da Extinção"
  118. não querem esperança,
    querem ação de nossa parte.
  119. Então o que nós podemos fazer?

  120. É difícil imaginar a vida
    sem um serviço meteorológico,
  121. mas antes da previsão do tempo moderna,
  122. não tínhamos viagens aéreas comerciais,
  123. era comum os navios se perderem no mar
  124. e uma única tempestade podia
    causar escassez de alimentos.
  125. Depois das redes de rádio e telégrafo,
  126. para resolver esses problemas,
    era apenas necessário
  127. rastrear o movimento das tempestades.
  128. E isso estabeleceu a base
    para um esforço global de coleta de dados,
  129. da qual toda família
    e empresa dependem hoje.
  130. Foi o resultado tanto de uma coleta
    coordenada e consistente de dados,
  131. como de uma cultura que viu maior valor
  132. em avaliar e compartilhar abertamente
    tudo o que se poderia saber e descobrir
  133. sobre os riscos que enfrentamos.
  134. Um serviço climático global para a água
    nos ajudaria a prever a escassez hídrica.

  135. Poderia ajudar a realizar o racionamento
    bem antes dos reservatórios secarem.
  136. Assim como detectar a contaminação
    antes que ela se espalhasse.
  137. Poderia proteger a cadeia de suprimentos,
  138. nossos suprimentos de alimentos
  139. e, talvez o mais importante,
  140. permitiria a estimativa precisa do risco
    necessário para nos assegurar contra isso.
  141. Sabemos que podemos fazê-lo,
    pois já fizemos isso com o clima.

  142. Mas isso vai exigir recursos.
  143. Precisamos incentivar
    um maior investimento em água.
  144. Investidores, capitalistas de risco:
  145. uma parte dos fundos e portfólios
    deve ser dedicada à água.
  146. Nada é mais valioso
  147. e, afinal, as empresas precisarão
    entender os riscos hídricos
  148. para permanecerem competitivas
    no mundo em que estamos entrando.
  149. Além do capital de risco,
  150. também existem muitos programas
    governamentais promissores
  151. que estimulam o desenvolvimento econômico
    por meio de incentivos fiscais.
  152. Minha empresa está usando
    uma nova opção nos EUA,

  153. chamada de zonas de oportunidade.
  154. Oferece tratamento tributário favorável
    ao investimento em ganhos financeiros
  155. em áreas designadas afetadas
    e de baixa renda.
  156. Essas são áreas que também enfrentam
    um risco hídrico impressionante,
  157. então isso cria incentivos cruciais
    para trabalhar com as comunidades
  158. que mais precisam de ajuda.
  159. E se você não está buscando
    esse tipo de investimento,

  160. mas possui terras nos EUA,
  161. será que você sabe que pode
    potencializar sua terra
  162. conservando a qualidade
    da água permanentemente
  163. com uma servidão de conservação?
  164. Dá para atribuir o direito
    perpétuo a um fundo local
  165. para conservar a sua terra e definir metas
    específicas de qualidade da água.
  166. E se você atingir essas metas,
  167. pode ser recompensado com uma dedução
    substancial de imposto a cada ano.
  168. Quantas áreas nossa comunidade
    global poderia proteger

  169. através destes e de outros programas?
  170. Eles são poderosos porque
    oferecem acesso a propriedades
  171. necessárias para estabelecer a base para
    um serviço climático global para a água.
  172. Mas só pode funcionar se usarmos
    esses programas como são destinados
  173. e não como veículos de evasão fiscal.
  174. Quando a servidão de conservação surgiu,
  175. ninguém poderia prever
    o quanto os poluidores corporativos
  176. se tornariam arraigados
    a movimentos ambientais.
  177. E nos acostumamos a empresas
    que falam sobre a crise climática
  178. enquanto não fazem nada a respeito.
  179. Isso prejudicou o legado
    e o impacto desses programas,
  180. mas também os amadurece para regeneração.
  181. Por que não usar servidões de conservação
    como elas foram planejadas,
  182. para definir e alcançar metas
    ambiciosas de conservação?
  183. Por que não criar oportunidades
    em zonas de oportunidade?
  184. Porque, fundamentalmente, a segurança
    da água requer responsabilização,
  185. o que não significa "empresas poluidoras
    patrocinando grupos ambientais e museus".
  186. Esses são conflitos de interesse.
  187. (Aplausos)

  188. A responsabilização é

  189. tornar o risco demasiadamente caro
  190. para continuar poluindo
    e desperdiçando nossa água.
  191. Não podemos continuar nos contentando
    com palavras. Está na hora de agir.
  192. E ninguém melhor para começar
    do que os maiores poluidores,
  193. particularmente o Departamento de Defesa
    dos EUA, financiado pelos contribuintes.
  194. Quem e o que estão protegendo quando
    soldados norte-americanos e suas famílias
  195. e as pessoas que vivem perto
    de bases militares dos EUA no exterior
  196. estão bebendo água tóxica?
  197. A segurança global não pode continuar
    em desacordo com a proteção do planeta
  198. ou da nossa saúde coletiva.
  199. Nossa sobrevivência depende disso.
  200. Do mesmo modo,

  201. a agricultura em muitos países depende
    de subsídios pagos pelos contribuintes
  202. aos agricultores para garantir
    e estabilizar o suprimento de alimentos.
  203. Esses incentivos são um ponto
    de alavancagem crucial para nós,
  204. porque a agricultura é responsável
    pelo consumo de 70% de toda a água
  205. que usamos todos os anos.
  206. O escoamento de fertilizantes e pesticidas
  207. são as duas maiores fontes
    de poluição da água.
  208. Vamos reestruturar esses subsídios
    para exigir melhor eficiência da água
  209. e menos poluição.
  210. (Aplausos)

  211. Por fim,

  212. não podemos esperar progresso
  213. se não enfrentarmos
    os conflitos de interesse
  214. que suprimem a ciência,
  215. minam a inovação
  216. e desencorajam a transparência.
  217. É de interesse público
  218. medir e compartilhar tudo
    o que podemos aprender e descobrir
  219. sobre os riscos hídricos que enfrentamos.
  220. A realidade não existe até ser medida.
  221. Não é preciso só tecnologia para medi-la.
  222. É preciso nossa vontade coletiva.
  223. Obrigado.

  224. (Aplausos)