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← Expedição aos recifes para os educadores | Academia de Ciências da Califórnia

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18 llengües

Showing Revision 9 created 10/22/2019 by Margarida Ferreira.

  1. Os recifes de coral
    dão cor ao nosso mundo.
  2. A sua beleza cativa-nos.
  3. A sua diversidade encanta-nos.
  4. Nós criamos aquários
    para abrigar estes tesouros.
  5. Mas o seu maior valor está
    no mundo natural.
  6. Aqui, perto de Devil's Point,
    nas Filipinas,
  7. nós estamos imersos num dos ecossistemas
    mais diversificados do planeta,
  8. um sistema que aproveita a energia do Sol
  9. através duma colaboração única
    entre animais e algas.
  10. Um sistema que sustenta
    milhares de espécies
  11. utilizando eficazmente
    nutrientes muitas vezes escassos.
  12. Escondidos nestes recantos e fendas,
    encontramos imensos organismos,
  13. numa complexa rede de ligações.
  14. Uma moreia recebe um pouco de ajuda
    dos seus amigos,
  15. — um exame para limpeza dental
    de um camarão e de um bodião.
  16. Comem pequenos parasitas
    que podem fazer adoecer a moreia.
  17. Uma relação mútua benéfica para ambos.
  18. Nem todas as interações funcionam tão bem.
  19. Uma estrela-do-mar coroa-de-espinhos
    devora os corais,
  20. reduzindo-os a esqueletos brancos.
  21. Um pequeno caranguejo-trapézio
    defende bem a sua casa de coral
  22. desta criatura muito maior.
  23. E um nudibrânquio de cores vivas
  24. alimenta-se das esponjas
    que crescem no recife.
  25. As suas cores avisam os predadores
    para se manterem à distância
  26. — os químicos ingeridos pelo nudibrânquio
    tornam-no venenoso.
  27. Observamos estas espécies e muitas outras
  28. mas não conseguimos ver todas as relações
  29. que as interligam entre si.
  30. O mais importante é que fazem parte
    duma rede alimentar
  31. que sobrepõe as ligações
    entre produtores e consumidores,
  32. predadores e presas.
  33. Os seres humanos também fazem parte
    desta rede alimentar.
  34. Os recifes de coral sustentam
    redes alimentares mais complexas
  35. do que qualquer outro local do planeta.
  36. O que é que torna estes locais especiais?
  37. Vamos partir das Filipinas
  38. para explorar onde encontramos
    recifes no globo.
  39. Embora os recifes sustentem um quarto
    das espécies do oceano,
  40. cobrem muito menos de um por cento
    da área dos oceanos.
  41. Os recifes de coral florescem
    nas partes do globo
  42. que recebem mais luz do Sol.
  43. O Equador da Terra divide o nosso planeta
  44. nos hemisférios norte e sul
  45. e há uma faixa em volta do Equador
    — até aos trópicos —
  46. que recebe luz solar consistente
    durante todo o ano.
  47. Os recifes de coral alinham-se
    num terço das costas tropicais.
  48. Esta parte do nosso mundo
    recebe a maior parte de energia
  49. da nossa estrela, o Sol.
  50. Essa energia alimenta as redes
    alimentares dos recifes de coral
  51. e sustenta a espantosa diversidade
    dos ecossistemas dos recifes.
  52. Os recifes de coral são as maiores
    estruturas criadas por animais
  53. e assumem três formas básicas:
  54. barreiras de recifes,
    recifes costeiros e atóis.
  55. A Grande Barreira de Coral da Austrália
    é o maior recife do mundo.
  56. Uma barreira de recifes
    segue a linha da costa
  57. com lagoas que separam o recife da costa.
  58. Aqui, em Curaçao, ao largo da costa
    da América do Sul,
  59. vemos um recife costeiro, que cresce
    diretamente a partir da linha costeira,
  60. formando uma fronteira ao longo da costa.
  61. Este é o Atol de Ant
    no Oceano Pacífico ocidental.
  62. Um atol forma-se quando uma ilha vulcânica
    se afunda sob o nível do mar,
  63. deixando um anel de corais.
  64. Todos estes recifes
    são criados por animais
  65. que captam a energia do Sol
    para fazer rocha a partir da água.
  66. Este recife filipino inclui
    muitas espécies de corais vivos.
  67. Os delicados corais moles
    são mais vulgares
  68. mas são sobretudo os corais pétreos
    que constroem recifes.
  69. Fazem este trabalho há mais
    de cem milhões de anos.
  70. Para percebermos como os corais
    constroem os recifes,
  71. precisamos de ver como é que eles vivem.
  72. Cada coral é formado
  73. por uma colónia de minúsculos animais
    chamados pólipos de coral.
  74. Tal como todos os animais, comem.
  75. Um pólipo captura a sua presa.
  76. Semelhante ao ferrão do seu parente,
    a medusa,
  77. o coral arpoa a sua refeição
  78. com ganchos microscópicos
    libertados dos seus tentáculos.
  79. O pólipo depois arrasta o copépode
    para a boca e digere-o.
  80. Esta refeição proporciona
    uma importante fonte de energia.
  81. Mas a maior parte da energia dos corais
    provém dum sítio muito diferente.
  82. Temos de os observar
    com mais atenção para o descobrir.
  83. As camadas internas do tecido do pólipo
    fornecem abrigo para algas
  84. chamadas zooxantelas.
  85. São estas algas que dão a cor ao coral
  86. mas, mais importante, captam a luz do Sol
  87. através de um processo
    chamado fotossíntese.
  88. As algas que vivem dentro do coral
    transformam a luz do Sol
  89. em açúcares e aminoácidos
    ricos em energia.
  90. Os corais absorvem mais de 90%
    desse combustível.
  91. Em troca, as algas dependem
    dos dejetos dos pólipos,
  92. como fonte de nutrientes.
  93. Esta reciclagem eficaz permite
  94. que os corais floresçam
    em águas tropicais,
  95. onde a competição intensa
    pode tornar difícil encontrar nutrientes.
  96. Espreitemos o interior de um pólipo
  97. para ver como ele ajuda
    a construir um recife.
  98. Retira o carbono das algas
    e da água do mar
  99. e transforma-o em carbonato de cálcio.
  100. Quando respiramos, exalamos
    dióxido de carbono
  101. — todos os animais fazem o mesmo,
    incluindo os corais
  102. Mas o carbono deles combina-se
    com o cálcio do oceano
  103. e cria carbonato de cálcio.
  104. Os corais usam este composto calcário
    para construir os seus esqueletos.
  105. Os pólipos de corais pétreos afastam-se
    da superfície em que residem
  106. depois preenchem os intervalos
    com carbonato de cálcio.
  107. Com a repetição infindável deste processo
  108. ajudam a construir recifes inteiros.
  109. Os corais podem construir um recife
    a um ritmo de vários centímetros por ano.
  110. Se acelerarmos o tempo,
  111. podemos ver crescer
    a comunidade de corais,
  112. enquanto os indivíduos competem
    pelos recursos no recife.
  113. Este processo, contínuo e lento,
    pode prolongar-se por muito tempo.
  114. Algumas estruturas de recifes
    têm centenas de anos.
  115. As correntes oceânicas e outros fatores
    alteram a forma dos corais.
  116. As mesmas espécies podem
    ter aspetos muito diferentes
  117. consoante coisas tão simples
  118. como a rapidez com que a água se move.
  119. Chamamos a este atributo a plasticidade.
  120. A reação flexível dos corais
    ao seu ambiente
  121. ajuda-os a adaptarem-se
    a um mundo em mudança.
  122. E, embora conheçamos melhor
  123. os recifes coloridos, de águas baixas,
    que temos visitado até aqui,
  124. sabemos que os recifes se estendem
    muito abaixo destes reinos solarengos.
  125. Os exploradores
    da Academia de Ciências da Califórnia
  126. estudam estes recifes profundos
  127. numa região a que chamamos
    a Zona da Penumbra.
  128. Ao contrário dos recifes de águas baixas,
    os corais aqui sobrevivem com pouca luz.
  129. Sem a abundante energia solar,
    os corais comem mais,
  130. consomem pequenos animais
    que se refugiam nessas profundezas
  131. para escapar aos predadores lá de cima.
  132. A plasticidade dos corais
    é-lhes de grande utilidade
  133. neste ambiente com pouca luz.
  134. Algumas espécies adaptaram pigmentos
  135. usados como protetores
    solares, lá em cima,
  136. tornando-os fluorescentes
    nestas profundidades.
  137. Os pigmentos ajustam a luz fraca em cores
  138. que as algas podem usar
    para a fotossíntese.
  139. Os cientistas mergulham a profundidades
    cinco vezes maiores
  140. do que um mergulhador usual,
  141. para examinarem estes recifes
    que raramente são vistos.
  142. Cada visita revela novas descobertas.
  143. Estes ctenóforos bentónicos, por exemplo.
  144. As pequenas medusas pegajosas
    agarram-se a linhas de pesca abandonadas,
  145. estendendo longos tentáculos finos
  146. para apanhar as presas
    e prendê-las rapidamente.
  147. Casa expedição encontra pistas
  148. para conservar e restaurar
    estes ecossistemas.
  149. Profundos ou em águas baixas,
    estes recifes habitam num vasto oceano.
  150. Estão interligados pela geografia
    do fundo do mar
  151. e pelas correntes que os percorrem.
  152. Os corais migram nas correntes oceânicas
  153. que transportam os ovos
    e as larvas para novas casas,
  154. enriquecendo os recifes
    ao longo do caminho.
  155. Também a humanidade está interligada
    a este mundo submarino.
  156. Tal como os corais dependem
    das algas para sobreviver,
  157. os seres humanos dependem dos recifes.
  158. Quinhentos milhões de pessoas
    dependem dos recifes de coral
  159. para se alimentarem e obterem receitas.
  160. Muitos aprenderam a aproveitar
    o tesouro dos recifes, de modo sustentado
  161. de forma a manter saudáveis
    os ecossistemas dos recifes.
  162. Mas os recifes fornecem
    mais do que comida.
  163. Também fornecem proteção.
  164. Os furacões, os tufões e os ciclones
    formam-se sobre o oceano tropical
  165. por vezes, provocando graves danos
    quando atingem a terra.
  166. Em 2017, o ciclone tropical Debbie
    atingiu o nordeste da Austrália,
  167. como se vê aqui em imagens por satélite.
  168. Os satélites despistam tempestades
    tropicais durante muitas estações
  169. por isso, podemos acelerar o tempo
    para observar os seus movimentos.
  170. As linhas mais escuras indicam
    tempestades mais intensas.
  171. Os recifes saudáveis protegem
    a terra dos efeitos prejudiciais
  172. dessas tempestades tropicais.
  173. Aqui vemos a Barreira
    de Recifes Mesoamericana,
  174. o maior recife de corais
    do Oceano Atlântico.
  175. Quando o furacão Dean atingiu
    a Península do Iucatão,
  176. no México, em 2007,
  177. o recife ajudou a proteger
    a linha costeira.
  178. Os cientistas criaram uma simulação
    em computador
  179. para perceber como é que isso funciona.
  180. Os recifes dissipam a energia das ondas
  181. — reduzindo a altura das ondas
    e abrandando a água
  182. antes de elas embaterem na costa.
  183. Por todo o mundo, os recifes protegem
    centenas de milhões de pessoas
  184. que vivem em comunidades costeiras.
  185. Precisamos de garantir
    a saúde dos recifes de coral
  186. para gozar dos seus benefícios.
  187. Aqui, nas Caraíbas,
  188. os recifes têm sofrido
    com décadas de pesca excessiva
  189. e os seres humanos continuam
    a exercer impacto
  190. nos recifes por todo o planeta.
  191. O desenvolvimento na terra
    pode criar escoamentos para o oceano
  192. que sufocam os recifes de coral.
  193. Os poluentes, como o plástico
    e os pesticidas,
  194. podem piorar ainda mais os problemas.
  195. Para além destes problemas locais,
    os recifes enfrentam ameaças globais.
  196. O aumento das temperaturas do mar
    e a acidificação do oceano
  197. ameaçam os recifes.
  198. A queima do carvão e do petróleo
    e de outros combustíveis fósseis
  199. introduz o dióxido de carbono
    na atmosfera da Terra,
  200. capturando o calor e aquecendo o planeta,
    incluindo os oceanos.
  201. As águas baixas das Caraíbas
  202. aquecem mais rapidamente
    do que a profundidade do oceano,
  203. por isso, os recifes sofrem os efeitos
    do aquecimento mais profundamente.
  204. Vamos visitar o recife
    costeiro de Curaçao,
  205. onde podemos testemunhar
    esses efeitos, diretamente
  206. e também saber
    o que os cientistas estão a fazer
  207. para ajudar a garantir
    a sobrevivência dos recifes.
  208. Os recifes de águas baixas
  209. são especialmente sensíveis
    ao aumento da temperatura.
  210. O aquecimento da água pode provocar
    o branqueamento dos corais
  211. quando toda uma colónia de pólipos
    de corais perde a sua cor.
  212. Visitemos um pólipo individual
    para ver como é que isso acontece.
  213. Demasiada luz ou demasiado calor
    faz com que as algas do coral
  214. libertem químicos
    que prejudicam o hospedeiro.
  215. O coral sob tensão expulsa as algas,
  216. sacrificando assim a sua fundamental
    fonte de energia,
  217. tal como um sistema imunitário
    exageradamente reativo.
  218. Como os corais perdem a sua cor natural
    quando perdem as suas algas,
  219. chamamos a isto branqueamento dos corais.
  220. Os corais embranquecidos estão doentes,
    mas não estão mortos.
  221. As algas podem voltar a colonizar
    os corais embranquecidos
  222. se as condições melhorarem
    com rapidez suficiente.
  223. Os corais embranquecidos
    podem recuperar.
  224. E alguns corais parecem ser resistentes
    ao branqueamento.
  225. Estes sobreviventes — quer sejam
    os animais ou as suas algas
  226. ou uma combinação dos dois —
  227. podem fornecer ajuda aos corais
    menos resistentes.
  228. Mas a recuperação leva tempo,
  229. muito tempo quando retardada
    pela acidificação do oceano
  230. — outro resultado do excesso
    do dióxido de carbono na atmosfera
  231. Estas colónias podem levar anos
    ou décadas a recuperar,
  232. por isso precisamos de arranjar
    formas de acelerar a sua recuperação.
  233. Vejamos o ecossistema de recifes de coral
    de uma forma diferente.
  234. Cada espécie tem o seu código genético
    — um livro de instruções moleculares
  235. que varia ligeiramente
    de um indivíduo para outro.
  236. Algumas passagens proporcionam
    estratégias de sobrevivência
  237. para um mundo em mudança.
  238. Quando os animais se reproduzem,
    partilham essas instruções
  239. que podem levar a uma descendência
    com maior êxito.
  240. Cada indivíduo que desaparece é um volume
    da biblioteca genética da espécie
  241. que se perde para sempre.
  242. É por isso que é importante manter
    a diversidade dentro duma espécie.
  243. Para se reproduzirem, os corais
    libertam o seu material genético
  244. na água que os rodeia,
    habitualmente de noite.
  245. Como os corais não se misturam
    para acasalar,
  246. deixam que sejam as correntes oceânicas
    a fazer o acasalamento.
  247. Uma desova pode ocorrer ao mesmo tempo
  248. entre muitas espécies, no mesmo recife.
  249. Os corais sentem as mudanças
    na luz do dia e na temperatura da água,
  250. até mesmo na luz da lua cheia.
  251. Isso leva os corais a libertar
    o esperma e os ovos
  252. que sobem flutuando,
    ao sabor da corrente.
  253. Os ovos fertilizados evoluem
    em larvas que nadam livremente
  254. e que acabam por assentar numa superfície
    adequada e evoluir em pólipos.
  255. Os cientistas estão a explorar métodos
    para ajudar os corais a reproduzirem-se
  256. talvez de formas
    mil vezes mais bem sucedidas.
  257. Protegem os ovos fertilizados
    dos predadores,
  258. depois criam as larvas em laboratório
    antes de as devolverem à Natureza.
  259. Esta pirâmide do tamanho
    de uma chávena de chá
  260. abriga pequenas colónias de corais,
  261. em que cada uma delas começou
    com um único pólipo resistente.
  262. Os pólipos dividem-se e crescem,
  263. estabelecendo uma nova casa
    no fundo do oceano.
  264. Tal como encorajando um novo
    rebento numa floresta,
  265. os cientistas planeiam introduzir
    milhões de corais resistentes
  266. nos recifes demasiado sobrecarregados.
  267. Visitámos apenas alguns
    ecossistemas enriquecidos com corais.
  268. Mas nesses locais — e em muitos outros —
  269. esperamos descobrir os segredos
    para a sobrevivência dos corais.
  270. A sua sobrevivência significa
    que vamos beneficiar
  271. com a sua proteção, com os seus tesouros,
  272. e com a sua beleza.
  273. Com a nossa ajuda,
  274. as gerações futuras dos corais
    continuarão a colorir o nosso mundo.
  275. Tradução de Margarida Ferreira