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Portuguese, Brazilian subtítols

← Expedição Recife para Educadores / Academia de Ciências da Califórnia

Obtén el codi d'incrustació
18 llengües

Showing Revision 7 created 04/29/2019 by Maria Eugenia Laurito Summa.

  1. (som ambiente)
  2. Recifes de coral colorem nosso mundo.
  3. Sua beleza nos cativa.
    Sua diversidade nos surpreende.
  4. Construímos aquários para abrigar
    esses tesouros.
  5. Mas seu maior valor está no mundo natural.
  6. (música suave)
  7. Aqui, perto de Devil's Point,
    nas Filipinas
  8. estamos imersos em um dos ecossistemas
    mais diversos -
  9. um sistema que aproveita a energia do sol
  10. mediante uma colaboração única
    entre animais e algas.
  11. Um sistema que sustenta
    milhares de espécies
  12. utilizando nutrientes muitas vezes
    escassos de maneira eficiente.
  13. Escondidos em cantos e recantos,
    encontramos multidões de organismos,
  14. em complexa rede de conexões.
  15. A moreia consegue uma ajudinha
    de seus amigos:
  16. um exame dental do camarão e dos
    peixes wrasse.
  17. Eles comem pequenos parasitos
    que adoentam a moreia.
  18. Uma relação mutualística
    do tipo ganha-ganha.
  19. Nem todas a interações são tão boas.
  20. A estrela-do-mar coroa-de-espinhos
    devora corais,
  21. deixando esqueletos brancos em seu rasto.
  22. Um minúsculo caranguejo Trapezia
    defende sua casa de coral
  23. de uma criatura muito maior.
  24. E um nudibrânquio de cores vivas
  25. janta em esponjas
    que crescem nos recifes.
  26. Suas cores alertam predadores
    para ficarem longe:
  27. substâncias ingeridas pelos
    nudibrânquios os tornam venenosos.
  28. Observamos essas espécies e muitas outras,
  29. mas o que não conseguimos ver
    são todas as relações
  30. que as ligam umas às outras.
  31. Mais importante,
    elas participam de uma cadeia alimentar,
  32. sobrepondo conexões de produtores
    e consumidores,
  33. predadores e presas.
  34. Seres humanos também participam
    dessa cadeia.
  35. E recifes de coral sustentam
    redes mais complexas
  36. do em qualquer outro lugar
    do planeta.
  37. O que torna esses locais especiais?
  38. Vamos deixar as Filipinas
  39. para explorar onde encontramos
    recifes ao redor do globo.
  40. Embora recifes de coral sustentem
    um quarto das espécies oceânicas,
  41. eles recobrem bem menos do que
    um por cento da área dos oceanos.
  42. Corais crescem nas partes do globo
  43. que recebem mais luz solar.
  44. O Equador terrestre divide nosso planeta
  45. nos hemisférios norte e sul,
  46. e a faixa ao redor dele - os trópicos -
  47. recebe luz solar constante
    durante todo o ano.
  48. Recifes de coral cobrem cerca de um terço
    das costas tropicais.
  49. Esta parte do nosso planeta absorve
    a maior parte da energia da nossa estrela,

  50. o Sol.
  51. Ela fornece combustível
    para cadeias alimentares do coral
  52. e sustenta a notável diversidade
    dos ecossistemas de recife.
  53. Recifes de coral são as maiores estruturas
    construídas por animais,
  54. e assumem três formas básicas:
  55. recifes em barreira, recifes em franja
    e atóis.
  56. A Grande Barreira de Corais australiana
    é o maior recife do mundo.
  57. Uma barreira de coral
    acompanha sua linha costeira,
  58. e lagoas separam o recife da costa.
  59. Aqui em Curaçao, ao largo da costa
    da América do Sul,
  60. vemos um recife em franja,
    que cresce diretamente da praia,
  61. formando uma fronteira ao longo da costa.
  62. E este é o Atol de Ant
    no oeste do Oceano Pacífico.
  63. Um atol forma-se quando uma ilha vulcânica
    afunda abaixo do nível do mar,
  64. deixando para trás um anel de coral.
  65. Todos esses recifes são construídos
    por animais
  66. que usam a energia solar
    para fazer rocha a partir de água.
  67. Este recife nas Filipinas inclui
    muitas espécies de corais vivos.
  68. Corais macios delicados são mais comuns,
  69. mas são principalmente os corais duros
    que constroem recifes.
  70. E têm feito este trabalho por mais
    de cem milhões de anos!
  71. Para entender como corais constroem recifes
    precisamos ver como vivem.
  72. Cada coral é, na realidade,
  73. uma colônia de animais minúsculos
    chamados pólipos de coral.
  74. E como todos os animais, eles comem.
  75. Um pólipo captura sua presa.
  76. Como a picada de seu parente, a água viva,
  77. o coral arpoa sua refeição com
  78. com microscópicos ganchos
    liberados de seu tentáculo.
  79. O pólipo puxa o copépodo para a boca
    para digeri-lo.
  80. Essa refeição proporciona uma importante
    fonte de energia.
  81. Mas a maior parte da energia vem
    de um lugar bem diferente.
  82. Precisamos ver mais de perto para
    encontrá-lo.
  83. As camadas internas do tecido do pólipo
    abrigam algas
  84. chamadas zooxantelas.
  85. Essas algas dão ao coral sua cor,
  86. e - o mais importante - aproveitam a luz solar
  87. através do processo chamado fotossíntese.
  88. As algas que vivem dentro do coral
    convertem a luz solar
  89. em açúcares ricos em energia
    e aminoácidos.
  90. Corais absorvem até 90 por cento
    desse combustível!
  91. Em troca, as algas dependem de resíduos
    dos pólipos
  92. como fonte de nutrientes.
  93. Essa eficiente reciclagem permite que corais
    cresçam em águas tropicais,
  94. onde a intensa competição
    dificulta a obtenção de nutrientes.
  95. Vamos olhar dentro de um pólipo para ver
    como ele ajuda a construir um recife
  96. Ele retira carbono de algas e água do mar
  97. e os transforma em carbonato de cálcio.
  98. Quando você respira,
    você expira dióxido de carbono -
  99. todos os animais fazem isso,
    inclusive os corais.
  100. Mas carbono deles combina-se
    com o cálcio do oceano

  101. para criar carbonato de cálcio.

  102. Corais usam esse composto calcáreo
    para construir seus esqueletos
  103. Pólipos rígidos de coral afastam-se
    da superfície na qual residem
  104. e preenchem as lacunas
    com carbonato de cálcio.

  105. Repetindo este processo várias vezes,
  106. eles ajudam a construir recifes inteiros.
  107. Corais podem construir um recife
    a uma taxa de vários centímetros por ano.
  108. Acelerar o tempo nos permite assistir
    o crescimento da comunidade do coral,
  109. conforme os indivíduos competem
    por recursos no recife.
  110. Esse processo lento e estável
    pode levar muito tempo.
  111. Alguns recifes têm centenas de anos.
  112. Correntes oceânicas e outros fatores
    podem alterar a forma do coral.
  113. A mesma espécie
    pode parecer bem diferente,
  114. dependendo de algo tão simples
  115. como a velocidade do movimento
    da água ao seu redor.
  116. Chamamos isto de plasticidade.
  117. A resposta flexível dos corais ao ambiente
  118. os ajuda a adaptar-se
    a um mundo em mudança.
  119. E embora estejamos
    mais familiarizados
  120. com os recifes coloridos e superficiais
    que visitamos até agora,
  121. sabemos que eles se estendem
    muito abaixo desses reinos ensolarados.
  122. Exploradores da Academia de Ciências da Califórnia
  123. estudam recifes profundos em uma região
    apelidada de Zona do Crepúsculo.
  124. Diferentemente dos corais superficiais,
    aqui os corais sobrevivem com pouca luz.
  125. Sem energia solar abundante, eles comem mais,
    jantando animais minúsculos
  126. que se refugiam nessas profundezas
    para escapar de predadores acima.
  127. A plasticidade dos corais lhes serve bem
  128. nesse ambiente pouco iluminado.
  129. Algumas espécies têm pigmentos adaptados
    usados acima como protetor solar,
  130. o que os torna fluorescentes
    nessas profundezas.
  131. Os pigmentos regulam luz fraca
    para cores
  132. que algas podem usar para fotossíntese.
  133. Centistas mergulham até cinco vez mais
    fundo do que um mergulhador normal
  134. para examinar esses recifes
    raramente vistos.
  135. Cada visita revela novas descobertas.
  136. Esses ctenóforos bentônicos,
    por exemplo.
  137. Gelatinas pequenas e pegajosas agarram-se
    a linhas de pesca abandonadas,
  138. estendendo tentáculos longos e finos
    para agarrar e enrolar rapidamente a presa.
  139. Toda expedição fornece pistas
  140. para conservar e restaurar
    esses ecossistemas.
  141. Superficiais ou profundos,
    esses recifes habitam um vasto oceano.
  142. Conectam-se uns aos outros pela geografia
    do assoalho oceânico
  143. e pelas correntes que fluem através deles.
  144. Corais migram em correntes oceànicas
  145. que levam ovos e larvas para novos lares,
  146. enriquecendo recifes ao longo do caminho.
  147. Também a humanidade está conectada
    a este mundo submerso.
  148. Assim como corais dependem de algas para
    sobreviver, nós dependemos dos recifes.
  149. Meio bilhão de pessoas dependem
    de recifes de coral para alimentação e renda.
  150. Muitos aprenderam a colher a generosidade
    dos corais de modo sustentável
  151. de uma maneira que sustenta ecossistemas
    recifais saudáveis.
  152. Mas recifes fornecem mais do que alimento.
    Eles também dão proteção.
  153. Furacões, tufões e ciclones
    formam-se sobre o oceano tropical,
  154. às vezes causando graves danos quando
    chegam à terra firme.
  155. Em 2017, o ciclone tropical Debbie
    atingiu o nordeste da Austrália,
  156. visto aqui em imagens de satélite.
  157. Satélites rastrearam tormentas tropicais
    durante muitas estações,
  158. de modo que podemos acelerar o tempo
    para observar seu movimento.
  159. Linhas mais fortes indicam tempestades
    mais intensas.
  160. Recifes saudáveis protegem o solo
    contra os efeitos danosos
  161. dessas tempestades tropicais.
  162. Aqui vemos o Recife de Barreira
    Mesoamericano,
  163. O maior recife de coral do Oceano Atlântico.
  164. Quando o furacão Dean atingiu
    a Península de Yucatán, no México, em 2007
  165. o recife ajudou a proteger a costa.
  166. Cientistas criaram uma simulação
    para entender como isso funciona.
  167. Recifes dissipam ondas de energia,
  168. reduzindo a altura da onda
    e a velocidade da água
  169. antes que cheguem à praia.
  170. Por todo o mundo, recifes protegem
    centenas de milhões de pessoas
  171. que vivem em comunidades costeiras.
  172. Precisamos garantir a saúde dos recifes de coral
    para colher seus benefícios.
  173. Aqui no Caribe,
  174. os recifes sofreram décadas
    de pesca excessiva,
  175. e os seres humanos continuam a impactar
    recifes ao redor do globo.
  176. Desenvolvimento em terra pode criar
    escoamento para o oceano
  177. o que sufoca recifes de coral.
  178. Poluentes como plástico e pesticidas
  179. pioram ainda mais os problemas.
  180. Além desses desafios locais,
    recifes enfrentam ameaças globais.
  181. O aumento da temperatura do mar e
    a acidificação dos oceanos ameaçam recifes.
  182. Queima de carvão e petróleo e outros
    combustíveis fósseis
  183. introduzem dióxido de carbono
    na atmosfera terrestre,
  184. aprisionando calor e aquecendo o planeta,
    inclusive os oceanos.
  185. As águas rasas do Caribe
  186. aquecem mais rapidamente as profundezas
    do oceano,
  187. assim, recifes aqui percebem os efeitos
    do aquecimento de forma mais aguda.
  188. Vamos visitar o recife de franja de Curaçao,
  189. onde podemos testemunhar esses efeitos
    em primeira mão
  190. e descobrir o que os cientistas
    estão fazendo
  191. para garantir a sobrevivência dos recifes.
  192. (música suave)
  193. Recifes superficiais são particularmente
    sensíveis ao aumento das temperaturas.
  194. Água aquecida pode causar embranquecimento
    do coral
  195. quando uma colônia inteira de pólipos de coral
    perde sua coloração.
  196. Vamos fazer uma visita a um pólipo
    para ver como isso acontece.
  197. Muita luz ou calor faz as algas do coral
  198. liberarem substâncias químicas
    que lesam o hospedeiro.
  199. O coral estressado expele suas algas,
  200. sacrificando assim sua principal
    fonte de energia,
  201. algo parecido com um sistema imune
    hiper-reativo
  202. Como os corais perdem sua cor natural
    quando perdem suas algas,
  203. chamamos a isto branqueamento do coral.
  204. Corais branqueados estão doentes,
    mas não estão mortos.
  205. Algas podem recolonizar corais
    branqueados
  206. se as condições melhorarem rapidamente.
  207. Recifes branqueados podem recuperar-se.
  208. E alguns corais parecem resistentes
    ao branqueamento.
  209. Esses sobreviventes - sejam eles os animais
    ou suas algas,
  210. ou uma combinação desses dois -
  211. podem prestar assistência a corais
    menos resilientes.
  212. Mas recuperação leva tempo
  213. muito tempo quando desacelerado
    pela acidificação do oceano -
  214. outro subproduto do excesso
    de dióxido de carbono na atmosfera.
  215. Essas colônias podem levar anos ou décadas
    para se recuperar,
  216. então precisamos descobrir formas
    de acelerar sua recuperação.
  217. Vamos olhar para o nosso ecossistema
    de recifes de coral de um modo diferente.
  218. Toda espécie carrega um código genético -
    um livro molecular de instruções
  219. que varia ligeiramente
    de um indivíduo ao outro.
  220. Alguns trechos oferecem estratégias
    de sobrevivência para um mundo em mudança.
  221. Quando os animais se reproduzem,
    compartilham essas instruções.
  222. que podem levar a uma prole
    mais bem sucedida.
  223. cada indivíduo que desaparece
    é um volume
  224. que se perde para sempre
    na biblioteca genética das espécies.
  225. Por isso manter a diversidade
    de uma espécie é importante.
  226. Para reproduzir, corais liberam
    seu material genético
  227. na água circundante, normalmente
    à noite.
  228. Como não podem misturar-se
    para acasalar,
  229. eles deixam as correntes oceânicas
    fazer as combinações.
  230. Um evento de desova pode ocorrer
    ao mesmo tempo
  231. entre muitas espécies ao longo do recife.
  232. Os corais detectam mudanças na luz do dia
    e na temperatura da água -
  233. até mesmo a luz da lua cheia.
  234. Isto sinaliza para que os corais liberem
    feixes de esperma e ovos
  235. que flutuam e derivam com a corrente.
  236. Ovos fertilizados vão transformar-se
    em larvas que nadam livremente,
  237. que afinal se instalam em uma superfície
    adequada e crescem em pólipos.
  238. Cientistas estão explorando métodos
    pra ajudar os corais a se reproduzir
  239. talvez de modo mil vezes mais eficiente.
  240. Eles resgatam ovos fertilizados
    de predadores.
  241. depois criam as larvas em laboratório
    antes de devolvê-las à natureza.
  242. Esta pirâmide do tamanho de uma xícara
    de café é o lar de pequenas colônias de coral,
  243. e cada uma delas começou como um pólipo
    único e resiliente.
  244. Os pólipos vão se dividir e crescer,
  245. estabelecendo um novo lar
    no fundo do oceano.
  246. Muito parecido com o incentivo ao
    reflorestamento,
  247. os cientistas planejam introduzir
    milhões de corais resilientes
  248. em recifes super-estressados.
  249. Visitamos apenas alguns ecossistemas
    enriquecidos por corais.
  250. Mas nesses locais - e em muitos outros -
  251. esperamos desvendar os segredos
    para a sobrevivência dos recifes de coral.
  252. A sobrevivência deles significa
    nos beneficiarmos
  253. de sua proteção, de sua generosidade
    e de sua beleza.
  254. Com nosso auxílio,
  255. futuras gerações de corais
    continuarão a colorir o nosso mundo.
  256. (música suave)
  257. Tradução de Maria Eugênia Laurito Summa