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O último programa da crítica de cinema Pauline Kael na rádio KPFA.

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Showing Revision 5 created 06/16/2014 by Ivy Farias.

  1. {Pauline:} Talvez "Ivan, o Terrível" está mais próximo do gênero de horror
  2. do que tenha sido reconhecido. Este é um mistério para a crítica americana
  3. como kabuki, com o qual é comparado frequentemente. Talvez não deva ser
  4. desta forma tão genérica ou talvez eu tenha que dizer apenas para o meu olho e minha mente, mas sempre que eu pergunto
  5. para as pessoas que amaram o filme me explicarem sobre exatamente o que é, eles sempre chegam a respostas misteriosas.
  6. Seria quase a mesma coisa que perguntarem porquê as pessoas acham que (a rádio) KPFA é tão maravilhosa.
  7. Fui muito subjulgada por causa deste programa e tudo porque eu tenho dor de garganta.
  8. Aposto que você pensou que eu iria falar por uma hora sem pausas sobre esta estação de rádio.
  9. Ontem, um ouvinte perplexo me enviou uma correspondência muito curiosa, a cópia da
  10. carta que este ouvinte havia enviado para a KPFA e, em anexo, a resposta de Trevor Thomas.
  11. O ouvinte perguntou- cito esta parte: "Eu adoro a
  12. ideia de uma estação de rádio não comercial pois alguns dos programas que vão ao ar não iriam
  13. se fizessem parte da grade de uma rádio comercial. Atualmente sou assinante e tenho sido, sem interrupções,
  14. nos últimos 10 anos mas eu estou ficando cada vez mais e mais chateado com o conteúdo que tem ido ao ar.
  15. Os cinco minutos iniciais de Miss Kael no domingo foi o primeiro sinal de coragem que tenho ouvido
  16. na KPFA em algum tempo. Vamos torcer para que nos leve para discussões genuínas das questões
  17. levantadas, pois algumas delas deveriam ter sido levantadas e não foram. Vocês poderiam ter uma grande estação de rádio
  18. se vocês não estivessem tão convencidos de que já são. Se esta é a nossa rádio, que tal alguma
  19. informação sobre ela ao invés de auto-elogios? Quem é o responsável,
  20. por que e como? Quem decide sobre os programas e baseado em quê? Quem contrata
  21. e quem demite? Quem determina o orçamento anual? Qual a experiência, o treinamento
  22. de vários membros da equipe? E, sobre isso, como alguém consegue um emprego
  23. na KPFA? Se, por outro lado, isso não é nosso, os ouvintes desta estação de rádio,
  24. e se nenhuma destas questões são de nossa conta, baseado em que estão pedindo o nosso dinheiro?"
  25. Aqui a resposta de Trevor Thomas:
  26. "Algumas das questões que você colocou em sua carta do dia 19 de outubro estão respondidas no panfleto em anexo.
  27. Os erros que cometemos são da nossa equipe. Mas qualquer pessoa ou ouvinte
  28. que faça perguntas irá ter uma resposta se isso for possível. Uma de nossas maiores
  29. frustrações é nossa incapacidade de lidar com milhares de ideias e literalmente
  30. milhares de cartas que chegam durante o ano. Iria levar, no mínimo, duas equipes em tempo integral para se concentrar
  31. na pesquisa e apreciação para lidar conscientemente com cada uma destas cartas
  32. e/ou sugestões. Certamente que muitas destas são importantes e o mais importante para
  33. as pessoas que usaram seu tempo para escrevê-las. Você pergunta baseado em que nós pedimos
  34. dinheiro e só há um motivo apenas e se isso é o que você pensa que é o produzido vale a pena ouvir.
  35. Nós não somos uma instituição de caridade mas nós dependemos dos ouvintes tanto para sustento como para encoragamento
  36. e crítica". E termina aí. E se isso não é uma conversa dupla entre
  37. um deputado escrevendo para um cidadão, o que é então? Com certeza é uma resposta final e evasiva
  38. sobre sugestões e críticas talvez expliquem porque depois de 13 anos
  39. KFPA tem pouco mais que 8.0000 assinantes. Infelizmente, a ideia
  40. da equipe que milhares de pessoas que têm rádios FM que não assinam podem ouvir pode ser
  41. sem garantia alguma. Quando você considera como algumas programações são tão estúpidas, casualmente
  42. o ouvinte praticamente tem que ser um mártir para continuar ouvindo a rádio na esperança de conseguir
  43. algo que esteja interessado. E é aparentemente impossível fazer uma sugestão sem
  44. uma contra-partida pedindo por dinheiro. Não compreendo como isso pode ser feito de cara limpa,
  45. mas frequentemente os responsáveis falam que, se derem mais dinheiro, eles darão melhores programas.
  46. Mas como eles não pagam por palestrantes ocasionais ou para participantes ou comentaristas nos programas,
  47. não consigo ver porque seria muito mais caro para eles irem atrás das melhores pessoas ao invés de aceitarem
  48. tantos "tapa-buracos". Anthony Boucher e Phillip Elwood não custam muito mais do que
  49. qualquer outro especialista. E é com esta mesma cara de pau que Trevor Thomas fala
  50. para o ouvinte que teria que ter no mínimo duas equipes em tempo integral para lidar com as sugestões.
  51. Eu gostaria de saber o que o Presidente e o Vice-Presidente Executivo farão se for
  52. necessário contratar duas pessoas para pensar. Aliás,
  53. o panfleto que Trevor Thomas enviou no anexo em um verdadeiro fichário azul tem uma declaração adorável.
  54. Vou citar uma parte: "Pedidos chegam à minha mesa cada vez mais de pessoas
  55. de outras comunidades: 'Quando nós teremos uma estação de rádio Pacífica em nossa área?' ou
  56. 'Por onde começamos?' Em 13 anos de emissões, nós chegamos à conclusão determinante
  57. que se há uma audiência que irá sustentar uma rádio livre, livre para expressar qualquer
  58. opinião responsável, livre para explorar novos e familiares canais de criação artística.
  59. Em respostas a estas demandas, é difícil mas com dedicação e
  60. ingenuidade é possível". Fim da citação.
  61. Muitos de vocês me perguntam qual a resposta tive da equipe da estação de rádio da minha intenção
  62. de discutir suas políticas, seus fracassos e as possíveis soluções. A resposta
  63. foi nenhuma, nenhuma. Aparentemente, eles preferiram olhar por cima para o problema,
  64. como se eu tivesse feito algum som horrível na mesa de jantar. E você, suponho eu, irá
  65. enviar seus dólares para esta estação culposamente, sentindo que a cada contribuição
  66. você é uma pessoa melhor. Você está pagando o débito liberal. Você sente que é realmente
  67. alguém fazendo algo, mesmo quando ninguém lhe fala exatamente o quê. Esta é a união do
  68. auto-sacrifício, equipe dedicada e ouvintes que se auto-sacrificam, um tipo de
  69. osmose. Eles lhe dão a culpa, você lhes dá dinheiro e, quanto mais culpa eles
  70. te dão, mais você terá que suprir esta culpa lhes dando dinheiro
  71. {KFPK:} Você está ouvindo a "Filmes", um programa

  72. quinzenal de resenhas e comentários por Pauline Kael.
  73. Se você gostar dos comentários dela, você talvez
  74. possa mencionar o programa para os seus amigos.
  75. Será na noite de Segunda-Feira na KPFK às 21h15.
  76. da noite. KPFA,
  77. seu lavo para hoje foi nossa estação parceira
  78. Pacífica na Berkley.
  79. Se você tem algum comentário sobre a KPFK, nós sugerimos que você escreva para a estação.
  80. Nosso endereço é: KPFK, Los Angeles, 38.
  81. {KPFK:} Uou, até parece que nós somos...

  82. um pouco...
  83. Deixe ir em frente e ler isso.
  84. Muitos dos nossos ouvintes sabem que a natureza do nosso programa não é muito usual e isso se deve
  85. quase que exclusivamente ao fato de que nós não estamos sujeitos à pressão comercial da KPFK.
  86. Nós não temos patrocinadores. Nós podemos trabalhar com a liberdade
  87. porque um número suficiente de nossos ouvintes dão valor a esta programação livre o suficiente para pagar por ela.
  88. Nossa única fonte de renda vem dos nossos ouvintes. Se você acha que a KPFK
  89. é importante para você, talvez por causa do programa da Pauline Kael então
  90. você não se tornará um dos assinantes? Nós pedimos doze dólares por ano
  91. e você receberá nosso portifólio também. Nosso endereço é KPFK, Los
  92. Angeles 38. Se você gostaria
  93. de ouvir uma amostra dos tipos de programas que vão ao ar
  94. na KPFK, então fale da estação para os seus amigos,
  95. nós temos um LP chamado "The Lively Air. " com
  96. os nossos mais conhecidos nomes representados em gravações como Herschel Bernardi, Celeste Holm, Hermione
  97. Gingold, Carl Sandburg, Peter Ustinov e Bruno Walter e muitos outros.
  98. Isto chegou há apenas duas horas aqui na
  99. KPFK da KPFA da Berkley, porém não sabemos se
  100. teremos a mesma sorte na próxima semana. Aqui está Pauline Kael com outra série de seus programas
  101. chamados "Filmes".
  102. {PAULINE:} Estou determinada a começar o ano novo corretamente. Eu não quero carregar
  103. rancores desnecessários de 1962, então deixe me cumprir
  104. alguns débitos. Eu gostaria de dizer algumas palavras sobre a comunicação com uma ouvinte.
  105. Ela começa assim: "Senhorita Kael, eu presumo que você
  106. não seja casada. Um perde uma mordida má e afiada na voz do outro quando
  107. o outro aprende a se importar com os outros". E termina aqui. E isso não é formidável
  108. que esta mulher que usou o orgulho próprio como virtude está agora sendo complacente
  109. orgulhosa do seu estado civil? Eles leram Freud e não são os únicos
  110. que tem a ideia de que ser casado é ser saudável, mais maduro, assim como também eles têm a ilusão de que
  111. ser casado melhora o caráter. Esta senhora é tão preocupada com isso que eu não acredito que ela
  112. tenha total aceitação de sua feminilidade pois ela assina com o nome do marido antes
  113. da "Senhora". Por que, se "Sra. Fulano de Tal" ao invés de
  114. assinar como "Jane de Tal"?. Eu devo confundi-la com estas virgens pervertidas. Eu talvez não
  115. entenda a quentura e a profundidade das experiências conjugais que ela escreve.
  116. Eu me pergunto, "Senhora Fulano de Tal", em proteger e assegurar seu estado civil,
  117. você tenha considerado que talvez se importar com os outros possa trazer uma mordida na voz.
  118. E eu me pergunto se você considerou quão difícil é para uma mulher na idade freudiana,
  119. que parece ser da era Vitoriana em uma atitude vinda de uma mente feminina,
  120. para mostrar alguma inteligência sem ser acusada de naturalmente agressiva,
  121. uma vingativa odiosa ou, no mínimo, lésbica. A última acusação
  122. é genericamente feita por homens que têm passado por tempos difíceis durante uma discussão. Eles gostam de
  123. consolar a eles mesmos com a noção de que uma mulher semi-masculina. A
  124. Nova Teoria Freudiana vai desde a era Vitoriana na sua concepção plácida de que a mulher
  125. que usa sua mente está tentando competir com os homens. Isso foi ruim o suficiente para
  126. mulheres que tinham cérebro serem consideradas loucas como cachorros falantes.
  127. Agora estão assumindo que elas estão tentando fazer crescer um pênis, o que qualquer homem falará para nós
  128. que isso é um elogio capaz de colocar a conversa canina de lado. Senhora
  129. Fulana de Tal e suas irmãs que escrevem parecem interpretar como Freud , que inteligência, assim como
  130. um pênis, é um atributo masculino. A verdadeira mulher deve ser doce
  131. e passiva. Ela não deve discutir, expressar uma opinião ou ficar animada sobre um julgamento.
  132. Sexo, ou pelo menos o sexo matrimonial regulado, é supostamente para agir como um tranquilizante.
  133. Em outras palavras, a mulher de Freud aceita o total complexo
  134. complexo de passividade que as feministas lutam contra. Senhora de Tal,
  135. quer saber de uma coisa? Eu não me incomodo em soar afiada. E eu tomo esta posição com
  136. as feministas pré-freudianas. E quer saber algo mais? Eu acho
  137. que provavelmente você está tão preocupada em não competir com os egos masculinos, estes brilhantes intelectuais
  138. masculinos que você provavelmente iria levar os homens à morte com tanto tédio. Esta senhora que
  139. me ataca por ser grosseira e afiada diz mais: "Eu
  140. estou extremamente desapontada por seu discurso cáustico na estação de rádio
  141. KPFA. Acho que é uma infelicidade por você não ter podido ter uma educação liberal,
  142. porque isso lhe daria a oportunidade de saber que muitas pessoas têm muitos campos de
  143. interesse e isso lhe teria salvado do fato de mostrar a sua ignorância no assunto". Fim
  144. da citação. Ela mostra sua educação liberal ao soletrar
  145. cáustica c-á-l-s-t-i-c-a, e com alguma
  146. presença de espírito que eu leio este tipo de comunicação. Deveria eu
  147. tentar contar a minha educação, liberal e sexual contra a dela? Será que deveria
  148. explicar que Pauline Kael é o nome que me foi dado quando nasci e que não reflete
  149. as mudanças do meu estado civil, que pode complicar a nomenclatura?
  150. Não é que eu prefira me chamar do "Senhorita" que tanto incomoda ela do que "Senhora".
  151. Prefiro, se isso significa expressar ideias que ela não goste. E se eu refiro
  152. a mim mesma por três nomes como aquela moça poetisa do Saturday Review of Literature,
  153. a Sra. de Tal continuaria me odiando pela minha coragem. Mas, signifcamente, ela me ataca por
  154. ser uma "Solteira". Ao se tornar uma "Senhora", ela ganhou uma moral superior.
  155. Para mulheres modernas, perder a virgindade é uma vitória comparada
  156. a das mulheres da era Vitoriana que conseguiam mantê-la. Estou feliz pela Sra.
  157. de Tal ter conseguido um marido, mas em sua defesa da KPFA ela escreve como
  158. se tivesse uma mente virgem. E isso é algo para se ficar feliz?
  159. Sra. de Tal, a feliz, emocionalmente segura, madura, liberalmente educada mulher
  160. tem seu número oposto na caixa de correio. Esta é a carta
  161. de um homem bem homem. Vou ler um pedaço de sua carta: "Queria
  162. Senhorita Kael, desde que você sabe tanto sobre a arte do cinema, por que não
  163. pensa em fazer um? Mas antes você precisará de B- vazio- vazio- vazio- vazio".
  164. Fim da citação. Sr. Sicrano.
  165. (Eu usei a repetição em homenagem aos seus dois atributos), que filmes são feitos
  166. e críticas são escritas usando inteligência, talento, gosto, emoção,
  167. educação e discriminação. Eu sugiro que é tempo para você
  168. pare de pensar no seu bando de joias genitais. Há uma resposta padrão
  169. para esta velha idiotice de "se você sabe tanto sobre a arte dos filmes, por que você não faz
  170. filmes?": você não tem que provar um ovo para saber se está bom.
  171. E se isso o faz sentir melhor, eu já trabalhei fazendo filmes
  172. e eu não fui impedida por nenhuma deficiência biológica. Você pode imaginar
  173. porque eu perco tempo para responder cartas deste tipo. A razão é que estes dois exemplos,
  174. apesar de ser os mais grosseiros de toda a correspondência, simplesmente trazem em si os extremos de cada coisa
  175. que muitos de vocês escrevem. E com frequencia vem de vocês que são os mais dedicados em defender
  176. a KPFA que fazem ataques insultando de forma pessoal.
  177. Quando eu escuto os apelos de Helen Kaufman para os ouvintes mente abertas, inteligentes da KPFA
  178. constituírem um grupo dos que estão juntos nessa,
  179. o meu primeiro pensamento é "inclua-me fora desta". Eu tenho grandes evidências
  180. em minha mesa que a dedicação à KPFA é com frequencia consistida com pena,
  181. mentes fechadas e se você propõe desafios para estas pessoas,
  182. eles não apenas não irão responder no seu nível de ideias. Eu, incidentalmente,
  183. ouvi de um membro da equipe da KPFA que eu deveria limitar a minha discussão sobre os filmes.
  184. Em outras palavras: é certo para convidados da estação pedirem dinheiro
  185. para a rádio. O que não é certo é questionar como este dinheiro arrecadado é usado,
  186. qual a política de contratação, qual a estrutura da rádio.
  187. E, para o momento, vamos aos filmes.
  188. "Yojimbo" é um filme glorioso, uma comédia satírica da mesma força do grande épico
  189. de Akira Kurosawa, "Os Sete Samurais", foi um poema de força.
  190. Не синхронизирани
    O último programa de Pauline Kael na rádio KPFA
  191. Не синхронизирани
    Pauline Kael se despede de seus ouvintes
  192. Не синхронизирани
    e lê duas cartas de alguns deles.
  193. Не синхронизирани
    Tradução: Ivy Farias (ivyfarias@gmail.com)
  194. Не синхронизирани